Pfizer, a vacina que poderá ser vendida em clínicas particulares

Laboratório é o primeiro a ter registro permanente, o que permite que a vacina seja distribuída na rede pública, governos e na rede privada


Vacina da Pfizer. Reprodução: Jornal Nacional


A vacina Cominarty, produzida pelas farmaceuticas Pfizer e BioNTech, é a primeira a ter o registro definitivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa. Os outros dois imunizantes já aplicados no Brasil - a CoronaVac, da Sinovac, e a CoviShield, Oxford/AstraZeneca - receberam licença apenas em caráter emergencial.


A diferença de uma licença para outra é enorme e abre uma série de novas possibilidades, como a comercialização e distribuição direta para governos e até mesmo empresas privadas. O registro concedido à CoronaVac e à Oxford/AstraZeneca apenas permite a aquisição e distribuição pelo Ministério da Saúde. A Pfizer foi a primeira vacina a ser usada no Ocidente, aplicada no Reino Unido desde novembro, mas não aparece entre os produtos negociados pelo governo brasileiro.


A informação é destacada em reportagem da BBC, que ouviu especialistas sobre o assunto. A neurocientista Mellanie Fontes-Dutra, coordenadora da Rede Análise Covid-19, explica a diferença: "O registro da vacina da Pfizer e da BioNTech na Anvisa é mais amplo, pois envolve uma quantidade de dados maior. Essa amplitude também implica na possibilidade de mais setores poderem comprar esse imunizante".


A rede inglesa traduz assim a afirmativa: "Em outras palavras, isso significa que as doses poderão ser adquiridas não apenas pelo Ministério da Saúde, mas também por Estados, municípios e até pela iniciativa privada."


A destinação à rede privada não é tão imediata, e provavelmente exigirá maior debate entre políticos, gestores da saúde pública, cientistas e da sociedade. Mas nesta mesma terça-feira (23) o caminho começou a ser aberto, com a decisão da Justiça que autoriza governos estaduais e prefeituras se o plano nacional de imunização não funcionar. Uma forma de permitir a entrada do imunizante no país, mesmo que não seja através do Ministério da Saúde.


A possibilidade da vacina da Pfizer ser oferecida em clínicas particulares aparece também em nota divulgada pela diretora da Anvisa, Meiruze Freitas: “o registro abre caminho para a introdução no mercado de uma vacina com todas as salvaguardas, controles e obrigações resultantes dessa concessão”.


A vacina da Pfizer apresentou uma eficácia de 95% contra a Covid-19, nos testes clínicos realizados com 44 mil participantes nos Estados Unidos, Alemanha, Turquia, África do Sul, Brasil e Argentina.





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