Professores e pais de alunos debatem retorno das escolas particulares em Niterói

Com autorização da Prefeitura, escolas passam a ser atividade essencial e podem retornar no dia 1º de fevereiro


Por Livia Figueiredo

Escolas particulares podem retornar às atividades presenciais na próxima segunda (1) / Foto: Reprodução da internet


As aulas presenciais em escolas particulares já têm data definida para retorno: 1º de fevereiro. A autorização foi dada depois que o Prefeito Axel Grael alterou o Decreto de Transição para o Novo Normal, publicado nesta quarta (27) no Diário Oficial. A medida muda o tratamento das escolas, que antes só deveriam abrir quando a cidade chegasse ao estágio de alerta Amarelo- 2. Agora, as escolas podem funcionar também no sinal mais grave, o Laranja, de alerta máximo. A medida tem divido opiniões entre pais de alunos e professores. Enquanto alguns acreditam que o retorno às aulas presenciais seja adequado devido à convivência social e ao rendimento escolar, outros consideram que o retorno é precoce, com o aumento de casos de contaminação por Covid.


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De acordo com o decreto, o retorno das atividades presenciais na rede privada de ensino do Município de Niterói será fiscalizado pelos órgãos de controle para esse fim, que ficará responsável também por orientar a implementação das medidas preventivas de contágio estabelecidas no Plano de Transição. Em caso de agravamento da crise sanitária ou se for constatado o descontrole do contágio da Covid em unidades específicas, independente da alteração de bandeira no sistema de vigilância epidemiológica, fica definido que o Município poderá determinar a suspensão parcial ou total das atividades presenciais das unidades de ensino. O objetivo da medida é considerar as escolas públicas e privadas, da Educação Infantil e Ensino Fundamental e Médio entre as atividades essenciais. Enquanto parte da rede particular planeja o retorno de suas atividades presenciais na próxima segunda, a rede pública só deve voltar em março.


Pais de alunos e professores apresentam opiniões divergentes


Avó de um aluno de escola da rede particular de ensino, Nelma Alves acredita que na atual circunstância é preciso entender que a necessidade da escola, para os jovens, é extremamente importante e que é possível aliar cuidados sociais e higiênicos. Ela destaca como exemplo a redução do número de alunos, a alternância de dias de presença, de professores para os mesmos alunos e reforça a importância dos professores estarem com seus equipamentos de proteção. Nelma ressalta também a importância dos professores reforçarem em todas as aulas a necessidade da higiene total: em sala, em casa e na rua.


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- Acho positivo o retorno. Não é possível condenar as crianças mais novas, sobretudo, ao isolamento quando seus pais têm que sair para trabalhar ou as deixam de lado para resolver seus afazeres. Se podem se aglomerar em praias, seus filhos sofrem de alguma maneira, longe das regras higiênicas, que, com certeza, seriam mais efetivas nas escolas. A consciência e participação de pais e professores na educação e proteção dos jovens podem ser excelentes aliados na mudança de comportamento dos adultos. A informação sobre o lidar com a pandemia que levam para casa pode ajudar a todos. Alguma coisa tem que ser feita agora e não postergar indefinidamente o aprendizado de nossos jovens.


Vânia Pereira, mãe de um aluno do Colégio La Salle Abel, também acredita que a medida do retorno das aulas presenciais seja acertada. Segundo ela, o isolamento causa um grande impacto negativo na saúde mental do adolescente, visto que a sua identidade pessoal e social dependem também do aprendizado com seus relacionamentos fora de casa, como os amigos da escola. Ela diz que é necessária uma reformulação da rotina de isolamento com cuidados e criatividade para ocupar o adolescente onde ele tenha um "descanso das telas", já que as horas dedicadas ao computador e celular atrapalham todo o seu comportamento cognitivo, como concentração, memória, paciência e disciplina.


- As aulas online prejudicaram o ensino e faltou conteúdo, como aulas de laboratório, biblioteca, passeios culturais, além de ser muito cansativo passar cinco horas em frente ao computador. O modelo híbrido de ensino seria uma nova fase ao retorno e acho que vale a pena tentar. Sou a favor do retorno às aulas presenciais com todos os cuidados de higiene e proteção ao outro e, claro, a nível de experiência. Sabendo que, se o contágio aumentar, é possível voltar atrás e reorganizar tudo isso. Fato é que o vírus existe e precisamos ter cuidados ao quais não estávamos habituados – afirmou.


Uma professora da rede privada, que preferiu não se identificar, diz também ser a favor do retorno das aulas presenciais, pois acredita que o ensino à distância para Educação Infantil é comprometedor, já que alunos dessa faixa etária necessitam trabalhar o desenvolvimento global e isso não é possível com a distância.


- O retorno deve ser gradativo, responsável e seguro. Mas o fato é que muitos alunos desenvolveram, nesse ensino remoto, obesidade, ansiedade e depressão. A maioria dos pais voltou a trabalhar e a criança fica com babá, avós, entre outros. Com custo a mais, a solução dos pais é retirar o filho da escola, principalmente se for da Educação Infantil, gerando desemprego dos professores e funcionários de creches. Tenho visto várias crianças indo para o judô (luta de contato direto), futebol, natação, cinema (lugar fechado)... Por que não retornar às aulas presenciais? - destacou.


Segundo uma professora de inglês de rede particular, que também preferiu não se identificar, o retorno às aulas presenciais em meio a uma pandemia ainda sem controle é um assunto que causa muita controvérsia.


- É óbvio que o convívio social e a socialização são fundamentais para o desenvolvimento das crianças e a saúde mental dos adolescentes. É na escola que as crianças aprendem que o mundo não gira em torno delas e onde elas irão vivenciar pela primeira vez alegrias e frustrações. Além disso, há crianças com dificuldades de aprendizagem que não se adaptam ao formato remoto. Como professora, poderia ficar aqui horas enumerando todos os pontos positivos das aulas presenciais. No entanto, na minha opinião, o mais importante é a vida! Estas crianças e adolescentes têm pais e avós que podem ser contaminados. Os professores e funcionários da escola também. Isto não é uma teoria, aconteceu na Europa e nos Estados Unidos - ressaltou a professora.


Escolas particulares falam sobre retorno presencial


A direção do Colégio La Salle Abel informa que desde o início da pandemia da Covid segue as determinações indicadas pelos órgãos de saúde e atende às deliberações da Prefeitura de Niterói, conforme orientado pelo Comitê Científico. Em nota, o colégio afirmou que segue todos os protocolos de higienização e sanitização e realiza uma série de medidas que visam à proteção de todos, dentre elas, a testagem dos professores e funcionários envolvidos diretamente com os alunos.


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O início do ano letivo da escola está previsto para o dia 8 de fevereiro, seguindo as deliberações dos órgãos competentes. O colégio ainda informa que realizará, antes do início do ano letivo, uma nova pesquisa para o levantamento das famílias que optarão pelo retorno presencial. “As deliberações atuais não autorizam a presença de 100% do efetivo escolar, ou seja, após o resultado da pesquisa, ultrapassando o percentual autorizado, são previstos rodízios para evitar aglomerações”, destacou a assessoria em nota.


O colégio pH também planeja seu retorno para o dia 8 de fevereiro. A diretora das três unidades do pH em Icaraí, Cristiane Teixeira, afirma que a medida é acertada devido à saúde emocional e relacional das crianças. A diretora diz que há um melhor desempenho dos alunos quando estão inseridos no contexto da sala de aula e reforça que é um atraso muito grande quando as crianças não podem dar sequência a um ano letivo. A escola retornará com todos os segmentos: Fundamental I, II e Ensino Médio.


O Instituto GayLussac também retomará suas atividades escolares em fevereiro no modelo híbrido ou presencial. Segundo a diretora geral da escola, Luiza Sassi, o importante é continuar respeitando os protocolos estabelecidos pela Secretaria de Educação junto com a Secretaria de Saúde da cidade, que, de acordo com a diretora, constrói diretrizes rigorosas e bem feitas.


Durante a live da Prefeitura desta segunda (25), o Secretário de Educação, Rodrigo Oliveira, afirmou que, de acordo com os indicadores específicos feitos para elaborar a pandemia da Covid na comunidade escolar, não foi identificado nenhum surto que justificasse o fechamento das escolas.


- Os casos que aconteceram foram isolados e nenhum envolveu estudantes. Esse cenário junto ao conhecimento científico e à experiência internacional de países que prioriozaram no processo de retomada a educação fazem com que a gente reposicione a educação, considerando-a como serviço essencial. Tanto a Ordem Pública, quanto a Vigilância Sanitária vão seguir com a fiscalização intensiva para o cumprimento dos protocolos – declarou o secretário.


Na semana passada, o A Seguir Niterói publicou o debate gerado entre especialistas de Saúde e Educação quanto ao retorno presencial das escolas. Enquanto alguns acreditam que ele seja possível, desde que monitorado e de forma gradual, há especialistas da área de saúde que acreditam que seja precoce devido ao risco que o retorno presencial envolve. Pais de alunos e professores também levantam alguns pontos relativos à segurança e à saúde mental de crianças e adolescentes.