Niterói vai precisar de mais de 200 mil doses de vacina

Atualizado: há 3 dias

Campanha do Ministério da Saúde vai priorizar profissionais de Saúde e pessoas com mais de 60 anos, com duas doses da vacina



O Plano Nacional de Imunização desenhado pelo Ministério da Saúde define os grupos que devem receber a vacina com prioridade: profissionais de saúde, idosos acima de 70 anos, idosos de 60 a 70 anos, populações indígenas e ribeirinhas, pessoas com doenças crônicas ou deficiências, profissionais de educação, forças de segurança e prisioneiros. Considerando estes grupos, na cidade de Niterói, serão necessárias cerca de 100 mil doses para a primeira vacinação, e o mesmo número para a segunda dose.


Vacinação começa apenas para profissionais de Saúde


Os detalhes do plano ainda não são conhecidos, mas, provavelmente a vacinação começará apenas pelos profissionais de Saúde. Hoje, o Ministério da Saúde conta com 8 milhões de doses da vacina, somando os estoques importados da Coronavac, disponíveis no Instituto Butantan, em São Paul0, 6 milhões de doses, e da Astrazeneca/Oxford, compradas pela Fiocruz, no Rio, mais 2 milhões de doses, que chegam no sábado.


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Em entrevista nesta terça-feira (11), em Manaus, o Ministro da Saúde sustentou que a vacinação começará pelo Amazonas, fortemente castigado pela Covid. O governo pretende fazer um ação simbólica dia 19 ou 20 para deflagrar a campanha. O Secretário Executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, por sua vez, assegurou em Brasília que a vacinação começará ao mesmo tempo, em todo o pais. Segundo ele, assim que a Anvisa autorizar o uso das vacinas, provavelmente no fim de semana, o produto será distribuído para as capitais.


O secretário executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco


Nesta primeira etapa, a vacinação será restrita aos profissionais de saúde e às capitais. Niterói e outras cidades do Estado dependerão do planejamento da Secretaria Estadual de Saúde para receber a imunização.


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De acordo com o Conselho Federal de Medicina, o Brasil tem cerca de 500 mil médicos. Já o Conselho Federal de Enfermagem calcula que existem 2.390.364 profissionais no país, incluindo aí os auxiliares - técnicos em obstetrícia. Além disso, há uma série de profissionais especializados no atendimento de serviços de Saúde.


Diante destes números, apenas esta primeira lista de prioridades dos profissionais de Saúde demandará praticamente todo o estoque disponível no momento para as duas doses. O Ministério da Saúde considera até mesmo a possibilidade de vacinar primeiro profissionais de Saúde que atuem na linha de frente, casos não haja vacina suficiente, nesta etapa, ficando o restante do grupo para quando estiverem disponíveis as vacinas produzidas no Brasil.


A população de idosos


Embora Niterói apareça entre as cidades de médio porte, com população medida pelo último censo (2010) de 487.562 e hoje estimada em 515.317, a pirâmide etária concentra cerca de 20 % da população acima de 60 anos. São 42.605 pessoas entre 60 e 70 anos, de acordo com o último censo, e 40.931 acima de 70 anos. No total, 83.536, um número que atualizado estaria perto de 90 mil. É o maior grupo, em termos de número, entre as prioridades do Ministério da Saúde. Desta forma, somando-se os cerca de 90 mil idosos e os profissionais de Saúde, Niterói demandará cerca de 100 mil doses nesta etapa de prioridades.


As vacinas disponíveis, tanto a Coronavac quanto a AstraZeneca/Oxford exigem duas doses para a imunização. Provavelmente, o Ministério da Saúde ainda vai definir a forma da vacinação e pode aplicar a primeira dose para todos os grupos, para ampliar o número de pessoas imunizadas, adiando a segunda dose. Isto está sendo feito nos Estados Unidos, mas, apenas, porque o governo assegurou que haverá vacina disponível para a segunda dose, quando for a hora da aplicação. Para completar a imunização apenas de profissionais de saúde e idosos, sem considerar outros grupos, Niterói demandará um número estimado de 200 mil vacinas.


A Secretaria de Saúde de Niterói ainda não apresentou uma demanda para o Ministério da Saúde. No planejamento anterior, quando a cidade contava com o recebimento de 1,1 milhão de doses da Coronavac negociadas diretamente com o Instituto Butantã, o cronograma previa 300 mil doses para profissionais de Saúde e idosos de Niterói já no fim de janeiro, considerando as duas doses da imunização. Pelo acordo, que deixou de valer com a entrega de todas as vacinas ao Ministério da Saúde, Niterói receberia outras 300 mil doses no fim de fevereiro, para pessoas com comorbidades e profissionais de educação. Outras 500 mil seriam entregues até maio e destinadas ao restante da população. Já se sabe, porém, que este plano não será seguido.


Vacinação pode durar 16 meses


O Secretário Executivo do Ministério da Saúde não respondeu à maior parte das perguntas dos jornalistas. No estilo do chefe, que estabeleceu que a vacinação acontecerá no dia D, na hora H, Élcio Franco se limitou a repetir que as prioridades estão definidas no Plano Nacional de Imunização e a vacinação se dará de acordo com a disponibilidade de vacinas. E lembrou que o documento estabelece que o processo pode durar até 16 meses.


Além de profissionais de Saúde e idosos, há outros otros grupos prioritários na listagem do Ministério da Saúde, como o de profissionais da Educação, também um contingente relevante considerando que a rede municipal, as escolas privadas e a UFF, que fazem de Niterói uma das cidades com mais alto índice de escolarização do país.


No plano aparecem ainda outros grupos menores, como população indígena, ribeirinha, forças de segurança e população de presídios. E outros difíceis de estimar, como pessoas com comorbidades ou deficiência, que dependerão de comprovação médica.


Veja a lista de prioridade do Plano Nacional de Imunização


Trabalhadores de Saúde: Trabalhadores dos serviços de saúde são todos aqueles que atuam em espaços e estabelecimentos de assistência e vigilância à saúde, sejam eles hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios e outros locais. Desta maneira, compreende tanto os profissionais da saúde – como médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, biólogos, biomédicos, farmacêuticos, odontologistas, fonoaudiólogos, psicólogos, serviços socais, profissionais de educação física, médicos veterinários e seus respectivos técnicos e auxiliares – quanto os trabalhadores de apoio, como recepcionistas, seguranças, pessoal da limpeza, cozinheiros e auxiliares, motoristas de ambulâncias e outros, ou seja, aqueles que trabalham nos serviços de saúde, mas que não estão prestando serviços direto de assistência à saúde das pessoas. Inclui-se, ainda, aqueles profissionais que atuam em cuidados domiciliares como os cuidadores de idosos e doulas/parteiras, bem como funcionários do sistema funerário que tenham contato com cadáveres potencialmente contaminados. Para o planejamento da ação, torna-se oportuno a identificação dos serviços e o levantamento do quantitativo dos trabalhadores de saúde envolvidos na resposta pandêmica nos diferentes níveis de complexidade da rede de saúde. O envolvimento de associações profissionais, sociedades científicas, da direção dos serviços de saúde e dos gestores, na mobilização dos trabalhadores, poderão ser importantes suporte para os organizadores, seja para o levantamento, seja para definir a melhor forma de operacionalizar a vacinação. Nessa estratégia será solicitado documento que comprove a vinculação ativa do trabalhador com o serviço de saúde ou apresentação de declaração emitida pelo serviço de saúde. Pessoas de 80 anos e mais: Deverão receber a vacina COVID-19 em conformidade com as fases predefinidas. Será solicitado documento que comprove a idade.


Idosos: Pessoas de 75 a 79 anos; pessoas de 70 a 74 anos; pessoas de 65 a 69 anos; e pessoas de 60 a 64 anos. População indígena: Aldeado em terras demarcadas aldeada Indígenas aldeados com 18 anos ou mais atendidos pelo Subsistema de Atenção à Saúde Indígena. A vacinação será realizada em conformidade com a organização dos Distritos Sanitários Especiais Indígena (DSEI) nos diferentes municípios. Povos e comunidades tradicionais ribeirinhas e quilombolas: Povos habitando em comunidades tradicionais ribeirinhas ou quilombolas A vacinação deverá ser realizada por meio de estratégias específicas a serem planejadas no nível municipal. Grupo com comorbidades: Para indivíduos com comorbidades já descritas, de acordo com a faixa etária indicada pela Anvisa. (Diabetes mellitus; hipertensão arterial sistêmica grave (de difícil controle e/ou com lesão de órgão-alvo); doença pulmonar obstrutiva crônica; doença renal; doenças cardiovasculares e cerebrovasculares; indivíduos transplantados de órgão sólido; anemia falciforme; obesidade grave (IMC≥40). Indivíduos pertencentes a esses grupos serão pré-cadastrados no SIPNI, aqueles que não tiverem sido pré-cadastrados poderão apresentar qualquer comprovante que demonstre pertencer a um destes grupos de risco (exames, receitas, relatório médico, etc.) Adicionalmente poderão ser utilizados os cadastros já existentes dentro das Unidades de Saúde. Mantém-se a necessidade de prescrição médica especificando o motivo da indicação da vacina, que deverá ser apresentada no ato da vacinação. Trabalhadores da educação: Todos os professores e funcionários das escolas públicas e privadas. Nessa estratégia será solicitado documento que comprove a vinculação ativa do profissional com a escola ou apresentação de declaração emitida pela escola. Pessoas com deficiência permanente severa: Para fins de inclusão na população-alvo para vacinação, serão considerados indivíduos com deficiência permanente severa aqueles que apresentem uma ou mais das seguintes limitações: 1 - Limitação motora que cause grande dificuldade ou incapacidade para andar ou subir escadas. 2 - Indivíduos com grande dificuldade ou incapacidade de ouvir (se utiliza aparelho auditivo esta avaliação deverá ser feita em uso do aparelho). 3- Indivíduos com grande dificuldade ou incapacidade de enxergar (se utiliza óculos ou lentes de contato, esta avaliação deverá ser feita com o uso dos óculos ou lente). 4- Indivíduos com alguma deficiência intelectual permanente que limite as suas atividades habituais, como trabalhar, ir à escola, brincar, etc. Deficiência autodeclarada Forças de Segurança e Salvamento: Policiais federais, militares e civis; bombeiros militares e civis e, membros ativos das Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica). Nessa estratégia será solicitado documento que comprove a vinculação ativa com o serviço de forças de segurança e salvamento ou apresentação de declaração emitida pelo serviço em que atua. Sistema de privação de liberdade: Funcionários do sistema de privação de liberdade. Agente de custódia e demais funcionários. O planejamento e operacionalização da vacinação nos estabelecimentos penais deverão ser articulados com as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde e Secretarias Estaduais de Justiça (Secretarias Estaduais de Segurança Pública ou correlatos), conforme a Política População privada de liberdade: População acima de 18 anos em estabelecimentos de privação de liberdade

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