O risco da Covid-19 também nos transportes públicos

Sindicato diz que 11 motoristas e despachantes de ônibus de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí já morreram de coronavírus


Por Carolina Ribeiro


Passageiros esperam ônibus em ponto na Praia de Icaraí. Foto: Gustavo Stephan


Pelo menos 11 trabalhadores rodoviários morreram vítimas do coronavírus até esta terça-feira (26), informou o Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac). Entre motoristas e despachantes, todos trabalhavam e moravam nas cidades de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. Por causa da gravidade da pandemia, a entidade iniciou uma ação de fiscalização em terminais e pontos finais de ônibus para reforçar e garantir aos profissionais o uso dos equipamentos de proteção como máscara e álcool em gel.


O Sintronac informou ainda que vai comunicar às autoridades de segurança os casos em que passageiros não estejam utilizando máscaras. No início do mês, o sindicato já havia cobrado das autoridades municipais que fiscalizassem os passageiros, uma vez que motoristas e cobradores estavam sendo ameaçados ao solicitar o uso de máscara nos coletivos.


Outro pedido era sobre a sanitização e higienização constante dos veículos. No início deste mês, o Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Setrerj) divulgou que a limpeza dos coletivos estava sendo realizada nos terminais de ônibus, garagens e nos pontos de maior movimentação.


Em Niterói, o uso da máscara em vias públicas ou em locais compartilhados como lojas e transporte público é obrigatório sob pena de multa administrativa. Quem for advertido pelos guardas municipais pode ter que desembolsar R$ 180.


No sinal laranja, atual estágio do município no Plano de Transição Gradual para o Novo Normal, transporte coletivo de passageiros está autorizado a rodar com 50% dos assentos ocupados.


Primeira a registrar morte por Covid-19 no Estado do Rio, Niterói chegou a 95 óbitos até segunda-feira (25), num total de 1.688 casos confirmados de coronavírus. Em São Gonçalo, já são 1.096 casos confirmados e 142 óbitos. A cidade registra ainda a suspeita de mais 6.634 casos e 26 mortes. Já em Itaboraí, são 1.073 casos confirmados e 73 óbitos, enquanto Maricá tem 287 doentes confirmados, outros 328 suspeitos e 31 mortes.


Linhas suspensas


De acordo com o Sintronac, mais de 2 mil trabalhadores do setor de transporte rodoviário foram demitidos apenas em maio, além da falta de pagamento de salário. Ainda conforme o sindicato, até o momento, foram 1,2 mil demitidos só na Viação 1001, que teve suas operações interestaduais e intermunicipais suspensas no Rio por causa da restrição de circulação, e outras como a Coesa e a Rio Ita já ameaçam com demissões e encerramento de linhas intermunicipais. Para a entidade, o setor de transporte rodoviário corre o risco de um colapso econômico.


Em Niterói, a Viação Ingá teria suspendido as operações de pelo menos uma linha municipal, a 43 (Fonseca-Centro). Já a Brasília, que possui seis linhas, segundo o Sintronac, não efetuou o pagamento dos funcionários de março.


Em nota, o Sintronac lamentou que “o setor considerado essencial para a sociedade, como o de transporte rodoviário de passageiros, seja esquecido pelo poder público diante de um quadro econômico tão grave como este provocado pela pandemia, quando outras áreas recebem apoio emergencial e outros benefícios”. Além disso, a entidade ressaltou que um possível colapso total do sistema já havia sido avisado em março aos governos municipais, estaduais e federais. Até abril, o setor empregava mais de 18 mil profissionais só na área de atuação do Sintronac.

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