Niterói tem 536 internados, 145 com Covid em casa e 800 novos casos por semana

Número de internados só se compara ao pico da doença; avanço do coronavírus é rápido mas Prefeitura não atualiza os dados há uma semana



Enquanto o Rio de Janeiro vive o colapso da Saúde, de acordo com expressão da Fiocruz, e a Região Metropolitana II aparece em alerta Vermelho no Mapa de Risco da Covid, a Prefeitura de Niterói mantém os dados sobre a doença desatualizados desde a semana passada. Na transmissão realizada nesta quinta-feira, 3, o Prefeito Rodrigo Neves informou que a cidade soma 534 mortes e 17.621 casos desde o início da pandemia.


A Secretaria de Saúde do município não consolida os dados da doença, como fazem outros municípios e também faz o governo do estado. Algumas informações, no entanto, estão disponíveis, espalhadas em diferentes endereços.


O relatório dos hospitais particulares registra 248 quartos ocupados, 88% dos leitos reservados para pacientes com Covid-19, uma taxa de ocupação de 88% - a mais alta desde o pico da doença em maio, junho e julho. O mesmo documento informa que os doentes com Covid também ocupam 63% das vagas de UTI reservadas para estes casos, com 166 pessoas internadas. No total, são 414 pessoas internadas na rede particular da cidade com a doença.


Nos boletim diários da Prefeitura, publicados no Facebook, aparecem 122 pessoas hospitalizadas na rede municipal, em quartos ou UTIs, segundo o Prefeito Rodrigo Neves. Ele citou também a existência de 145 monitoradas pelos serviços de saúde, em casa.


Desta forma, chega-se a um total de 536 pessoas internadas, em quartou ou UTIs, nas redes pública e privada. A prefeitura publica ainda um indicador da taxa de ocupação dos hospitais, mas a última atualização aconteceu no dia 27 de novembro - um atraso muito grande numa epidemia que é controlada no mundo todo, diariamente. Mesmo assim, ali aparece uma taxa média de ocupação hospitalar de 66,5% - 71,5% nos leitos e 61,8% nas UTIs.


Dirigentes de grandes redes de hospitais privados informaram que, diante da superlotação dos hospitais no Rio, estão remanejando doentes para Niterói.


O Prefeito Rodrigo Neves voltou a descartar a adoção de novas medidas restritivas. Assegurou que Niterói não vai fazer lockdown. o Comitê Científico do Rio de Janeiro, reunido na última quarta-feira, recomendou a adoção de medidas para diminuir a circulação de pessoas, entre elas, o fechamento das praias e o toque de recolher nos bares, às 22 horas.


Em Niterói, o Prefeito não convoca o Comitê científico há três meses, desde que decidiu a retomada das aulas do Ensino Médio contrariando o parecer dos especialistas. Também liberou música ao vivo nos bares e a redução da distância entre as mesas. O resultado da liberação de várias atividades apareceu no aumento dos casos em novembro. Na última semana epidemiológica, a quadragésima-oitava, foram registrados 826 novos casos da doença na cidade, um número só registrado em cinco semanas, no auge da pandemia.


Na reunião desta quinta-feira, o Prefeito voltou subir o tom ao anunciar retomada dos bloqueios nas praias e o aumento da fiscalização nas ruas, ações que ainda não puderam ser percebidas na cidade. Chegou a ameaçar um "estabelecimento" de fechamento e suspenção do alvará por desrespeito às normas e proteção e promoção de aglomerações. Mas não citou o nome.



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