O caminho da Coronavac até a vacinação em Niterói

A vacina começou a ser fabricada no Instituto Butantan, em São Paulo, e estará disponível na cidade já em janeiro



A vacina contra a Covid comprada pela Prefeitura de Niterói, a Coronavac, já começou a ser produzida pelo Instituto Butantan, em São Paulo. O governo de São Paulo lidera a parceria com a biofarmacêutica chinesa Sinovac Life Science, que desenvolve a vacina, num acordo que prevê a importação do imunizante e também a fabricação no país. Niterói assegurou o recebimento de 1,1 milhão de doses, que começam a ser recebidas no final em janeiro. A campanha ainda será definida. Mas a julgar pelo modelo adotado em São Paulo, a vacinação deve atravessar todo o primeiro semestre, para a aplicação das duas doses necessárias, com prioridade para pessoas em grupos de risco.


Segundo o Prefeito Rodrigo Neves, a quantidade é suficiente para imunizar toda a população da cidade, que conta com 513 mil habitantes. Pelo cronograma proposto ao Butantan e assinado pelo diretor institucional do Instituto, Raul Machado, seriam 300 mil doses disponíveis no fim de janeiro para profissionais de saúde e idosos, outras 300 mil doses para o fim de fevereiro, distribuídas aos cidadãos com comorbidades e profissionais de educação, e outras 500 mil para o restante da população durante o primeiro semestre, até maio.


O Prefeito Rodrigo Neves na assinatura do acordo no Butantan

Esta semana, o Governador João Doria anunciou o início da produção da vacina do Instituto Butantan, ainda com insumos importados. A fábrica do Butantan ampliou seu quadro para trabalhar sete dias por semana, 24 horas por dia, para que a produção diária alcance a capacidade máxima de até um milhão de doses por dia.


Até janeiro, 40 milhões de doses da vacina deverão ser produzidos no local. A Coronavac tem composição semelhante a outros imunizantes produzidos pelo Butantan, o que facilita e agiliza o processo de envase. O governo de São Paulo vai oferecer parte da produção a outras cidades. Niterói teve prioridade na compra porque participou, desde o início, dos testes da vacina - foi a única cidade do estado do Rio a estabelecer esta parceria.


- Trata-se de um momento histórico. O Butantan mais uma vez sai na frente e começa a produzir no país uma vacina de vital importância para salvar milhões de vidas, colocando toda sua expertise e tecnologia acumulados em 120 anos a favor da saúde dos paulistas e brasileiros - afirmou Dimas Tadeu Covas, Diretor do Instituto Butantan.


Em novembro a revista científica Lancet, uma das mais importantes no mundo, publicou os resultados de segurança da Coronavac nas fases 1 e 2, realizados na China, com 744 voluntários. A publicação mostrou que a vacina é segura e tem capacidade de produzir resposta imune em 97% dos casos no prazo de até 28 dias após a aplicação. Mas os testes da fase 3, com seres humanos, em larga escala, ainda não foram completados.


O próximo desafio é o planejamento da vacinação. O cenário ainda é nebuloso. O governo de São Paulo anunciou um plano e marcou data para o início da campanha: 25 de janeiro. Mas a vacina ainda não tem o registro da Anvisa, e o Ministério da Saúde chegou a advertir que pode levar até 60 dias para autorizar, enquanto no Reino Unido e nos Estados Unidos os processos de validação foram abreviados para apenas três dias. Existe também um Plano Nacional de vacinação, definido pelo Ministério da Saúde, mas ainda sem datas - e, pior, sem vacina. Nos dois casos, o planejamento prevê um calendário de vacinação definido de acordo com o risco de contaminação a que a pessoa está exposta, começando por profissionais de saúde, idosos (77% das mortes provocadas pelo coronavírus até agora são de pessoas com mais de 60 anos) e pessoas com comorbidades.


O desafio logístico é enorme. Em São Paulo, por exemplo, o esquema de logística e segurança pública para o Plano Estadual de Imunização vai envolver 645 prefeituras, criar 10 mil postos de vacinação e mobilizar cerca de 79 mil profissionais, com 54 mil trabalhadores do setor de saúde. O estado propor normas especiais para vacinação em farmácias, quartéis da Polícia Militar, escolas, terminais de ônibus e postos volantes em sistema drive-thru. O objetivo é garantir a segurança da população e evitar aglomerações nos locais de imunização.


O cronograma estipula cinco etapas de vacinação a partir do início da campanha, de 25 de janeiro a 28 de março. Neste período, o governo de São Paulo estima que quase 20% dos 46 milhões de habitantes do estado estejam imunizados com duas doses da CoronaVac. Serão 18 milhões de doses, aplicadas em intervalo de 21 dias.


Dose 1 25/01 Profissionais da Saúde, indígenas e quilombolas 08/02 Pessoas com 75 anos ou mais 15/02 Pessoas com 70 a 74 anos 22/02 Pessoas com 65 a 69 anos 01/03 Pessoas com 60 a 64 anos

Dose 2 15/02 Profissionais da Saúde, indígenas e quilombolas 01/03 Pessoas com 75 anos ou mais 08/03 Pessoas com 70 a 74 anos 15/03 Pessoas com 65 a 69 anos 22/03 Pessoas com 60 a 64 anos


Além de todas as dificuldades da operação, outros problemas começam a aparecer, como, por exemplo, a compra de seringas. Não há produto suficiente para a aplicação da vacina numa campanha nacional.


Em Niterói, a Prefeitura conseguiu aprovação da Câmara Municipal para contratar a vacina, diante do impasse com o Governo Federal. O modelo vai replicar, com um ou outro ajuste, o planejamento de São Paulo. Por enquanto, a única definição é o que aparece no contrato: serão 300 mil doses disponíveis no fim de janeiro para profissionais de saúde e idosos, outras 300 mil doses para o fim de fevereiro, distribuídas aos cidadãos com comorbidades e profissionais de educação, e outras 500 mil para o restante da população durante o primeiro semestre, até maio.