Tudo pronto para o lançamento do Mercado Municipal de Niterói

O projeto será apresentado dia 13, com definição dos espaços e preços das lojas


Por Carolina Ribeiro


Prédio histórico de 1930 está sendo revitalizado. Foto: Divulgação


A construção de arquitetura eclética com traços de art decó e neoclássica chama atenção no fim da Avenida Feliciano Sodré, no Centro de Niterói. Se antes o cenário era de abandono, hoje é de obras a todo vapor. A expectativa é que o novo Mercado Municipal, instalado no mesmo prédio histórico, se torne uma nova área de lazer e negócios para a cidade e também de turismo no Estado do Rio. O novo empreendimento será inaugurado em novembro, no aniversário de Niterói. Um evento on-line, marcado para o próximo dia 13, vai apresentar todas as possibilidades de negócio para o espaço de 180 lojas e restaurantes.


Construído em uma área central menos movimentada, o prédio abrigou o Mercado Municipal de Niterói entre 1930 e 1976, mas foi abandonado depois de virar depósito do Governo do Estado. Agora, a época de abandono se foi, dando lugar a uma grande reforma, aguardada por ansiedade por investidores de Niterói e de outras cidades.


- Será um evento público on-line para apresentar o formato de venda dos estandes, valores e como procurar a organização para fazer parte do projeto - antecipa a Secretária de Fazenda, Giovanna Victer.


As particularidades da locação das lojas estão sendo guardadas a sete chaves pelo grupo de empresários que ganhou a concessão do mercado, a Nacional Shopping. A apresentação, para empresários e população, vai acontecer no Solar do Jambeiro, no Ingá, no dia 13, às 11h, com transmissão ao vivo pela internet.


O projeto se divide em duas fases, a primeira é a reforma do prédio principal, que manteve a fachada art déco do prédio, e será inaugurada dia 22 de novembro. No térreo, o mercado contará com delicatessens, restaurantes, quiosques de flores, de artesanato e alimentos, entre outros produtos. No mezanino ficarão restaurantes e, no entorno, jardins, um biergarten, onde poderão ser apreciadas cervejas artesanais, e outros restaurantes. Na segunda fase, o entorno do mercado será reformado. Serão construídas uma nova praça e um centro cultural e edifício garagem com 300 vagas. O prédio contará com reaproveitamento de água de chuva e telhado verde, entre outras medidas de sustentabilidade.


Na assinatura do contrato, em maio de 2018, A representante do consórcio e sócia diretora do Nacional Shopping, Sofia Avny, anunciou os planos para o Mercado. “Sou apaixonada pelos mercados municipais e tenho mais de 30 anos no mercado de shoppings. Temos que preservar a estrutura do espaço que tem uma localização boa, na Região Portuária de Niterói, e temos tudo para ser polo turístico com gastronomia, arte, cultura e lazer”, frisou.


O Prefeito Rodrigo Neves e a diretora da Nacional Shopping, Sofia Avny, de cachecol, na assinatura do contrato do mercado, em maior de 2018


A curiosidade para saber como o lugar vai funcionar é altíssima. Prefeitura e empresários da cidade esperam que o novo Mercado Municipal seja um vetor de desenvolvimento para a região. Acreditam que será um atrativo para que novos negócios ocupem uma área da cidade antes abandonada.


- Será uma revitalização da região, com reurbanização em todo o entorno, melhorando questões como a drenagem das ruas e o acesso ao mercado. É um lugar extremamente bem localizado, do lado da Ponte Rio-Niterói e da RJ-104 - diz Victer.


E os olhos estão mesmo voltados para lá. Diversos empresários da gastronomia já estão ansiosos por um espaço para seus restaurantes. Mas a procura não é só na área interna: empreendimentos imobiliários já começam a ser desenhados para ocupar as ruas do entorno.


- É assim que o governo local faz política de desenvolvimento. Criamos vetores de revitalização de regiões onde não havia potencialidade de receita, de ocupação de habitação, de lazer. Assim, criamos o foco, como estamos fazendo com o Mercado Municipal, e isso vai irradiar desenvolvimento - adianta a Secretária, citando outros exemplos de vetores como o Reserva Cultural, o Parque Orla (ainda em desenvolvimento para Piratininga) e a revitalização dos hortos do Fonseca, do Barreto e de Itaipu.


O Prefeito Rodrigo Neves visitou as obras esta semana ao lado da Secretária Giovanna Victer e do Secretário de Urbanismo e Desenvolvimento, Renato Barandier. Foto: Divulgação


O mercado, que tem inspiração em mercados dos Estados Unidos e da Europa, como o Chelsea Market, de Nova York, e o Mercado da Ribeira, de Lisboa. Será semelhante a um mercado do produtor, mas valorizando a produção local, com artigos orgânicos, com espaço para floriculturas e frutas, produtos que mobilizam também a Região Serrana e o Leste Fluminense.


- Quando a gente mapeia a Região Metropolitana, Niterói é uma centralidade. Não só para o comércio, mas serviços também. É uma centralidade econômica e afetiva - comenta Victer, enfatizando que esta é uma característica antiga.


- Niterói, quando era capital, atraiu muitas famílias do interior. É muito comum que todos de uma rua ou de uma vila sejam de cidades como Guapimirim, Itaperuna. Se mudaram na mesma época e foram morar próximo. Niterói tem um diálogo muito forte com o interior, muitos filhos vêm estudar na cidade, ainda há um sentimento de capital do estado - analisa.


- Quem quiser comer um folhado que só tem em Petrópolis, um mel que é de Nova Friburgo... E até quem está viajando pelo Rio, quer conhecer mais o Estado, mas não tem tempo de viajar pelas cidades, vem pro Mercado... - espera.


Mas os empresários de Niterói também terão vez nesse negócio. Victer diz que a equipe do Polo Cervejeiro de Niterói está em contato direto com os operadores do mercado para auxiliarem na infraestrutura necessária para a Vila Cervejeira. Será o espaço para as cervejas artesanais da cidade.


O novo Mercado Municipal visa a ser um representante dos produtos de todo o Estado, mas com a cara de Niterói.privilegiar o que é daqui, o nosso setor, que é tão tradicional. Já temos uma gastronomia que extrapolou o Rio de Janeiro, as pessoas procuram a cidade por causa de determinados restaurantes - aponta.


Prédios do entorno foram desapropriados e demolidos para ampliar a área da construção do Mercado Municipal. Foto: Divulgação


A ideia de revitalizar o espaço começou a sair do papel ainda entre 2016 e 2017, quando a cidade ainda estava com um orçamento apertado, antes dos royalties. A Prefeitura, então, municipalizou o mercado e lançou uma PPP (Parceria Público Privada) para a obra. A primeira fase da intervenção já foi finalizada.


- Criamos a parceria em que o setor privado recupera o prédio e tem o direito de fazer a gestão. Existe um valor que a concessionária tem que repassar para o município depois de começar a operar, mas o valor principal [para querer reformar] nunca foi este recurso. Mas, sim, gerar empregos, dar mais visibilidade aos empresários da cidade, revitalizar a região para criar vetores de desenvolvimento urbano e renovar essa visão afetiva de Niterói como centralidade - finalizou Victer.


A previsão é de entregar o prédio principal em setembro para em novembro estar tudo pronto para a inauguração. O trabalho de reforma é meticuloso e feito com cuidado para manter todas as características da arquitetura do lugar, parte do conjunto arquitetônico da região portuária de Niterói.


Um prédio anexo, em estrutura metálica, será construído ao lado do edifício histórico. Lá será a parte das floriculturas e da praça para a realização de eventos. Um grande estacionamento também será construído no lugar do antigo galpão do Ceasa que foi demolido em dezembro.



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