No meio da pandemia, um parto pouco comum: trigêmeos idênticos nascem em Niterói

Atualizado: Out 14

Gravidez trigemelar aconteceu no Hospital Icaraí, e Arthur, Bento e Benjamin passam bem


Raíza e João Gabriel acompanham os trigêmeos na maternidade


A maternidade do Hospital Icaraí tem vivido dias especiais, com três bebês nascidos no início do mês: Arthur, Bento, Benjamin são trigêmeos da mesma placenta, idênticos. Uma gravidez pouco comum, que mobilizou a equipe do hospital. Os pais, Raíza da Costa Mendes, 27 anos, e João Gabriel Santa de Araújo, 28, não saem de perto do berçário, depois do susto que levaram. Primeiro com a descoberta da gravidez, depois com o parto prematuro.


-Eu não esperava ficar grávida. Fiz um destes testes de farmácia, que indicou a gravidez. E logo no primeiro exame deu para ver que eram trigêmeos. Uma gravidez trigemelar não é muito comum. A gente se informou, acompanhou desde o início, e eu tive tudo o que podia ter, enjôo, diabetes, eclâmpsia… Esperava levar a gravidez até a trigésima-segunda semana. Mas aconteceu antes - conta Raíza.


Ela foi para o hospital em emergência. Estava sentindo dores. A coordenadora da Obstetrícia do Hospital, a médica Flávia do Vale, conta que Raíza chegou com queixa de dor, sentia um desconforto. "Estava com 29 a 30 semanas de gestação, o que equivale ao sétimo mês. Nos primeiros exames foi possível ver que ela estava com quase três centímetros de dilatação e havia risco do parto prematuro. Os exames revelaram ainda que um dos bebês estava entrando em sofrimento, o que apressou o parto.”


-É comum em gestações múltiplas a competição dos fetos. Um bebê tinha 1,2 kg, outro 1,3 kg e o menorzinho 850 gramas. Fizemos o parto, e foi um sucesso. Eles estão todos na UTI porque são muito pequenos, mas estão se desenvolvendo bem - disse a médica.


Raíza vê os filhos aliviada. “Numa gestação deste tipo você já sabe sabe que seus filhos não vão sair do hospital com você.” Durante a gravidez, correu riscos. “Tive que parar de trabalhar desde o começo, tive um sangramento muito forte e achei até que tinha perdido os bebês, mas meus guerreirinhos estavam lá”, sorri. Se pudesse, não saía do hospital para casa, em Itaboraí: “É claro que ninguém quer ver o filho na UTI. Mas eles estão bem, não precisaram ser entubados, estão ganhando peso, estão quase começando a sugar”.


João Gabriel e Raíza pesquisaram bastante na família para ver se existia algum caso semelhante - e só depois de algum tempo descobriram uma tia do pai dele que teve trigêmeos, duas vezes. Em plena pandemia, tiveram que conviver com as consultas médicas.


-A gente estava acostumado a vir ao hospital, porque viemos várias vezes, mas desta vez foi um susto… Caramba, o parto vai ser agora. Mas graças a Deus está tudo certo - respira, João Gabriel.


O pensamento dos dois, agora, é um só: “a gente vem cedo, acompanha os bebês, se puder a gente sai tarde, porque ficar com eles é a melhor coisa. Não vemos a hora de levar eles para casa, para todo mundo fazer bagunça.”




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