Professores de Cinema da UFF falam do papel da universidade em suas trajetórias profissionais

Atualizado: 17 de Dez de 2020

Pluralidade e estímulo à criatividade e à expressão são alguns dos destaques da Universidade, que completa 60 anos neste mês

Por Livia Figueiredo

Professor de Cinema aposentado da UFF, Tunico Amancio relembra sua trajetória de 39 anos na Universidade / Foto: Divulgação


Graduado em Cinema na UFF e professor há 39 anos na Universidade, Tunico Amancio conta que a instituição foi o local onde passou a maior parte do tempo de sua trajetória profissional. A conexão com a Universidade o acompanha desde a época em que era aluno. Tunico trabalhou na área de roteiro e participou da criação de um campo de cinema latino americano. Ele conta que, com a passagem dos anos, é evidente o contínuo aprimoramento de ensino do curso de Cinema da UFF.


Após morar por um tempo em Brasília, Tunico passou um período da sua vida na Embrafilmes, onde consolidou o que tinha aprendido na UFF. Depois, retornou para a Universidade, já como professor, e nunca mais saiu.


- Toda a minha formação acadêmica e profissional foi feita na UFF e isso é um legado absolutamente formidável porque num momento em que o Cinema não tinha essa visibilidade e, inclusive, ainda não existia essa tradição do curso de Cinema, eu conclui o curso e me ingressei nessa fila da luta pelo cinema nacional. Voltei para UFF refletindo sobre o que vivi na Embrafilmes, onde tive um contato com o cinema mais industrial.


Das lembranças, Tunico destaca o aprendizado resultante da maneira de olhar o mundo que uma universidade proporciona, com os instrumentos necessários. E, como professor, pela sua atuação com os alunos e a absoluta consciência da necessidade da formação e da abertura da mente para o conhecimento e para a expressão criativa.


- É muito interessante o ambiente da universidade pelas relações que você estabelece, pelo contato com diferentes pessoas que você conhece, alunos, professores, funcionários, pessoas que vêm de fora. E muito também pelo exercício de cidadania que você tem que fazer o tempo inteiro. Estar a serviço de alguém, uma causa, de uma finalidade atravessada o tempo inteiro pelo caminho da criatividade e da expressão. A UFF me proporcionou a abertura para o mundo, tanto do ponto de vista profissional, como existencial. Era um trabalho exaustivo, mas instigante. E isso é um reconhecimento que eu devo à UFF para o resto de toda da minha vida – conta Amancio, agora aposentado pela UFF.

Ex-aluno do curso de graduação, mestrado e doutorado de Cinema da instituição e Chefe do Departamento de Cinema e Audiovisual da UFF desde agosto deste ano, o professor de mestrado e doutorado, Fernando Morais, conta que a Universidade foi essencial para a sua experiência profissional.


- Fiz minha graduação em Cinema na década de 90 e posso dizer que a profissão funciona. Eu trabalho com Cinema de fato. Fiz mestrado e doutorado na UFF, orientado pelo professor João Luiz Vieira, que é uma sumidade nacional em teoria e história do Cinema. Ele também se formou em Cinema na UFF e estudou em uma das primeiras turmas do curso. O Instituto de Arte e Comunicação Social (IACS) tem uma pluralidade de gerações e o impacto é tão grande que muitas pessoas optam por transformar a universidade no seu local de vida, desde a graduação até se tornar professor.

Chefe do Departamento de Cinema da UFF, ex-aluno de graduação, mestrado e doutorado, Fernando Morais se considera "inteiro" UFF / Foto: Divulgação


Morais é professor de gravação de som para Cinema e Audiovisual há 12 anos. Dos múltiplos legados que a UFF deixou na sua vida, se tivesse que escolher um, ele destacaria a convivência de múltiplas gerações e o respeito à diversidade.


- No momento em que a Universidade e a educação pública no país estão mais abertas e, levando em consideração que a pessoa sai de onde nasceu e ingressa na universidade, ela passa a conviver com pessoas de uma pluralidade de identidades enorme, de diversos gêneros, classes sociais, cores. A UFF me entregou tudo que eu construi desde os 18 anos de idade e que carrego até hoje como Chefe do Departamento de Cinema – conclui Fernando.

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