Niterói suspende barreiras sanitárias nos acessos à cidade

Depois da confusão no trânsito, Prefeitura diminuiu o controle e decidiu suspender a ação já no fim de semana

Depois da confusão no trânsito, barreiras sanitárias foram suspensas


A medida foi anunciada em discurso do gabinete de crise, na quarta-feira (14). O Prefeito Axel Grael determinou a instalação de barreiras sanitárias na entrada da cidade para conter o acesso dos moradores de São Gonçalo. Num discurso duro, disse que a cidade vizinha não adotava medidas de controle à Covid e que o aumento dos casos da doença sobrecarregava os hospitais de Niterói.


Mas a ação não durou muito. A implantação das barreiras na quarta provocou um nó no trânsito., com longos engarrafamentos e protestos de moradores. Na quinta, a Prefeitura reduziu o esquema. E nesta sexta as barreiras foram foram abandonadas. A Prefeitura informou que a medida restritiva foi tomada durante o período mais crítico da pandemia, não sendo necessária neste momento de flexibilização.


A nota da Prefeitura diz que: “As barreiras foram localizadas nos pontos mais importantes de acesso ao município, como na divisa com São Gonçalo e na Ponte Rio-Niterói no primeiro dia. Nos dois dias subsequentes, notou-se um fluxo bem menor de veículos oriundos daquele município na cidade e consequentemente uma menor circulação de pessoas em Niterói, incluindo nos transportes públicos. Essa prática, associada às outras medidas restritivas, tem o objetivo de colaborar para a diminuição da propagação do coronavírus além do caráter educativo. A estratégia de implantação das barreiras sanitárias por períodos vem sendo utilizada por diversos municípios brasileiros”.


A infectologista Lígia Bahia da UFRJ ouvida pelo jornal O Globo disse que a

implantação das barreiras teve um aspecto político, mas nesse curto espaço de tempo não há impacto.


— É complicado a cidade tomar esse tipo de atitude porque é um lugar polo de ligação entre várias outros, que recebe e envia pessoas para trabalho. A atitude de tentar é positiva porque estimula cidades vizinhas, mas nesse abre e fecha, o impacto é nenhum. Vejo que foi uma tentativa desesperada, que tem um cunho político, de uma prefeitura que não é negacionista. Medidas como essa são desejáveis, mas tinham que contar com coordenação estadual e federal, o que não temos — disse a infectologista ao jornal.