Partidos da direita brigam em Niterói por Bolsonaro

Flávio Serafini pergunta: querem defender o quê, a cloroquina?


Debate promovido pela Associação dos Clubes de Niterói


Num debate com poucos atrativos, diante da ausência do candidato do governo, Axel Grael, e o grande número de candidatos inscritos, o melhor momento do encontro realizado pela Associação de Clubes de Niterói foi o embate dos partidos de direita, na disputa pelo apoio do Presidente Jair Bolsonaro. O PSL do delegado Deuler da Rocha, partido pelo qual o presidente ganhou a eleição e do qual, em seguida, se desligou, com graves desavenças. E o PTC, de Allan Lyra, partido que emprestou a legenda para o deputado bolsonarista Carlos Jordy apresentar um candidato em Niterói, depois que perdeu a legenda do PSL e do Podemos. Em determinado momento, Allan Lyra gritava: “O candidato sou eu!!!” Deuler retrucava: “Não é não, não é não!!!”


Os candidatos criticaram a ausência do representante do Prefeito Rodrigo Neves, Axel Grael, do PDT, que lidera uma coalizão de 15 partidos, por não dar ao eleitor a oportunidade democrática de confrontar as propostas dos candidatos. O candidato Felipe Peixoto, do PSD, foi um dos que criticaram o grande número de secretarias e cargos comissionados, que considera um loteamento político, com distribuição de cargos aos partidos da base do governo. Também a falta de transparência nas decisões e compras da Prefeitura foi questionada.


O controle da epidemia, a retomada da vida da cidade, com o retorno das aulas e atividades econômicas foi o tema central do debate, como era de se esperar diante do impacto da pandemia. Ainda assim, a mobilidade foi assunto que mereceu propostas de todos os candidatos. Planos que passam por metrô, VLT, trens suspensos, reorganização das linhas de ônibus e bicicletas.


A disputa entre PSL e PTC para estabelecer quem efetivamente representaria o Presidente Jair Bolsonaro se tornou explícita e acalorada no quarto e penúltimo bloco, quando os candidatos tiveram a chance de fazer perguntas diretamente um para o outro. Coube ao candidato Allan Lyra, do PTC, fustigar o candidato do PSL, delegado Deuler da Rocha:


-O senhor é um candidato pelo partido PSL, um partido que tenta vincular sua imagem ao Presidente Jair Messias Bolsonaro. Minha pergunta é a seguinte: você tem amizade com Deputado Federal Felício Laterça, um dos articuladores do grande racha do PSL. Ele traiu o Presidente Bolsonaro. Você tem orgulho de estar ao lado de um traidor?


-Eu tenho orgulho de ser um gestor. Agora, o Presidente não foi eleito por seu partido nem porque qualquer outro, foi eleito pelo PSL. O problema é que teve muito candidato que pegou essa onde e pensa que o surfista é a onda. Se iludem, fazem essa confusão, eu não faço. Não vou estimular mitologias. Tenho minha candidatura, minha história e se o Presidente me chamar para dançar eu danço e se não me chamar, eu danço também.


O debate virou discussão. Deuler disse que o Presidente voltou a namorar o PSL. Allan reagiu, incisivo: “O candidato do Presidente Bolsonaro sou eu!!!”


Deuler replicou: “Não é não, não é não!!!”


Foi preciso a intervenção do mediador para o debate voltar ao protocolo de pergunta, resposta e réplica. Deuler disse que se exaltou “por aversão à mentira’, o que ainda daria um direito de resposta a Allan.


-O que é o PSL na fila do pão? Bolsonaro escolhe quem o segue. O candidato sou eu, não o partido do traidor.


A discussão ainda durou:


-Pelo que o senhor fala parece que o Presidente é mentiroso porque ele declarou que no primeiro turno não apoiaria ninguém. Então ou o senhor é mentiroso ou o Presidente Bolsonaro é um mentiroso.


-A verdade é que eu sou o candidato do presidente Bolsonaro, quem caminha com os correligionários do Presidente Bolsonaro sou eu,


O assunto ainda voltaria na intervenção do deputado Flávio Serafini, do PSOL, que, ao criticar a distribuição de cargos, disse, em tom de ironia, que hoje a prefeitura de Niterói tem cinco partidos da base do presidente


Ao dirigir uma pergunta ao candidato do Allan Lyra, Serafini ainda questionou por que ele queria tanto carregar a bandeira do Presidente se o Presidente boicotou todas as políticas da saúde na ação contra a covid, criou uma mentira, que a cloroquina poderia salvar muita gente, e provavelmente muita gente morreu por causa disso. Perguntou qual política do presidente ele traria para a prefeitura?, E o que pensa em relação a uma vacina?


Allan, na resposta, disse que “o Presidente Bolsonaro é um patriota, quando estava concorrendo tomou uma facada, e ninguém pergunta quem mandou matar Bolsonaro.” Sustentou que “o Presidente é pela democracia”, mas salientou que “está todo mundo vendo que ela está sendo ameaçada, não é prelo presidente, está todo mundo vendo os onze togados (referência ao Supremo Tribunal Federal). “ Finalmente, respondendo à pergunta, defendeu que Bolsonaro distribui máscaras, comprou a cloroquina e, sobre a vacina, disse que “não está provado cientificamente que seja uma barreira para a Covid”.


Serafini teve a réplica: O Bolsonaro é inacreditável, fazer propaganda da cloroquina, induzindo as pessoas as acreditarem que há uma cura e com isto há muito mais mortes. E agora está boicotando a vacina. “A gente precisa ter uma vacina que seja eficiente,seja da China ou da inglaterra, de onde for.”


Allan fechou a conversa, dizendo que o PSOL defende “ideias totalitárias” e quer fazer do cidadão de Niterói “ratos de laboratório.” E sugeriu uma conspiração: “Vamos pensar que a gripe vem da China, a máscara vem da China e agora a vacina vem da China…” Nas considerações finais, Allan Lyra deixou de lado qualquer projeto para a cidade. Afirmou que será eleito pela pauta da moralidade. “Somos por Deus, pela Patria e pela família”.




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