Cientista político: ‘A incógnita em Niterói é quem irá ao 2º turno contra Grael’

Atualizado: Nov 7

Márcio Malta, do Inest/UFF, tem dúvida sobre peso de Peixoto e diz que Serafini ou bolsonarista pode chegar com força

Por Silvia Fonseca

Campanha nas ruas em Icaraí: internet não substituiu o corpo a corpo


Apesar da votação expressiva na direita bolsonarista em 2018 e das mudanças impostas ao eleitorado neste 2020 pela pandemia de Covid-19, o cientista político Márcio Malta, professor do Instituto de Estudos Estratégicos da UFF (Inest/UFF), diz que o jogo foi zerado, mas vê hoje um quadro eleitoral muito próximo ao de 2016, quando o Prefeito Rodrigo Neves foi reeleito. A boa aprovação de Neves nas pesquisas deve levar seu candidato, Axel Grael (PDT), ao segundo turno, mas contra qual adversário? É esta questão que o cientista político analisa nesta entrevista ao A Seguir: Niterói.


A Seguir: Niterói: A menos de dez dias do primeiro turno das eleições, como está vendo a disputa pela Prefeitura de Niterói até agora?


PROFESSOR MÁRCIO MALTA: Não houve maiores reviravoltas. O cenário desenhado anteriormente acabou se confirmando. A novidade em relação ao pleito anterior é a limitação imposta pela pandemia. Os nomes principais da última eleição continuam nas mesmas posições.


O que acha que está pesando mais nesta campanha e na definição de quais candidatos irão ao segundo turno?


A disputa pelo segundo turno é a dúvida em relação ao peso do candidato Felipe Peixoto, que tenta se associar a uma imagem de experiência de gestão que, na prática, não tem. Chegou a acenar com uma adesão maciça do ex-prefeito Jorge Roberto que não aconteceu. A incógnita para o segundo turno é quem pode chegar com alguma força, seja o candidato Flávio Serafini, que na última eleição demonstrou esse potencial, ou Deuler da Rocha ou mesmo Alan Lyra, que até agora não parecem ter viabilizado uma força concreta. Não descartaria uma vitória de Grael no primeiro turno, diante do tamanho da coligação e do financiamento estrondoso que possui, mas esse cenário é menos possível.

O cientista político Márcio Malta, professor do Inest/UFF


Niterói tem dois candidatos bolsonaristas (Allan Lyra, do PTC, e Deuler da Rocha, do PSL). Essa divisão pode beneficiar quem?


A fragmentação desse campo e a briga interna podem favorecer candidatos como Grael e Serafini, por conta de não termos apenas uma chapa do setor bolsonarista, que pulveriza os votos. Não creio que os mesmos migrem para Felipe Peixoto ou a candidata do Novo, Juliana Benício, que até agora parecem ser mais histriônicos do que efetivos.


O que acha dessa confusão partidária, com dois candidatos declaradamente bolsonaristas e outros partidos ligados ao bolsonarismo coligados com legendas de esquerda na campanha de Axel Grael, por exemplo?


Os partidos bolsonaristas na chapa de Grael demonstram o peso do pragmatismo desse setor ligado a ele. O racha na ala bolsonarista já demonstra as trapalhadas deste campo, que não conseguiu sequer estruturar um partido como o Aliança Brasil, demonstrando que, na verdade, em última instância, são projetos pessoais, que visam ao próprio benefício. O discurso de rejeição à política se enfraqueceu de 2018 para cá.


Volta e meia Felipe Peixoto, hoje no PSD, diz que, se eleito, espera contar com a ajuda do presidente Bolsonaro e já citou até o conservador bolsonarista Carlos Jordy, deputado federal. O que o senhor acha que Peixoto pretende com essa estratégia?


Felipe Peixoto se afoga nesse tipo de sinalização. De um político com perfil progressista e em prol de uma maior adesão do Estado em questões como a da saúde, acabou virando um arremedo de si próprio que aparece de dois em dois anos. De brizolista migrou para a sinalização para o seu vice, do DEM, figura da direita recém-saída do PSDB que não ajuda em nada a agregar votos. Principalmente com esses acenos ao bolsonarismo. Acaba não evidenciando a quem está a serviço. Em questões como a da saúde pública, ele assina embaixo de sandices como a da cloroquina, é contra o isolamento social? Deveria se posicionar de fato sobre o desmonte nacional a que assistimos.


Numa cidade que deu mais de 50% dos votos para Bolsonaro em 2016, o senhor acha que um partido como o PSOL tem chance de ir ao segundo turno? Acha possível um segundo turno entre o candidato do atual Prefeito Rodrigo e um candidato da esquerda, por exemplo?


Esta eleição é um outro jogo. Zerou o placar. É claro que devemos estar atentos ao aumento do conservadorismo em nosso solo, mas é sempre oportuno entender que, na mesma eleição, esse partido (PSOL) saiu fortalecido, elegendo uma deputada federal e um deputado estadual que agora é inclusive candidato majoritário. Sem contar na força da nominata proporcional que pode ser uma puxadora de votos, já que conta com nomes de peso no Legislativo e figuras novas que podem surpreender. Creio ser possível sim uma ida (de Serafini) ao segundo turno, apesar de difícil por conta de financiamento mais parco e pouco tempo de TV, mas que pode surpreender, até como um voto de rejeição.


A falta de pesquisas eleitorais de institutos de tradição prejudica ou ajuda na definição do eleitorado em Niterói?


Prejudica na análise e na definição do voto útil, que é aquele onde o eleitor se guia em quem está na frente e acompanha. É positivo no sentido de não influenciar demais o eleitor.


O que está levando o eleitor de Niterói a decidir o voto, na sua opinião?


A visibilidade das campanhas nas ruas e a trajetória de cada candidato. Sem contar o peso da atual gestão, que tem alto nível de aprovação.


Qual o impacto da pandemia de Covid na campanha em Niterói?


A limitação da campanha do corpo a corpo. As restrições dos cabos eleitorais. E a atuação da Prefeitura, que, mesmo diante de alguns revezes,

acaba servindo como plataforma para o candidato do Prefeito à sua sucessão.


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