O que se sabe até agora sobre a vacinação contra Covid em Niterói

Atualizado: há 6 dias

Vacina deve começar a ser aplicada até o fim de janeiro, mas vai depender do Plano Nacional de Imunização (PNI) do Governo federal


Embora com atraso, a hora da vacina está chegando


Niterói pode começar a vacinar profissionais de saúde e idosos no fim de janeiro. Mas o protocolo de intenções assinado em 2020 com o Instituto Butantan não garante que a cidade terá 1,1 milhão de doses para imunizar toda a sua população, como pretendia, nem que poderá fazer a vacinação à revelia dos Governos Federal e Estadual. As vacinas não estão compradas pela Prefeitura: o que foi assinado é um memorando de intenção de compra. E o Butantan deverá ter de fornecer todo o estoque que tem ao Ministério da Saúde para que este, então, distribua as doses para os estados dentro do PNI, obedecendo a critérios demográficos.


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Niterói tem prerrogativas por participar do teste da fase 3?


Niterói, assim como São Paulo e outros municípios brasileiros, participou da fase 3 dos testes da Coronavac, desenvolvida pelo Butantan em parceria com a chinesa Sinovac. Mas o fato de ter testado a vacina em voluntários não dá a esses municípios a prerrogativa de ter a vacina na frente de outras cidades ou estados. Pelo PNI, todos receberão as vacinas, proporcionalmente ao tamanho de sua população, ao mesmo tempo.


O memorando de intenções garante vacina para Niterói?

Segundo o Ministério da Saúde e o Butantan, não. Como Niterói, outros municípios também tentaram garantir suas doses antecipadamente, mas o governo federal incorporou todas os imunizantes do Coronavac ao Programa Nacional de Imunização (PNI), que vai fixar o calendário de distribuição das vacinas em todo o país.


Quantas doses de vacina contra Covid já estão no Brasil?


Não mais de 8 milhões de doses por enquanto. O Diretor do Butantan, Dimas Covas, disse neste fim de semana que o instituto tem 6 milhões de doses prontas. Outros 2 milhões deverão chegar prontas na Fiocruz, que desenvolve uma vacina junto com Oxford/Astrazeneca. Somando as duas vacinas, portanto, o Brasil deverá ter 8 milhões de doses para iniciar a campanha de vacinação em janeiro. O que é o começo, mas ainda muito pouco para um país de mais de 200 milhões de habitantes. Importante lembrar que todas as vacinas em produção no mundo contra a Covid-19 são administradas em duas doses, com intervalo de três semanas a um mês entre uma dose e outra.


A Anvisa já liberou o uso emergencial das vacinas?

Até esta segunda-feira, 11 de janeiro, não. A Anvisa já recebeu os pedidos tanto do Butantan como da Fiocruz, mas solicitou mais documentos e ainda não deu a liberação para uso.


Como será a logística para a vacinação no país?


Também nessa questão o Brasil está bem atrasado. Segundo o Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, ainda haverá uma reunião com estados e municípios, nos próximos dias, para detalhamento da logística de distribuição e do calendário da campanha de vacinação. A boa notícia é que o PNI já funciona há anos no Brasil para outras vacinas, e as redes estaduais e municipais, coordenadas pelo Ministério da Saúde, têm pessoal e experiência nesse tipo de logística.


Já há datas marcadas para o início da vacinação no Brasil?


Não. Não há uma data certa por enquanto. O Ministério da Saúde trabalha com três possibilidades. Na melhor hipótese, 20 de janeiro, com o uso das vacinas do Butantan e as doses da vacina da Astrazeneca importadas da Índia para a Fiocruz. Numa hipótese não tão otimista: de 20 janeiro a 10 de fevereiro, já com vacinas produzidas no Brasil pelo Butantan e pela Fiocruz. E, na pior previsão, a vacinação começaria de 10 de fevereiro até o início de março.


As vacinas encomendadas

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil tem 354 milhões de doses asseguradas para aplicação em 2021. São elas: Fiocruz/AstraZeneca e Butantan/Sinovac. O total inclui também as doses do consórcio Covax Facility, iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) com 10 laboratórios para o acesso igualitário de vacinas conta a Covid-19 – a aliança prevê 42,5 milhões de doses para a população brasileira.

O Ministério da Saúde informou que também está em processo de negociação com os laboratórios Janssen, Pfizer e Moderna, dos Estados Unidos; Barat Biotech, da Índia; e União Química, produtor da vacina russa Sputinik V.


Seringas e agulhas


O Brasil já dispõe de cerca de 80 milhões de seringas e agulhas nos estados e municípios. O número é suficiente para iniciar a vacinação ainda em janeiro. A Organização Panamericana de Saúde garantiu reforço de 8 milhões de seringas e agulhas para final de janeiro até início de fevereiro - no total, serão 40 milhões de unidades. Outras 30 milhões já requisitadas pelo Ministério da Saúde à Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos.


Onde será a vacinação em Niterói?


Mesmo tendo de vacinar dentro do PNI, isso não muda. Niterói vai usar sua estrutura de saúde para a vacinação: 54 salas de vacina nas unidades do Programa Médico de Família (PMF), policlínicas e unidades básicas de saúde, além de uma unidade de vacinação no modelo de drive thru. Segundo a Prefeitura, a vacinação também poderá ser agendada através do aplicativo Dados do Bem, já utilizado pelo município para a marcação de testes rápidos de Covid-19 pelo sistema de drive thru. Apesar de a Prefeitura de Niterói afirmar que poderá iniciar no fim de janeiro, vai depender do PNI do Governo federal.


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