Niterói teve pico da Covid-19 em maio, depois da Semana Santa

Atualizado: Jun 3

Um mês para esquecer. Niterói chega ao fim de maio com 3 mil casos da doença e 119 mortes e números voltam a crescer



O mês de maio registrou um aumento expressivo da Covid-19 em Niterói. A cidade, que foi uma das primeiras do estado a registrar uma morte, em 19 de março, viu a doença evoluir até atingir os números exibidos nesta segunda-feira, 01/06 pelo prefeito Rodrigo Neves: a cidade chegou a 2.994 casos de infecção confirmados e 119 óbitos.


Os números, por si, não revelam a rapidez do crescimento da epidemia. No boletim divulgado pela prefeitura no dia primeiro de maio, Niterói tinha 409 casos confirmados da doença; 170 pessoas estavam em observação; 55, internadas e havia 25 óbitos. O número de casos cresceu de forma acelerada, especialmente devido ao aumento do número de testes, que era restrito até o fim de abril. Foram mais de 2.500 novos casos no mês, cinco vezes mais do que se anotava até então, um número que, ainda assim, não revela o tamanho do problema, uma vez que os epidemiologistas são unânimes em considerar que existe uma enorme subnotificação da doença, e os casos reais podem ser até dez vezes maiores.


O número de mortes é mais próximo da realidade, embora a Fiocruz prefira estimar uma ocorrência maior do que aparece nos registros oficiais, tomando o registro de óbitos do período, pela mesma razão da falta de exames. Mas a diferença, neste caso, não seria tão expressiva como aparece na documentação dos casos da doença. No início do mês, Niterói registrava apenas 25 mortes. No domingo, último dia de maio, eram 115: 90 mortes no no mês de maio. Uma média de três por dia.


De acordo com os números fornecidos pela prefeitura em boletins diários, o pico da doença aconteceu em torno da Semana Santa. Do dia 10, sexta-feira, até o dia 20. Foram 40 mortes. O número dobrou, de 41 para 82. Neste período, até agora o pico da doença, o número de mortes variava entre quatro e seis por dia. O número começou a cair a partir do dia 21, quando a taxa de óbitos voltou a oscilar entre um, dois e três casos.


Provavelmente é esta queda que faz o prefeito ser otimista em relação ao combate à doença em Niterói. A cidade foi a primeira do estado a adotar o isolamento, contou com boa adesão da população, registrando taxas de isolamento acima de 50%, às vezes 60%. E o lockdown contribuiu para evitar o contágio num período crítico, quando a doença atingia o seu pico. Na comunicação feita pelo prefeito em suas redes sociais, Rodrigo Neves destacou o efeito positivo das medidas adotadas. Citou um estudo da UFRJ para dizer que as medidas adotadas evitaram um número muito maior de casos e de mortes. Mais de 12 mil casos e aproximadamente 1.500 óbitos por coronavírus foram evitados em Niterói, segundo o trabalho citado.


- No início da pandemia eu falava que nós tínhamos uma projeção de 10 mil a 15 mil infectados, caso nenhuma medida fosse tomada. Esses dados da UFRJ confirmam a projeção. Imagina se a população não tivesse perseverado no isolamento, se não tivéssemos ampliado os nossos leitos. Estaríamos vivendo, sem dúvida, a maior tragédia humanitária da cidade - disse o prefeito.


Evolução da Covid-19 em Niterói. Fonte: boletins da prefeitura


Dos 2.994 casos, 1.140 doentes estão em isolamento domiciliar, 110 estão hospitalizados em leitos públicos e privados, além de 1.625 pessoas já estarem recuperadas. O último boletim da Secretaria Estadual de Saúde, no entanto, afirma que Niterói tem 3.065 casos confirmados e 104 óbitos. Em nota, a Fundação Municipal de Saúde informou que solicitou a revisão dos dados ao Governo do Estado. Os números, aliás, têm sido um problema recorrente, desde que a prefeitura deixou de exibir o Painel Covid-19, que informava sobre a evolução da doença, a letalidade por faixas etárias e o avanço nos bairros. Outra fonte de informações, os mapas do GET-UFF contra Covid-19 também se tornaram questionáveis, uma vez que se basearam em dados da Secretaria Estadual de Saúde. Não há, no momento, nenhum estudo, gráfico ou curva com informações e interpretações da evolução da epidemia de acesso público.


O prefeito Rodrigo Neves confia na redução dos índices da doença e leu uma nota do Comitê Técnico Científico Consultivo de Niterói, criado para orientar ações do Plano de Transição Gradual para o Novo Normal. Com especialistas da UFF, UFRJ e Fiocruz, o comitê emitiu um parecer sobre a atual situação de Niterói. De acordo com o texto, há elementos que embasam a transição gradual.


- Niterói hoje apresenta os melhores indicadores de controle da pandemia na Região Metropolitana, além da atenção às vítimas de Covid-19 e de mitigação dos impactos sociais e econômicos da pandemia. Por isso, esse comitê científico entende que no caso de Niterói existem elementos seguros que embasam a construção do plano de transição gradual para o novo normal -, dizia o texto lido por Neves ao vivo.


Ainda no pronunciamento, o prefeito afirmou que a equipe está atenta aos dados registrados pela cidade e que, caso apresente um agravamento na curva de casos, há possibilidade de retorno ao isolamento restrito.


- Esse plano é muito cuidadoso. Se houver algum tipo de risco desse processo da pandemia sair do controle, nós não vamos ter nenhum problema em voltar à restrição total. Nossa prioridade é salvar vidas - finalizou, afirmando, sem entrar em detalhes, que menos de 60% dos leitos estão ocupados na rede pública municipal.


A confiança só não é maior porque, nos últimos dias, não é só o número de casos da doença que está crescendo, por força do maior número de testes realizados. O número de mortes que estava se estabilizando em torno de um caso ou dois por dia, até o dia 27, voltou a subir. Nesta data, havia 99 mortes. No dia seguinte, 102; no dia 29, 104, cinco a mais; dia 30, 111; e, no último dia do mês, 115, quatro novos falecimentos. Do dia 25 para o dia 31, o intervalo de uma semana, o número total subiu de 95 para 115 mortes. Estatisticamente, não é tão um crescimento tão intenso como o que se registrou no pico da doença na cidade em meados de maio. Mas não dá para ficar tranquilo com 20 mortes em uma semana. O boletim desta segunda, 01.06, não reduziu a preocupação. Foram, mais uma vez, quatro novas mortes. Cabe registrar que a notificação costuma ser menor nos fins de semana.


A prefeitura de Niterói divulgou ainda que mais 80 respiradores comprados da China chegaram à cidade na última sexta-feira (29). Sem informar em quais unidades serão alocados, o secretário de Saúde, Rodrigo Oliveira, ressaltou que os equipamentos vão ampliar a retaguarda hospitalar do município.


- Tivemos mais uma conquista com a chegada dos respiradores. Isso possibilita que a gente continue cumprindo o cronograma de ampliação da retaguarda hospitalar, mantendo a ampliação de leitos a frente da curva de casos e da necessidade de internação dos pacientes - disse o secretário, completando que Niterói não vive a situação de pré-colapso dos hospitais como outros municípios, mas que a pandemia ainda demanda atenção na cidade.


A partir de quarta-feira (3) começarão a funcionar dois pontos de testagem rápida para Covid-19 no modelo drive thru em Niterói. Com funcionamento diário, das 8h às 17h, equipes vão atender no Skate Parque Carlos Alberto Parizzi, em São Francisco, e na saída do Túnel Charitas-Cafubá, no Cafubá. Antes, será preciso baixar o aplicativo Dados do Bem e responder a um questionário. Caso os sintomas indiquem, o niteroiense poderá agendar a realização do teste sem sair do carro.

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