Parados na pandemia, catamarãs de Charitas têm futuro incerto

Prejuízo da CCR-Barcas deve ser de R$ 150 milhões com redução de passageiros

Por Suzana Moura


O serviço está parado desde março, com a pandemia


Um prejuízo de R$ 150 milhões no ano, redução de 75% de passageiros e total incerteza sobre o futuro. Os números são da CCR, a concessionária do transporte na baía de Guanabara. As barcas não pararam de funcionar, mas a linha de catamarãs que faz o trajeto Charitas-Praça XV está suspensa desde março por causa da pandemia de Covid-19, sem previsão de voltar a circular. Um decreto do governador em exercício Claudio Castro reestabeleceu, este mês, a normalidade dos transportes no Estado: o catamarã foi o único serviço que permaneceu parado.


A interrupção do serviço de catamarãs tem obrigado milhares de passageiros a se deslocarem diariamente para a Estação Araribóia, no Centro. A concessionária não dá maiores detalhes sobre a suspensão do serviço e quanto tempo vai durar. Informa apenas que cabe ao Poder Concedente, o Governo do Estado do Rio de Janeiro, determinar, por meio de decreto as medidas de enfrentamento da propagação do vírus e as alterações operacionais no transporte aquaviário. O Decreto 47.128, de 19 de junho de 2020, atualizado em setembro, mantém a suspensão da linha de Charitas.

O advogado Bruno Castelan, morador da Região Oceânica, e que usava o catamarã saindo de Charitas diariamente, se sente prejudicado.


- Eu vinha de carro pelo túnel, deixava o carro em Charitas e atravessava para o Rio. Agora, preciso ir até o Centro de Niterói deixar o carro e pegar a barca lotada, com aglomeração e em plena pandemia. Eu era usuário assíduo em Charitas e sempre tinha um número grande de pessoas utilizando. Ao meu ver, esse serviço precisa voltar. Não é luxo, é necessidade -, desabafa.


A Secretaria de Estado de Transportes lembra também que as determinações previstas nos decretos que dispõem sobre o transporte intermunicipal de passageiros acompanham a flexibilização do isolamento social adotadas pelo Estado e pelos municípios e os indicadores monitorados pelas autoridades sanitárias. A pasta destaca ainda que todas as modificações serão mantidas apenas enquanto estiverem vigentes as medidas de enfrentamento ao novo coronavírus, e ressalta que, no serviço das barcas, após o último horário em ambos os trajetos (Niterói/Praça XV e Praça XV/Niterói), os passageiros podem ser atendidos pelo modo rodoviário (linha 100 - viação Mauá), sem prejuízo, uma vez que o valor da tarifa do ônibus urbano é de R$ 6,30. Mas não se manifestou sobre a normalização do serviço dos catamarãs.

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O transporte marítimo na baía de Guanabara já era um problema antes da pandemia, diante da redução contínua do número de passageiros, ao longo dos anos. Uma situação que se agravou de forma dramática com a Covid-19. De acordo com a Secretaria de Estado de Transportes, atualmente cerca de 19 mil passageiros são transportados por dia no sistema aquaviário, uma redução de 75% em comparação com a demanda antes da pandemia.


O contrato de concessão - hoje sob vigência da CCR Barcas - de todas as linhas do transporte aquaviário (Araribóia, Charitas, Cocotá e Paquetá) se encerra em fevereiro de 2023, quando deverá ocorrer um processo licitatório para escolha de uma nova concessionária. Mas as dificuldades atuais já dão à CCR Barcas uma certeza: a empresa não participará do processo. E não se sabe como o sistema ficará até lá, com tamanho prejuízo.


A paralisação do catamarã desmonta todo o plano de integração de transportes desenhado pela Prefeitura de Niterói, que, com a construção do túnel Charitas-Piratininga, esperava “despejar” ali parte do movimento de passageiros com destino ao Rio, sem atravessar os constantes engarrafamentos em direção ao Centro.




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