Produtora musical niteroiense une Tom Jobim e Pixinguinha em homenagem ao chorinho

Cris Pimentel junta nomes da música brasileira em um CD dedicado ao ritmo, gravado pelo Grupo Octeto Instrumental Brasileiro


Por Gabriel Gontijo

Grupo Octeto Instrumental Brasileiro durante gravação do CD que homenageia o chorinho. Foto: Marco Moreira


Pixinguinha, Tom Jobim e Jacob do Bandolim têm semelhanças que vão além do fato de serem nomes marcantes da música brasileira. Todos eles, de alguma forma, tiveram no chorinho alguma influência que marcaram suas carreiras. E é baseado nisso que a produtora Cris Pimentel trabalhou em um projeto para homenagear o gênero que marcou época no Brasil.


Moradora de Niterói, ela foi convidada pelo músico Walmyr de Oliveira para ajudar na produção de um CD dedicado ao gênero, que conta com a participação do Grupo Octeto Instrumental Brasileiro. Após dar o "sim" ao convite, Cris elaborou todo o projeto com o desafio de juntar diferentes músicos nacionais de épocas distintas de uma forma que a homenagem ao choro ficasse bem feita.


- Independente das palavras, a música se comunica. Tem um discurso, com tensões, relaxamentos, partes líricas e dramáticas. Foi exatamente esse discurso que me convenceu a me juntar com Valmyr Oliveira. Esse ritmo musical, segundo pesquisas que já fiz, também revelou talentos como Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Waldir Silva, Zequinha de Abreu, Jacob do Bandolin, Abel Ferreira, Altamiro Carrilho. E até mesmo artistas ligados à bossa nova, movimento que modernizou a MPB nas décadas de 1950 e 1960, também se fizeram choro. Entre eles Tom Jobim, Edu Lobo e Francis Hime - explica Cris.


Argumentando que "na terra do Araribóia percebe-se que a música instrumental é bem mais valorizada do que em outras regiões do país", a produtora cita músicos como Arthur Maia, Ronaldo do Bandolim, Dudu Oliveira, Silvério Pontes e Zé da Velha entre alguns dos artistas conhecidos do gênero e que também são de Niterói.


Pandemia atrasou projeto


A ideia surgiu em 2018 através de uma conversa com Oliveira durante encontro na Cinelândia, no Centro do Rio. Assim que o edital da Lei Municipal de Incentivo à Cultura da capital foi aberto, ela inscreveu o projeto e conseguiu a autorização para captar apoio. Mas a chegada da pandemia obrigou o grupo a adiar os planos.


Quando foi possível a retomada de algumas atividades, a equipe se reuniu em estúdio e conseguiu finalizar o trabalho. E embora esse projeto não tenha tido o apoio da Lei Aldir Blanc por ser anterior à chegada da Covid ao país, ela faz questão de elogiar a medida, definida pela produtora como fruto de "uma luta dos trabalhadores da Cultura".


- A lei Aldir Blanc, mesmo emergencial, vai marcar a história, porque foi uma luta dos trabalhadores que atuam direta ou indiretamente com a área cultural. E isso dá início a uma compreensão nacional do papel importante que a cultura tem para a economia brasileira - afirma a produtora.


Amor por Niterói e projetos culturais para a cidade


Embora tenha nascido em Santa Branca, cidade próxima de São José dos Campos, no estado de São Paulo, Cris mora em Niterói desde 1996. Por isso, se considera "parte da cidade". Relembrando o tempo que trabalhou como jornalista em alguns dos veículos da imprensa niteroiense, ela também cita projetos culturais que tem para a cidade.


- Fui umas das contempladas no Prêmio Erika Ferreira pela ideia de transformar o meu romance, "Ana e Tal Felicidade", em peça de teatro e, a partir disso, fomentar discussões das apresentações sobre o combate à violência contra a mulher. De fato, passar nesses editais da Lei Aldir Blanc voltado para Niterói garantiu não só a minha própria sobrevivência como a dos profissionais que trabalham comigo - explica Cris sobre o livro lançado em 2012 e que deve ter uma versão teatral apresentada pela internet em setembro deste ano.