Niterói repete últimas eleições e elege só duas vereadoras e 19 homens

Benny Briolly, do PSOL, e Verônica Lima, do PT, são as representantes da bancada, composta em sua maioria por homens

Por Livia Figueiredo


Benny Briolly, do PSOL, uma das campeãs de votos de vereadores da cidade / Foto: Divulgação


Entra eleição, sai eleição e o plenário da Câmara Municipal de Niterói mantém seu quadro majoritariamente composto por homens. O resultado das eleições deste domingo (15) confirma: dos 21 vereadores eleitos, apenas duas são mulheres. São elas: Verônica Lima, do PT, reeleita, e a trans Benny Briolly, do PSOL.

Leia também: Renovação chega a 40% na Câmara

Apesar de pouco representadas, o número sugere uma perspectiva de mudança se levarmos em consideração que, em 84 anos, apenas 13 entre 835 vereadores eram mulheres, o que equivale a menos de 2% de representatividade.

Em 2016, Niterói elegeu duas vereadoras: Verônica Lima, do PT, e Talíria Petrone, do PSOL, que hoje é Deputada Federal e está em Brasília. As candidatas mais votadas receberam um número significativo de votos. Benny Briolly aparece em quinto lugar, com 4.367 votos, diferença sutil comparada ao quarto colocado, Paulo Velasco, do partido Avante, que conquistou 4.378 votos. Já Verônica aparece em sexto, com 4.220 votos.

A partir do próximo ano, Benny será a primeira mulher negra travesti ocupando cadeira na Câmara Municipal, por onde já passou a correligionária Talíria Petrone, com quem a eleita já trabalhou como assessora antes de entrar em campanha eleitoral.

Nosso corpo é uma urgência”

Benny lamenta o fato de Niterói ter apenas duas mulheres negras na Câmara. Porém confessa que notou um avanço e diz estar muito satisfeita de poder ver nas urnas a tradução de um desejo concreto por transformação social. Transformação essa que passa pelos corpos negros, periféricos, LGBTs e das mulheres.

-Somos mais de 4.358 pessoas que acreditam em uma Niterói nas mãos do povo. Nossos passos vêm de longe, porque nosso corpo é coletivo. É um absurdo uma cidade como Niterói ter apenas uma mulher negra na Câmara. Agora, duas. Somos 1/4 da população brasileira, maioria nas favelas e periferias. As mulheres negras constroem a cidade no dia a dia e precisam decidir sobre os rumos delas. Nosso partido é comprometido com a reparação das desigualdades e ter cada vez mais mulheres, negras e negros, LGBTs, povo de favela é a garantia da democracia e da diversidade. Queremos ser muitas mais. Vamos para a Câmara para mostrar que tem travesti de luta em Niterói – declara.

Benny diz que a questão mais urgente a ser resolvida em Niterói é a da moradia, já que 20% da população moram em habitações precárias e isso está muito relacionado com a questão racial.

-A assistência social, onde acessam uma maioria de negros, está desestruturada. Além disso, estamos enfrentando uma enorme crise, com aumento do desemprego, do trabalho informal e a saída da juventude das escolas. Vamos lutar no legislativo para que isso seja corrigido – defende Benny.


728x90.gif

© 2020. A Seguir Niterói. Todos os direitos reservados. Site por Grazy Eckert e João Marcos Latgé.