Perto de estreia na Superliga B, Niterói Vôlei Clube espera promover o esporte na cidade

Time busca patrocinadores e espera, pelo menos, se manter na segunda divisão nacional do vôlei masculino

Por Gabriel Gontijo

Time faz últimos treinos antes da estreia na Superliga B. Foto: Reprodução/Facebook.


Momento aguardado pelos atletas, dirigentes e comissão técnica do Niterói Vôlei Clube, enfim está próxima a estreia da equipe na Superliga Masculina B, a segunda divisão nacional da modalidade. O jogo inicial seria contra o Anápolis Vôlei, de Goiás, neste sábado na cidade goiana, mas a partida foi adiada por causa do surto de Covid que atingiu os jogadores adversários. Por isso, a equipe niteroiense vai jogar pela primeira vez na competição contra o Vila Nova nesta terça-feira (26) no Ginásio Rio Vermelho, em Goiânia, às 19 horas.


O técnico do Niterói Vôlei, Walner Santos, afirma que o elenco é bem jovem, mas "muito competitivo" e acredita que é possível fazer uma boa partida. Falando em "levar o nome da nossa cidade através desse projeto maravilhoso", explica que a iniciativa do time é ir além de apenas participar da competição. Relembrando o período que treinou o Botafogo, time pelo qual foi campeão da Superliga B em 2018, ele explica que já tinha em mente desenvolver algo que fosse voltado para a formação de atletas na cidade.


- Durante a preparação para participarmos da Superliga A, após a conquista do título da B pelo Botafogo, eu conversei com meu irmão, o Sílvio Gomes, e decidimos que iríamos montar em Niterói uma equipe adulta masculina para ter uma representatividade na cidade. A partir daí, com a divulgação da mídia, queremos ter visibilidade para através desse processo voltarmos às iniciativas de formação de atletas e também construirmos projetos sociais através do vôlei. Tudo o que eu devo é graças a este esporte. E a ideia do time é jogar um torneio de ponta, como é o caso da Superliga B, chamar a atenção da prefeitura da cidade e dos órgãos públicos, como a Secretaria Municipal de Esportes, para construirmos projetos sociais. Esse é o nosso grande intuito, independentemente da colocação que ficarmos na disputa - enfatiza Santos.


Nascido e criado no Barreto, na Zona Norte de Niterói, e com licenciatura plena em Educação Física pela Universo, o treinador é sincero em admitir que não vê o acesso para a elite do voleibol nacional como prioritário, mas acredita que é fundamental a manutenção do time após o torneio, a criação de projetos sociais na área e o investimento em infraestrutura para o desenvolvimento desse esporte na cidade. Naturalmente, ele tem o sonho de disputar a Superliga A, mas afirma que não basta apenas conseguir o acesso para consolidar a modalidade profissionalmente no município.


- Antes de pensarmos em brigar pelo acesso, é necessário pensar em metas para desenvolver o vôlei em Niterói. Veja bem, não estou dizendo que o nosso objetivo não é ganhar os jogos e nem é subir. Não é isso. Claro que temos esse objetivo de chegar à Superliga A. Só que o mais importante agora para atrair investimento para a modalidade é ter uma planejamento para ajudar a desenvolver o vôlei, com formação de atletas desde a base e, como disse, criando projetos sociais para isso - explica Santos.


Time voltou às competições depois de dez anos afastado dos profissionais


Fundado em 2004, o Niterói Vôlei Clube voltou às atividades profissionais depois de ficar dez anos sem disputar nenhuma competição oficial. Além disso, nesse período a cidade só teve um time em torneios, que foi Canto do Rio/Mundovolei, campeão dos Jogos Abertos do Interior em 2018. Desde então, o município ficou de fora até a volta do NVC.


Inicialmente, o time treinava na quadro do Canto do Rio, mas a parceria foi desfeita no ano passado. Walner relembra que precisou treinar na praia durante alguns meses simplesmente por não ter uma quadra para treinamento. Foi aí que o Clube 5 de Julho, no Barreto, cedeu o espaço para que todo o elenco pudesse fazer a preparação para a Superliga C, competição na qual foi o vice-campeão do Grupo 5. Com a desistência do Tijuca, o clube vencedor, a equipe niteroiense conquistou a vaga para a segunda divisão masculina do vôlei nacional.


E essas situações são consequência da dificuldade de desenvolver a modalidade no município. Há clubes de Niterói que oferecem aulas de vôlei, mas o único que disputava torneios nas categorias de base era o Canto do Rio, que voltou com atletas em idade juvenil em 2018. Mas no mesmo ano extinguiu todas as categorias de base. Além disso, até os times masters, como o time 50+ que foi campeão brasileiro masculino em 2019, foram extintos. Atualmente não existe nenhuma equipe da modalidade no clube.


O empresário Lindomar Lanes, responsável pelo Mundovolei, parceira do Niterói Vôlei Clube e que tinha projetos para o esporte no Canto do Rio, lamenta que a modalidade enfrenta essas dificuldades.


- O Canto do Rio simplesmente extinguiu o vôlei. Acabou com tudo lá. Infelizmente o atual presidente fez isso no ano passado e sem motivo nenhum, porque tudo era pago pela Mundovolei. Eles só cediam o espaço e não tinham despesa nenhuma. Lamentavelmente, hoje é o futebol que manda lá. Não há mais espaço para o vôlei - lamenta Lanes.


Atualmente, Niterói conta com dez espaços voltados para o aprendizado desse esporte para meninos e meninas de 7 a 14 anos. De acordo com o site do Viva Vôlei, instituto criado pela Confederação Brasileira da modalidade, as unidades ficam no Morro do Castro, Campo de São Bento, na Praia de Piratininga, na comunidade do Viradouro (Santa Rosa), no Ciep 448 do Engenho do Mato, no Largo da Batalha, São Lourenço, Barreto, Fonseca. Mas por causa da pandemia, as atividades foram suspensas.


Parcerias fundamentais para ajudar na estrutura do time


O Niterói Vôlei Clube segue procurando patrocinadores que ajudem a equipe durante a competição. Todo o custo com logística, como viagens e hospedagem em hotéis, além do salários dos atletas, comissão técnica, material de treino, alimentação, exames médicos e outros itens, está na faixa de R$ 200 mil ao todo. Como até o momento não houve retorno das marcas contactadas, as parcerias é que estão ajudando a equipe até aqui.


Por causa da pandemia, é obrigatório que todos os atletas façam testes da Covid antes das partidas. Neste caso, a parceria com a clínica Decórdis é fundamental para o time economizar nos custos deste e de outros exames, como o cardiológico. Outro apoio decisivo é o do Colégio Plínio Leite, que cede a quadra para treinamento e que tem o tipo de piso com o mesmo material exigido para jogos oficiais.


Para conseguir arcar com todos os custos da equipe, a vaquinha virtual segue ativa. O link para quem quiser ajudar é esse: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/campanha-niteroi-volei-clube-na-superliga-b