Maricá compra vacina russa Sputnik V e já terá 25 mil doses em duas semanas

Município se juntou ao consórcio do Nordeste para a compra sem passar pelo Ministério da Saúde e será primeira cidade a receber a Sputnik

A vacina Sputmik V ainda não tem registro da Anvisa, para ser usada no Brasil. Foto: Divulgação


O contrato está assinado. O Prefeito de Maricá, Fabiano Horta, anunciou pelas redes sociais que firmou a compra de 500 mil doses da vacina Sputnik V, com o Fundo Soberano Russo. O primeiro lote a ser recebido terá 25 mil doses e deve chegar em 15 dias úteis. De acordo com o Prefeito, Maricá se tornará a primeira cidade do Brasil a comprar imunizantes contra o coronavírus diretamente do fabricante, sem passar pelo Ministério da Saúde.


A compra se tornou possível depois que foi aprovada legislação para a compra direta por governos e até agentes privados, diante da demora do Ministério da Saúde na entrega do imunizante. As negociações foram feitas pelo consórcio de governadores do Nordeste, mas o contrato foi assinado de forma independente pelo município, na sexta-feira (19).


Segundo o presidente do Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá, Celso Pansera, a Prefeitura de Maricá pretende imunizar toda a população local acima de 60 anos.


— Para isso, precisamos imunizar 40 mil pessoas. Com o primeiro lote e mais as vacinas que já temos, vamos conseguir — prometeu Pansera, em entrevista a O Globo.


O cronograma, contudo, não está garantido: a Sputnik V ainda não tem autorização de uso emergencial concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Nesta mesma sexta-feira, a Anvisa cobrou o laboratório União Química para que entregue os dados sobre a vacina russa contra covid-19 Sputnik V. Na nota, a Anvisa informa que o pedido para uso da Sputnik V foi protocolado pela União Química em 15 de janeiro. No dia seguinte, a agência reguladora informou ao laboratório a lista de documentos que precisava para a análise. Em 18 de março, pediu informações complementares. Mas, até o momento, a documentação não foi enviada. Sem o registro para uso emergencial ou definitivo, a Sputnik V não pode ser utilizada no Brasil.


A Sputnik V é desenvolvida pelo laboratório Gamaleya e alcançou eficácia de 91,6%. Já foi aprovada em 52 países. A vacina é aplicada em duas doses, mas os estudos mostraram que 21 dias depois da primeira dose a imunização previne 100% de casos graves da doença. O valor do contrato não foi revelado. Segundo a fabricante, cada dose custa menos de dez dólares.