Pfizer patrocina estudo de remédio contra Covid-19

Medicamento poderia ser usado no primeiro sinal de infecção, sem precisar que os pacientes sejam hospitalizados

Por Livia Figueiredo

Reprodução/Pexels


Estudo patrocinado pela Pfizer visa a produzir um remédio para tratar de forma antecipada e, em casa, as infecções por coronavírus. Há muito sigilo em torno dos experimentos, mas o que se sabe até agora é que 60 voluntários adultos foram selecionados nos Estados Unidos e na Bélgica para testarem o remédio. Caso o estudo obtenha sucesso, o medicamento pode estar disponível ainda este ano.


A molécula antiviral testada recebeu o nome de PF 07321332 e é um inibidor de protease, um tipo de enzima. A fórmula tem como intuito atacar a "espinha" do coronavírus e impedir que se reproduza no nariz, garganta e pulmões. No Reino Unido, o uso de inibidores de protease impediu a propagação de HIV anos atrás.


Segundo dados divulgados pela Pfizer, o remédio tem "potencial antiviral in vitro contra SARS-CoV-2". Com isso, o medicamento poderia servir também para outros tipos de doença como a gripe e pode ainda ser adaptado para outras ameaças futuras. As informações são do portal UOL.


De acordo com o diretor científico e presidente da Pfizer, Mikael Dolsten, a substância teria potencial para ser utilizada no primeiro sinal de infecção, sem precisar que os pacientes sejam hospitalizados em decorrência da condição crítica da doença.


Em animais, o laudo oficial é de que o remédio não trouxe riscos significativos ou efeitos colaterais preocupantes em nenhuma das doses que serão utilizadas em estudos clínicos. Já os testes em humanos contemplam três etapas, em que os voluntários terão que participar ao longo de 145 dias e, depois, voltarão para outros 28 dias de ajustes de doses. O medicamento vai ser administrado com um pouco de Ritonavir, um antiviral utilizado no tratamento de HIV, que funcionará também para ampliar a quantidade de inibidor de protease no sangue.


Na primeira fase de testes, será observado como os voluntários toleram um aumento de dose, sozinha e com Ritonavir, se há efeitos colaterais e como eles se sentem depois de tomar o medicamento. A fase dois é semelhante, no entanto, a diferença é que serão múltiplas doses. Na última fase, os pesquisadores pretendem testar o remédio na forma líquida e em comprimido, além de ver qual a diferença de tomá-lo junto a refeições. Por fim, será necessário ver a eficácia do medicamento em pessoas infectadas pela Covid-19. Os resultados ainda não foram divulgados.


O novo inibidor de protease é o segundo medicamento produzido pela Pfizer para testes em humanos para tratar Covid-19. A farmacêutica está testando outro administrado por via intravenosa a pacientes com vírus hospitalizados.