Saúde faz alerta: 'Jovens se aglomeram, idosos vão para UTI"

Especialistas em saúde pública advertem para eventos do fim de ano: o Brasil corre o risco de ter a segunda onda da doença e um janeiro triste



As festas de Natal e Ano Novo podem trazer, definitivamente uma segunda onda da Covid para o Rio e para o Brasil, diante do relaxamento das medidas de isolamento. A explosão de novos casos, a lotação dos hospitais, a fila de espera para atendimento em UTIs no Rio conferem cada vez mais gravidade ao alerta dos epidemiologistas. Já na semana passada, a pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcolmo advertia: "Teremos o janeiro mais triste da nossa História porque nós falhamos em trazer uma consciência cívica da gravidade do que estamos vivendo”.


O risco de uma segunda onda da Covid mobilizou a Assembleia Legislativa do Rio, nesta segunda-feira, 14. No encontro, a Secretaria de Saúde do Estado revelou que o Mapa de Risco da Covid no estado está manchado de Vermelho, na Região Metropolitana, incluindo Niterói, e Noroeste Fluminense. Outro dado preocupante foi apresentado pela UFRJ, O índice de transmissão da doença na Região Metropolitana está em 1,35, considerado "muito ruim". Isso significa que uma pessoa infectada contamina, em média, 1,35 de pessoas ao seu redor.


— A gente chegou a abaixar o R para 1,1, mas o índice piorou com aumento da mobilidade da população e, mais do que isso, pessoas não estão convencidas de que devem usar máscara, higienizar as mãos. Mesmo que distanciamento seja impossível, o que seria ideal, pessoas aglomeradas que fiquem de máscara. Não há porque retirar para falar ao telefone, por exemplo — afirmou a reitora da UFRJ, Denise Carvalho


O mais grave é que há um entendimento, hoje, de que a epidemia “mudou de lugar”: saiu das ruas e entrou nas casas, porque os jovens, acreditando serem invulneráveis, abandonaram o isolamento social e levaram o coronavírus para seus pais e avós.


Prefeitos dos municípios do estado cobraram uma ação mais efetiva do governo do estado, para que sinalize novas medidas de isolamento. A cobrança coube ao Prefeito de Piraí, Luiz Antônio da Silva Neves, do PDT, falando em nome da Associação de Municípios do estado:


- De novo, estamos lidando com a falta de governabilidade federativa. A União não tem se esforçado nesse sentido, e o estado também está com dificuldade de sinalizar. Há uma dicotomia absurda entre saúde e economia, mas nós precisamos, sim, que lugares de aglomeração não funcionem. Não é possível ter praias, bares, boates abertas. Não só no Rio como em diversas cidades. Temos assistido muito aos jovens se aglomerando, mas quem vai para UTI são idosos, então a solidariedade com a vida do outro é fundamental - afirmou.


Em Niterói, a Prefeitura editou decreto suspendendo todas as atividades do réveillon, dos shows à queima de fogos, realizados pela prefeitura, assim como festas e reuniões em clubes, casas de eventos, bares e restaurantes, para evitar aglomerações. Neste fim de semana, o Prefeito Rodrigo Neves determinou também que a árvore de Natal de São Francisco, que se tornou uma atração e reuniu uma multidão no sábado, vai apagar mais cedo.


-Muitas vezes as pessoas não atentam para a necessidade de cumprimento dos protocolos, então as lâmpadas dessa árvore serão apagadas às 20h30m para que a gente possa ver a árvore, mas sem aglomeração.







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