Obras do Parque Orla Piratininga vão entrar em nova fase

Atualizado: Jan 27

Projeto contempla a construção de 17 praças e píeres, além de ecomuseu, tem obras licitadas, mas deixa preocupações ambientais


Por Livia Figueiredo

Projeto da Praça 14, que contempla espaços para práticas de atividades esportivas / Foto: Divulgação


O projeto de criação do Parque Orla Piratininga vai entrar em nova fase de execução. A Prefeitura publicou no Diário Oficial a contratação de uma empresa, por mais de R$ 37 milhões, para dar prosseguimento às obras. O parque faz parte do Programa Região Oceânica Sustentável e conta com Financiamento da Corporação Andina de Fomento (CAF), dentro do contrato de empréstimo entre a Prefeitura de Niterói e a CAF.


De acordo com a Prefeitura de Niterói, a nova fase vai começar assim que for concluída a primeira parte do projeto, prevista para ser entregue no mês que vem. A primeira etapa consistia na infraestrutura verde e na revegetação da área. Em seguida, a empresa vencedora da licitação dará início à implementação de urbanização e edificações do parque. As obras têm prazo de conclusão de 18 meses.


Projeto da Praça 6 /Foto: Divulgação


O projeto prevê a construção de 17 praças e píeres voltados para pesca e contemplação. Além de áreas infantis e espaços para práticas de atividades esportivas e academia, foi proposta também a edificação de três mirantes. Serão construídas praças com sanitários, uma próxima ao Canal do Camboatá (Praça 6) e outra na Ilha do Tibau, além do EcoMuseu, situado às margens da Lagoa de Piratininga, na área do antigo Iate Clube Piratininga, com acessos pela ciclovia do Parque Orla e pela Avenida Celso Kelly. No local, haverá bicicletário, guarda caiaques, sanitários, salas administrativas e um restaurante.


O projeto abrange 10,6 km de extensão ao longo da margem da Lagoa e se estende a algumas ruas transversais de importância para o Parque, como acessos principais e canais abastecedores da Lagoa. A Prefeitura também prevê um plano viário que conecta as praças e interliga o Parque com a urbanização atual, priorizando a circulação de bicicletas e passeio para pedestres por toda a extensão da margem.


De acordo com a Prefeitura de Niterói, o EcoMuseu tem como objetivo proporcionar um espaço para a contemplação da Lagoa e exposição da sua história, transformações e da biodiversidade local. O espaço abrigará exposições fixas e temporárias. O projeto de arquitetura teve uma abordagem ecologicamente correta, privilegiando iluminação e ventilação naturais e o uso de materiais sustentáveis.


A Lagoa de Piratininga fica localizada na Região Oceânica de Niterói e possui três ilhas: a do Pontal (ao Norte), a do Modesto (ao Leste) e a da Tibau (ao Oeste). O Parque ocupará justamente a área entre a Ciclovia e o espelho d’água da Lagoa. O objetivo é criar um ambiente que priorize e aproxime o público à natureza, ainda que inserido em um contexto urbano.


Moradores se manifestam


Morador do entorno da Lagoa de Piratininga, Paulo Oberlander diz que já vem observando há muitos anos o abandono do local. Ele diz que desde que a obra começou, no início do ano, é notável a degradação ambiental em diversos níveis, como a destruição de ninhos de pássaros, os tratores que destroem a taboa, que os frangos-d’água utilizam para se procriar.


- Acho que essas escavações representam uma destruição imensa à natureza. Ao mexer no entorno da Lagoa, eles estão dizimando várias vidas, porque o trator vai passar por cima de tudo. Todos os filhotes que vivem dentro da vegetação vão morrer e terão que abandonar seus ninhos. Eu acho que há outros meios de resolver o problema de esgoto da Lagoa, além da dragagem e o manilhamento em torno dela – ressalta Paulo.


E completa: Hoje a Lagoa de Piratininga se encontra em um estado de completo abandono pela Prefeitura de Niterói. Ela já não possui oxigenação nenhuma. Assim, como a desobstrução do Túnel do Tibau, que também teve sua obra iniciada no começo do ano, mas parte de sua estrutura desabou quando não estava ainda nem com tudo pronto, dificultando a oxigenação da Lagoa de Piratininga.


Já a moradora de Piratininga, que preferiu não se identificar, diz que o projeto poderá proporcionar mais turismo para o local. Ela acrescenta que a obra não irá provocar danos ambientais, uma vez que um dos engenheiros responsáveis pelo projeto é um grande defensor do meio ambiente, além de ser bem consciente quanto a essas questões.


- Não vi nenhuma manifestação contra. Aqui em Piratininga qualquer coisa que se faça perto da Lagoa tem logo uma movimentação, repercute em jornal, mas nada foi feito nesse sentido até o momento - concluiu.

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