Niterói pode ficar sem Coronavac em maio, e continuidade da segunda dose é incerta

Butantan alertou para falta de insumo e culpou o governo federal por falha na diplomacia

Coronavac tem produção atrasada por falta de insumo. Divulgação/Prefeitura de Niterói


Depois de suspender as aplicações de segunda dose no fim de abril, por falta de Coronavac, Niterói pode ter que interromper a vacinação novamente em maio. O motivo é a falta de ingrediente farmacêutico ativo (IFA), que vem da China. O Butantan realizou uma entrega nesta quinta e a outra programada para a semana que vem. Depois disso, já está certo que haverá uma lacuna nas entregas.


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Em entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira, durante entrega de 1 milhão de doses de Coronavac, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que a partir de 14 de maio as entregas de vacinas devem ser paralisadas. Ele atribuiu o atraso na chegada do IFA à falta de diplomacia do governo federal.


— Existe dificuldade. Há uma burocracia mais lenta e há autorizações reduzidas de volumes [do IFA]. Essas declarações têm impacto, e ficamos a mercê. Não vamos ter, de fato, condições de entregar. Pode faltar? pode faltar. E temos que debitar isso, principalmente, do governo federal, que tem remado contra — declarou Covas.


Ainda de acordo com o Butantan, há um lote com 4,1 milhões de vacinas evasadas para entrega na semana que vem. Mas os insumos que deveriam te chegado na segunda quinzena de abril para continuar a produção devem chegar com um mês de atraso, comprometendo o cronograma.


Incidente diplomático


Na última quarta-feira, o Presidente Jair Bolsonaro fez declarações públicas polêmicas sobre a origem do vírus e uma suposta "guerra química, bacteriológica e radiológica". Sem citar a China, o presidente insinuou que o país que teve maior crescimento de PIB em 2020 — que foi o país asiático — teria se beneficiado da pandemia.


As declarações repercutiram negativamente, já que a China é o maior parceiro comercial do Brasil, e horas depois o Presidente negou que tivesse citado nominalmente o país.