Portugal evitou colapso hospitalar e reduziu mortes com lockdown

Saiba as principais medidas adotadas pelo país europeu para conter o avanço do coronavírus

Rua vazia no Centro histórico de Lisboa, em Portugal: confinamento. Foto reprodução internet


Como o Brasil, Portugal entrou em 2021 sob ameaça de um colapso no sistema de saúde por causa da Covid-19. A pandemia saiu de controle em janeiro naquele país. A solução, pedida pelo primeiro-ministro António Costa e aceita pelo presidente, Marcelo Rebelo de Souza, foi o lockdown. O confinamento geral, com fechamento do comércio não essencial e restrições de circulação, derrubou a taxa diária de mortes de 303 em 31 de janeiro para apenas seis no último dia 21 de março.


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O confinamento geral começou em 15 de janeiro. Uma semana depois, medidas ainda mais duras foram anunciadas. As taxas de contaminação, internação e mortes começaram a cair.


Dois meses depois, o país começou a sair do confinamento. Mas não foi um liberou geral. As flexibilizações foram ocorrendo aos poucos, a conta-gotas, e o país ainda não está livre da doença nem das medidas restritivas.


No fim de dezembro o número de novos casos diários de covid-19 ficava perto de 3.000. Chegou a 10.000 na primeira semana de 2021 . 16.432. A partir daí, com quase duas semanas de confinamento, a situação começou a se reverter. O país voltou ao patamar dos 10.000 novos casos por dia no fim de janeiro. Com 3 semanas de lockdown, no início de fevereiro, o número caiu para aproximadamente 6.000. E as mortes em consequência da Covid também caíram drasticamente.


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Veja quais as principais medidas adotadas para evitar o colapso nos hospitais e reduzir contaminações e mortes em Portugal:


*Apenas os serviços essenciais podiam permanecer abertos.


*População tinha de ficar em casa e fazer isolamento social.


*Escolas foram fechadas.


*Empresas tinham de deixar seus funcionários trabalhando de casa, sempre que possível.


*Fechamento de aeroportos para turistas, especialmente para os saídos de países com alto índice de contaminação, como o Brasil.


*Barreiras sanitárias e restrição para a circulação entre cidades e estados.

*Foi fixado que só começaria a haver uma flexibilização, gradual, quando o país registrasse menos de 2 mil casos de contaminação por dia, meta que foi atingida em 18 de fevereiro, pouco mais de um mês após o começo do lockdown. Mesmo assim, o governo português manteve as restrições.


*Desde o começo de março, o país jamais voltou a ter mais de 1 mil casos de infecção por dia.


*Só dois meses depois do início do confinamento as restrições começaram a ser flebixilizadas. Portugual começou então, no dia 15 de março, a reduzir o isolamento social, mas ainda de forma gradual.


*Aposta na vacinação. No dia 21 de março, 4,34% da população adulta daquele país já tinha recebido as duas doses da vacina. No Brasil, esse índice está em 1,61%.


*O confinamento ajudou a reduzir as internações.


*O governo português também estipulou indicadores para nortear as ações de enfrentamento da pandemia a partir do desconfinamento: número de novos casos, o Rt (taxa de transmissibilidade) e internações em UTIs. Para não sobrecarregar o sistema de saúde, o número de internados em UTIs não pode ser superior a 245. Essa meta só foi atingida no domingo 14 de março, quando havia 242 pessoas hospitalizadas em cuidados intensivos.


*O primeiro-ministro António Costa usou a expressão a conta-gotas para anunciar como seria a saída do lockdown. Salões de beleza e barbearias puderam reabrir em 15 de março. Também voltaram a funcionar as creches, o pré-escolar e as escolas do 1º ao 4º ano do ensino fundamental. Mas o comércio não essencial continua fechado, podendo funcionar apenas para delivery ou retirada no local.


*A recomendação de trabalho remoto, em home office, continua e valerá até a Páscoa, pelo menos. A previsão é que as regras comecem a ser flexibilizadas a partir de 5 de abril, mas por etapas, com liberação do confinamento total só em 3 de maio.


*Apesar de haver datas divulgadas, o primeiro-ministro já avisou que tudo dependerá da situação da pandemia.