Professores da rede particular de Niterói também são contra volta às aulas em setembro

Medida foi debatida durante audiência pública na Câmara de Vereadores


Por Carolina Ribeiro


Audiência pública na Câmara de Vereadores debate volta às aulas


O Sindicato dos Professores (Sinpro) de Niterói, entidade que representa a categoria da rede privada, declarou que é contra a volta às aulas presenciais durante audiência pública na Câmara de Vereadores de Niterói nesta quinta-feira (13). Até o momento, não há data prevista de retorno, mas a categoria teme que as aulas voltem em setembro, já que a suspensão da Prefeitura vai até 31 de agosto. Apesar de convidados, representantes das áreas de Saúde e Educação do Poder Público não compareceram.


Representando o Sinpro Niterói, Sérgio Oliveira disse que a entidade é contra a volta às aulas enquanto a pandemia não estiver sob controle por causa dos riscos de contaminação. Ele informou ainda que, caso as escolas estivessem abertas, seriam cerca de 5 milhões de pessoas a mais em circulação no Estado do Rio, o que iria sobrecarregar a saúde pública e aumentar o contágio da doença.


- Não estamos fazendo apenas a defesa de uma categoria profissional, estamos fazendo a defesa da vida da sociedade brasileira. Gostaríamos muito que a sociedade reconhecesse esse profundo empenho dos professores, que através das diferentes redes de ensino, têm contribuído no enfrentamento da pandemia. Estamos há cinco meses [na pandemia], estamos trabalhando muito, não só com o ensino remoto, mas debatendo sobre o que representa o não funcionamento presencial das redes de ensino no país - enfatizou.


A audiência pública foi convocada pelo vereador Paulo Eduardo Gomes (PSOL), presidente da Comissão de Saúde, e pelo vereador Luiz Carlos Gallo (Cidadania), presidente da Comissão de Educação. O objetivo era ouvir diferentes visões sobre a possibilidade de retorno às aulas, com o foco na saúde, na falta de estrutura e desigualdade de ensino.


A Secretária de Educação, Flávia Monteiro, mandou um e-mail, durante a reunião, avisando que não poderia comparecer. Outros representantes da Prefeitura também foram convidados, mas não compareceram. Em Niterói, as aulas estão suspensas até o dia 31 de agosto, mas a categoria pede que as escolas não reabram já no próximo mês.


Durante a reunião, o vereador Paulo Eduardo criticou a falta de representantes da Prefeitura na audiência pública, ressaltando que a união entre os poderes Executivos e Legislativos garantiu o sucesso do combate ao vírus no município.


- Desta audiência, nós concluímos de imediato que é papel do Poder Legislativo fazer a intermediação para a cobrança de diálogo. Boa parte do sucesso no combate à pandemia em Niterói se deveu a uma unidade na ação tanto do Poder Executivo mas sobretudo do Poder Legislativo. A partir do instante em que as discussões sobre flexibilização começam a acontecer, nós estamos achando que o Poder Executivo precisa rever a sua posição e começar a dialogar não só com os trabalhadores da área de educação, mas com o Poder Legislativo. Vamos nos debruçar neste conteúdo - disse Paulo Eduardo sobre o protocolo.


O presidente da Comissão de Saúde da Câmara irá tentar uma reunião com o Ministério Público Federal do Trabalho e com o Ministério Público Estadual do Trabalho, da Saúde e da Infância e Juventude para discutir a volta às aulas. A audiência contou com participação do Sepe Niterói, que representa os professores da rede pública e que também é contrário ao retorno.



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