Pandemia pode continuar crítica em abril, com colapso dos hospitais

Alerta foi feito pela Fiocruz, que defende a continuidade das medidas restritivas contra a Covid

O colapso da rede hospitalar preocupa pesquisadores


O pesadelo vai continuar. Boletim extraordinário da Fiocruz divulgado nesta terça-feira (6) alerta que a pandemia de Covid-19 pode permanecer em níveis críticos ao longo do mês de abril, prolongando a crise sanitária e o colapso nos serviços e sistemas de saúde nos estados e municípios.


Leia mais: Niterói tem mais de 87% dos leitos públicos e privados para Covid ocupados


A Fiocruz verificou que o coronavírus e suas variantes "permanecem em circulação intensa em todo o país" e que a sobrecarga dos hospitais, observada pela ocupação de leitos de UTI, também se mantém alta.


“Ao longo da última Semana Epidemiológica 13, houve uma aceleração da transmissão de Covid-19 no Brasil. Devido ao acúmulo de casos, diversos deles graves, advindos da exposição ao vírus ainda no mês de março, o vírus permanece em circulação intensa em todo o país”, explicam os pesquisadores da Fiocruz no boletim.


Pelo estudo, foi observado ainda um novo aumento da taxa de letalidade, de 3,3 para 4,2%. Este indicador se encontrava em torno de 2,0% no final de 2020. Os pesquisadores alertam que esse crescimento pode ser consequência da falta de capacidade de se diagnosticar, correta e oportunamente, os casos graves, somado à sobrecarga dos hospitais.


Os pesquisadores do instituto defendem que é fundamental a adoção ou a continuidade de medidas urgentes, como ocorre em Niterói até domingo (11), para conter as taxas de transmissão e o crescimento de casos através de medidas bloqueio ou lockdown, seguidas das de mitigação, com o objetivo reduzir a velocidade da propagação.


A análise aponta para a necessidade de maior rigor nas medidas de restrição das atividades não essenciais para todos os estados, capitais e regiões de saúde que tenham uma taxa ocupação de leitos acima de 85% e tendência de elevação no número de casos e óbitos.


Para que se alcance os resultados esperados, o estudo destaca que essas medidas de bloqueio precisam ter pelo menos 14 dias de duração e, em algumas situações, mais tempo, dependendo da amplitude do rigor da aplicação.


Na visão dos pesquisadores, é fundamental a adoção de medidas combinadas e complexas, assim como a coerência e a convergência dos poderes do Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário), bem como dos diferentes níveis de governo (municipais, estaduais e federal), em favor destas medidas de bloqueio.


“Coerência e convergência são fundamentais neste momento de crise para que as medidas de bloqueio sejam efetivamente adotadas de forma a sair do estado de colapso de saúde e progredir para uma etapa de medidas de mitigação da pandemia, diminuindo o número de mortes, casos e taxas de transmissão e efetivamente salvando vidas”, afirmam.