Campanha sem o uso de máscara politiza o coronavírus em Niterói

Atualizado: Nov 15

Partido do Coronavírus: notícias falsas sobre a Covid para mobilizar o eleitor

Por Luiz Claudio Latgé


A campanha de Allan Lyra, do PTC, com Jordy: sem máscaras e contra medidas de isolamento


O coronavírus não tem partido. Não é preciso ser cientista para afirmar isto. Mas a questão da Covid foi fortemente politizada, no Brasil, desde que o presidente Jair Bolsonaro resolveu tratar a pandemia mundial como gripezinha e desdenhar das recomendações da Organização Mundial da Saúde. Um discurso que ele sustenta, capaz de torcer contra uma vacina, mesmo quando o país já registra mais de 160 mil mortes. A política local poderia passar longe disto, mas o Presidente fez seguidores.


O mais expressivo deles, em Niterói, o Deputado Federal Carlos Jordy, faz campanha para o conservador Allan Lyra, do PTC, sem máscara, como de costume. É a ele que, segundo assessores do governo, o Prefeito Rodrigo Neves se refere quando desmente boatos de que a Prefeitura só estaria esperando a eleição para anunciar um novo lockdown. A informação é falsa, e não é preciso recorrer ao Prefeito para desmentir; nenhum dado do monitoramento da Covid confirma o risco. O discurso bolsonarista é dirigido ao eleitor que critica o fechamento do comércio e teme seus efeitos na economia. Nesta sexta-fera, 13, durante a panfletagem, seus partidários gritavam em Icaraí: Vem lockdown aí!


O Deputado Federal Carlos Jordy, sexta-feira, em Icaraí



O delegado Deuler da Rocha, do PSL, partido pelo qual Bolsonaro se elegeu, é outro que nem sempre usa a máscara


A situação do combate à Covid em Niterói tem sido acompanhada por um Comitê Científico. As informações estão disponíveis em diversos endereços. Pode haver alguma discrepância de dados, especialmente entre os informes diários do Prefeito Rodrigo Neves e os dados usados na planilha de monitoramento, que, no momento, põe Niterói no estágio de Alerta Máximo, o Amarelo-2. Segundo os boletins, não há mais de 90 pessoas internadas. Na planilha, são mais de 240, em leitos e UTIs nas redes pública e privada. A Secretaria de Saúde não explica a diferença dos dados. Mas os epidemiologistas que acompanham a situação da cidade sustentam que não há uma crise de credibilidade.


E os dados disponíveis mostram que a situação em Niterói está mais controlada que em outras cidades da Região Metropolitana, o Rio de Janeiro especialmente. Os números de casos e mortes estão estáveis há pelo menos dois meses, embora num patamar considerado muito alto. Mas a ocupação de leitos e UTIs ainda está em torno de 30%, quando no Rio, por exemplo, beira 80%.


Niterói está mais perto de controlar a Covid do que ver um agravamento da doença. Pode passar ao estágio Amarelo-1, se conseguir reduzir o número de novos casos e internações, ainda num platô perigoso. Seria o estágio mais perto do Verde, que só deve acontecer depois de uma vacina. Não há sinal, portanto, de um risco iminente de descontrole, com a necessidade de novas medidas de isolamento - muito menos lockdown. A propaganda mentirosa tem levado o Prefeito a assegurar que não fará isto até o fim do seu mandato.


A situação da Covid é sempre um risco, enquanto a circulação do coronavírus permanece alta. E as notícias dos Estados Unidos e da Europa mostram que o perigo de uma segunda onda da doença existe. E o Brasil não estará livre dele, depois que as cidades autorizaram a retomada de uma série de atividades, do comércio ao lazer e das ruas lotadas, como vemos nos últimos dias, inclusive em Niterói. Mas, no momento, não estamos perto deste risco. Quando a cidade decretou o lockdown, chegou a ter 4 mil casos no mês e quase a metade dos mortos registrados até aqui, como se pode ver nos gráficos baseados nos boletins diários da Prefeitura.


Gráfico mostra a evolução do número de casos, segundo boletins diários da Prefeitura

Gráfico mostra a evolução do número de mortes, segundo boletins diários da Prefeitura


A melhor política para o combate ao coronavírus continua sendo a ciência e a informação. As fake news só atrapalham. Tem o mesmo efeito que a cloroquina e o vermífugo Anitta. Não deveriam eleger ninguém. Isso já sabemos desde as eleições de 2018.





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