Prefeitura diz que flexibilização não gerou aumento de casos de Covid

Rodrigo Neves afirma que pico da doença aconteceu no fim de abril e começo de maio e que situação está sob controle nos hospitais da cidade


Posto de teste rápido no Caminho Niemeyer: 42 mil testes já foram realizados em Niterói. Foto: Divulgação/Prefeitura


O Prefeito Rodrigo Neves determinou nesta segunda-feira, 6/7, a divulgação de dados detalhados sobre a evolução da Covid em Niterói, além do registro dos boletins diários da doença, que apontam o número de casos, de pacientes em observação, pacientes internados, mortes e pacientes que se recuperaram. Segundo ele, muitos casos que aparecem hoje no registro oficial se referem a casos antigos, somente agora comprovados, e não refletem a estabilidade da doença na cidade. Por esta razão, os boletins vão incluir dados sobre a semana epidemiológica, informando a data do início dos sintomas e a data da ocorrência da morte.


O prefeito explicou que os dados de novos casos e óbitos que são divulgados diariamente pela prefeitura não necessariamente ocorreram nos dias da divulgação. Isso porque os hospitais repassam os casos à Vigilância Epidemiológica do município, que checa todos os dados e exames antes de contabilizar o caso/óbito como confirmado. A cidade já registra 6.057 casos confirmados de Covid-19 e 223 mortes.


Ainda de acordo com Neves, o pico de novos casos e de óbitos em Niterói ocorreu entre o fim do mês de abril e a primeira quinzena de maio. Já no fim de junho e início de julho, foi registrada “uma quantidade pequena de óbitos”. Rodrigo Neves disse ainda que em junho, a cidade ficou três dias sem registrar óbito, embora apareçam registros de mortes nos boletins oficiais, que seriam casos antigos.


- Pedi hoje (segunda) para que a Secretaria de Saúde, além dos dados que já disponibiliza, divulgue também esses dados por semana epidemiológica, para dar clareza de quando ocorreu o momento mais dramático, do ponto de vista dos óbitos, em Niterói - ressaltou.


No início da pandemia, a Prefeitura divulgava gráficos com a curva de evolução da doença, mas, em maio, os dados deixaram de ser publicados. Os boletins passaram a registrar apenas os números acumulados, abandonando os registros acumulados por semana epidemiológicas usados pela Saúde Pública, inclusive pelo Comitê da Prefeitura. Desde então o A Seguir: Niterói passou a compilar os números divulgados pela Prefeitura, de forma técnica, respeitadas as informações divulgadas pela Prefeitura, para oferecer uma visão mais transparente da evolução da doença.


Nos registros da última semana epidemiológica, os números de casos e mortes aumentaram. A reportagem do A Seguir: Niterói já ressaltava algumas questões que poderiam ter impacto neste aumento. Que o número de casos aumenta em função do aumento da testagem, que chegou esta semana a 42 mil testes. E que as mortes poderiam se referir a casos antigos somente agora reportados, informação que não era disponibilizada pela Prefeitura e agora passará a ser divulgada.


O secretário de Saúde, Rodrigo Oliveira, também abordou o assunto. Explicou que a prefeitura divulga diariamente os casos acumulados, independentemente de quando tenham se iniciado os sintomas ou ocorrido os óbitos, prática que tem sido adotada nas estatísticas da doença, no Brasil e no exterior, diante do volume de informações e da dificuldade de confirmação da doença. E considera que o quadro da doença é estável no momento.


- Foi debatido em alguns momentos, na minha avaliação de forma oportunista, que os casos confirmados por nós significariam um aumento do número de casos e óbitos por conta do processo de transição para o novo normal. Infelizmente, se utilizam de uma tecnicalidade e omitem esta questão técnica da divulgação dos dados por nossa vigilância epidemiológica para causar confusão e dar a impressão de que a gente está num cenário de piora e não no cenário correto, que é o de estabilização e melhora do quadro da Covid-19 - disse o secretário.

Segundo ele, por isso a prefeitura vai passar a publicar semanalmente, no site oficial, os casos por início de sintoma e não por data de notificação, como é feito atualmente. Os óbitos também serão divulgados por data de ocorrência. De acordo com Oliveira, Niterói está com a epidemia sob controle.


- Até agora, os números de casos por início de sintoma, óbitos por data de ocorrência, e a nossa demanda nas urgências nos hospitais privados e públicos apontam para um cenário de estabilidade, com uma tendência de queda da epidemia na cidade. Seguimos acompanhando diariamente e vamos publicar semanalmente para que não paire nenhuma dúvida sobre o estágio que a pandemia está - finalizou.


Nota oficial


O A Seguir: Niterói havia solicitado, pela manhã, informações à Secretaria de Saúde sobre os registros da última semana epidemiológica, a vigéssima-sétima, que ocorreu duas semanas depois do período de início da retomada das atividades, tempo regular para que os efeitos das medidas sejam sentidos. A reportagem alertava que outros indicadores da cidade eram positivos, como a taxa de ocupação dos leitos, abaixo de 40%, e pedia pedia uma interpretação da Secretaria. A resposta veio na forma de uma nota que sustenta que os óbitos reportados seriam casos antigos, e não uma aceleração da doença. Segue a nota:


Em resposta ao site A Seguir: Niterói, a Fundação Municipal de Saúde de Niterói (FMS) afirmou que a reabertura de estabelecimentos comerciais, a partir de 21 de maio, não se refletiu num aumento do número de casos de Covid-19 na cidade.


“Isso é comprovado pelos dados analisados pelo comitê científico, formado pela Prefeitura de Niterói junto com autoridades sanitárias. O indicador usado para balizar o nível de abertura estava em 14,88 quando as primeiras medidas de transição foram autorizadas, em 21 de maio. Um mês depois da entrada em vigor do plano, em 21 de junho, o indicador-síntese, que leva em consideração dados como número de leitos disponíveis e casos confirmados e óbitos, tinha recuado para 7,63. Graças ao cumprimento dos protocolos e ao respeito às regras pela população e pelo comércio, houve uma redução constante no número de casos. Em 3 julho, o índice estava em 7,13. Dia 6 de julho, tinha caído para 6,13, mesmo com novas medidas, como abertura de parques, comércio e shoppings. Quanto mais baixo o indicador, mais sob controle está a curva epidemiológica”, afirmou a FMS em nota.


A 23ª semana epidemiológica, segundo a FMS, coincide com o início da realização de testes rápidos de Covid-19 nos pontos drive-thru, o que provocou um pico de resultados inseridos no sistema no mesmo período. A Prefeitura comprou os kits com recursos próprios e já testou 42 mil pessoas.


“Nas semanas epidemiológicas 24 e 25 não houve mudanças nas regras de isolamento social e, ainda assim, o número de casos apresentou queda significativa. Portanto, os dados mostram que não há relação direta entre o número de casos divulgados de Covid-19 e o processo de abertura gradual”, diz ainda a nota da FMS.


A Fundação destaca ainda que a divulgação do número de novos casos e óbitos ocorre por data da notificação e não da ocorrência. “Diariamente, novos casos são inseridos no sistema, o que não significa que eles aconteceram naquela data”, diz a nota, acrescentando que a letalidade por Covid-19 em Niterói é de cerca de 3%, o menor índice da Região Metropolitana II, e a taxa de crescimento de novos casos é de 0,57%.


Boletim


De acordo com o último balanço da prefeitura, Niterói tem 6.057 casos confirmados nos quatro meses de pandemia. Desses, 5.293 já estão recuperados da doença. Outros 435 seguem sendo tratados em isolamento social e 106 pessoas estão hospitalizadas em leitos públicos e privados. A cidade chegou ao total de 223 óbitos.

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