Preço de aluguel no novo Mercado Municipal de Niterói afasta empreendedores

Custo da adesão também tem assustado quem deseja ter um espaço no local; valores incluem aluguel, condomínio e taxas, explica responsável


Por Gabriel Gontijo


Apesar de o prédio já ter sido inaugurado simbolicamente, local ainda se encontra com muitas obras. Foto Divulgação


Inaugurado simbolicamente no dia do aniversário de Niterói, em 22 de novembro do ano passado, o novo Mercado Municipal era visto por muitos empreendedores como uma oportunidade de ter um espaço voltado para o seu negócio. Mas quando foram informados sobre os valores de investimento para ter uma loja no mercado, a reação foi bem diferente.


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Sem data anunciada para a abertura ao público, o gestão do mercado cobra aluguel a partir de R$ 5.500 por um espaço de 15m². A informação foi dada ao A Seguir: Niterói por um comerciante que preferiu não ter o nome divulgado. Ele contou que viu com bons olhos a possibilidade de ter uma loja física para vender os produtos que negocia, como lâmpadas de led de diferentes tamanhos. Mas quando recebeu o e-mail de resposta com os valores dos aluguel, de acordo com o tamanho da loja, desistiu na hora. Segundo foi informado ao profissional, além do valor do aluguel, ele teria que desembolsar R$ 22 mil como taxa de adesão inicial.


— Isso tira completamente a chance de quem deseja tentar empreender lá mas não tem muitos recursos. Quando eu soube da reforma e pensei que seria minha chance de ter uma loja física, coisa que nunca tive, pois trabalho indo nas residências e vendendo pela internet. Só que os valores são absurdos, sendo que 15m² é o menor espaço que eles têm. Isso parece preço de aluguel de shopping — desabafa o comerciante e eletricista, que também se queixou da falta de informações por e-mail, pois conta que a administração do mercado responde afirmando que para a conversa ter continuidade é necessário se reunir pessoalmente no local.


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Presidente do Sindicato dos Lojistas de Niterói (Sindilojas), Charbel Tauil contou que ouviu queixas sobre o assunto de dois lojistas que também desejavam ter estabelecimentos no mercado. Ele explica que o alto valor se explica pelo fato de o local ser uma novidade comercial. Além disso, o lançamento ocorreu em uma conjuntura econômica desfavorável para quem deseja empreender. Segundo ele, o ideal é fazer a negociação pessoal.


— O preço alto se explica pelo fato de o Mercado Municipal ser um produto novo e diferenciado. O lançamento desses preços também aconteceu em uma época muito complicada para a economia. O que falo para os comerciantes que se assustaram com os valores é que o ideal é negociar pessoalmente, já que o preço dado de forma aleatória sem mostrar o devido interesse se torna mais difícil para a negociação — explica o presidente do Sindilojas.


Proprietária da empresa que vai administrar o mercado explica valores


Contactada pela reportagem, a proprietária da Nacional Shopping, empresa escolhida por Parceria Público Privada (PPP) para administrar o mercado, Sofia Avny, confirmou a existência dos valores citados na matéria, mas ressalta que o R$ 5.500 não se referem apenas ao preço dos aluguéis, mas inclui também o valor do condomínio e outras taxas.


Ela também esclarece que em relação aos preços da locação de um espaço, cada valor varia de acordo com a localização, visibilidade, trabalho de vitrine e "assim por diante". Por isso, "não dá pra generalizar o valor", já que no caso do aluguel de R$ 5.500, por exemplo, o condomínio e o fundo de promoção superam a metade desse preço. Sofia detalha, ainda, que a localização do empreendimento é importante na definição do valor, mas o condomínio é igual por metro quadrado a todas as lojas, exceto para as que são de gastronomia por terem áreas compartilhadas e exigirem um serviço de limpeza mais rigoroso.

Sobre a taxa de adesão, Sofia explica que se trata de um "compromisso" que o lojista assume. Ela confirmou que o valor é R$ 22 mil, mas salientou que o pagamento não precisa ser feito à vista.


— Esse preço pode ser parcelado e existem outras formas de negociá-lo, como cessão de direitos de uso para contratos de longa duração, por exemplo. O processo comercial não se resume apenas à taxa de adesão e aluguel. Naturalmente há outras questões, não são apenas esses dois itens isolados — explica a proprietária da Nacional Shopping.


A empresária também reconheceu que é comum parte das negociações acontecerem de forma pessoal, não apenas por troca de e-mails. Desta forma, é possivel esclarecer melhor os interessados a respeito dos valores e da proposta do Mercado Municipal.


— A gente faz questão de marcar uma conversa presencial, e não passamos valores por e-mail ou telefone, para entendermos exatamente qual é o negócio que a pessoa gostaria de colocar no mercado. É uma forma de analisarmos o perfil do empreendedor para saber se realmente ele se encaixa na proposta que o Mercado Municipal tem. Não somos um shopping center, pois temos por obrigação que ter uma oferta diferenciada desse tipo de estabelecimento. Ou seja, a reunião presencial faz parte de uma estrutura de relação comercial, pois tem gente que pode ter uma excelente negócio, mas que, ao mesmo tempo, não seja adequada ao mercado — finaliza Sofia.



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