Obras inacabadas, cabine de segurança vazia e casas abandonadas, na Alameda

Atualizado: Fev 1

Moradores do Fonseca se queixam de constantes problemas na principal via do bairro


Por Gabriel Gontijo

Concreto no asfalto impede passageiros de pegarem ônibus em ponto em frente ao Horto do Fonseca, na Alameda São Boaventura. Foto: Rodrigo Rebechi


Principal via do Fonseca, na Zona Norte de Niterói, a Alameda São Boaventura aparece com frequência nas reclamações dos moradores do Fonseca. Ali é possível encontrar um pouco de todos os problemas do bairro: trânsito, sujeira, obras, comércio de rua, falta de segurança. Um dos problemas se encontra no ponto de ônibus em frente ao Horto, que está com a baia destinada aos veículos cheia de concreto na pista. Além disso, há um buraco na calçada a poucos metros de onde se encontra o material de obras inutilizado. Para evitar acidentes, foi feito um isolamento com cordas de plástico presas apenas por duas barras de madeira e amarradas ao corrimão que separa a calçada da rua.


Morador do bairro, o DJ Rodrigo Rebechi reclama do ponto de ônibus em frente ao Horto, que está com a baia destinada aos veículos cheia de concreto na pista. Além disso, há um buraco na calçada a poucos metros de onde se encontra o material de obras inutilizado. Para evitar acidentes, foi feito um isolamento com cordas de plástico presas apenas por duas barras de madeira e amarradas ao corrimão que separa a calçada da rua. Segundo ele, a situação já dura mais de um mês e nunca encontrou nenhuma pessoa trabalhando no local. Ele também se queixa que isso prejudica o morador que precisa pegar o ônibus nesse ponto e é obrigado a andar um pedaço maior para acessar à condução


- Nesse calor de rachar a cabeça, de tão quente que está, quem precisa pegar o 49 ou o 22 tem que andar muito para conseguir acessar o ônibus. E se for alguém que tenha que ir ao Rio, a situação é pior, pois não são todos os veículos intermunicipais que param em cada ponto. O espaço de parada nesses casos é maior. Quem precisa de condução, principalmente se for gente com mais idade, se prejudica demais - desabafou Rebechi.

Ambulante em tenda ao lado de cabine da Guarda Municipal. Foto: Rodrigo Rebechi


O Fonseca está na mira da Prefeitura. O governo anunciou ainda na gestão do Prefeito Rodrigos, na campanha e depois da posse de Axel Grael, que prepara um grade projeto de reurbanização da Alameda, no modelo da obra feita na Marquês do Paraná, um treho bem menor que a principal avenida da Zona Norte.


Um outro problema que mobiliza os morados é a segurança. Na esquina da Alameda com a Rua São Januário há uma cabine vazia da Guarda Municipal. Um ambulante montou uma tenda no local e começou a vender roupas de praia. Além disso, colocou um cartaz colado à cabine anunciando biquínis de diferentes tamanhos. Ou seja, o que deveria ser coibido pela Guarda Municipal acontece ao lado de onde deveriam estar presentes os agentes da instituição.


Procurada, a Prefeitura respondeu, através da Secretaria de Conservação (Seconser) e da Secretaria Municipal de Obras, "que parte da calçada da baia do Horto do Fonseca se desprendeu devido à forte chuva que atingiu a cidade, em dezembro de 2020 e, no momento, está sendo feito laudo de diagnóstico da área atingida. Em seguida, será realizada a obra de recuperação do local".


Já a respeito da cabine vazia, não houve resposta.


Casas vazias e medo da violência


Em outro ponto da via, próximo da Rua João Brasil, o cenário mostra o reflexo do que se tornou o local, um abandono completo de inúmeras casas vazias com placas de "Vende-se" ou "Aluga-se". Um dos motivos para o abandono dos imóveis é a falta de segurança.


Nascida e criada próximo ao Getulinho, a educadora Roberta Pereira tinha planos de morar junto do marido, o contador Kléber Duarte, em algum apartamento na Alameda. Mas os constantes tiroteios mudaram os planos do casal e eles optaram em comprar um imóvel em Itaipuaçu, em Maricá.


- Assim que nós casamos, há mais de dez anos, a gente planejava comprar um apartamento na Alameda pelo fato de ser uma via onde passa ônibus para vários lugares, ter muitos supermercados e um comércio variado. Mas a barra já estava bem pesada naquela época e a gente percebeu que não seria uma boa escolha. Por isso, resolvemos ir para Itaipuaçu, pois queríamos um lugar mais tranquilo - conta Roberta.


Outro exemplo de como a questão da violência contribuiu para o esvaziamento do bairro foi o relato de uma pessoa que saiu do Fonseca por causa das ordens dos traficantes das favelas próximas à Alameda. Pedindo para não se identificar, ele conta que tinha um apartamento perto do Morro da Palmeira e que os bandidos da área proibiram os moradores de aparecerem nas janelas. Só que o pai do ex-morador, por ter Alzheimer, "desobedecia" mais de uma vez o que fora imposto pela bandidagem. Com o receio de vê-lo baleado, só restou a ele sair do local. E até hoje não conseguiu alugar o apartamento.


- A área da Palmeira tá violentíssima de uns anos pra cá e uma das ordens dos bandidos do morro era que ninguém aparecesse nas janelas. Meu pai, por ter Alzheimer, já apareceu mais de uma vez. Com medo de vê-lo atingido por um tiro, arranjei um outro lugar e me mudei com ele e minha mãe. Há algum tempo que venho tentando alugar meu apartamento, mas desde que saí não consegui ninguém que tivesse interesse. E outras pessoas que moram na região também passam por isso - conta o rapaz que morava na Rua São Januário.


As guerras de facções do tráfico pelo controle da venda de drogas tornaram-se mais frequentes desde 2015. E em 2018, a delegacia do Fonseca (78ª DP) era o local com o maior índice de letalidade violenta, roubos de rua e roubos de veículo de toda a cidade. Com o intuito de coibir o aumento da violência, o bairro foi o primeiro do município que foi atendido pelo programa Niterói Presente, criado pela Prefeitura.


Por causa das medidas restritivas criadas para impedir o avanço do novo Coronavírus, os índices de criminalidade apresentaram redução considerável, sendo a delegacia do Fonseca a que apresentou as maiores quedas das taxas de letalidade violenta e roubo de rua. Apesar disso, muitos moradores se sentem inseguros e não houve aumento na procura de imóveis do bairro, mesmo com os índices de segurança sendo positivos.