Projeto de Niterói SOS Coronavírus é reconhecido pela ONU

Trabalho de assistência social garante higiene e alimentos durante a pandemia

Por Carolina Ribeiro


Aos 26 anos, o niteroiense Raphael Costa é coordenador da Pastorais Sociais da Arquidiocese de Niterói e representa a cidade na ONU. Foto: Divulgação


Niterói tem um representante na ONU. Raphael Costa, de 26 anos, é nascido e criado na cidade. Formado em Direito pela UFF, atua desde os 17 anos em pastorais sociais e hoje é coordenador da Pastorais Sociais da Arquidiocese de Niterói. Ele foi o primeiro niteroiense a ser chamado para participar das sessões do Conselho Econômico e Social e da Plenária da ONU pela Juventude, reunião que aconteceria em março deste ano em Nova York, nos Estados Unidos. O encontro foi adiado para o ano que vem e levará em consideração os reflexos da pandemia do Covid-19 no mundo, período que acentuou as desigualdades sociais e o desemprego.


Desde a primeira semana de pandemia, a Pastorais Sociais está organizando a campanha SOS Coronavírus, que visa a distribuir cestas de alimentos e kits de higiene para comunidades de periferia. São cerca de 200 quentinhas distribuídas diariamente. Ao todo, já ajudou com 10 mil quentinhas e 8 mil cestas de alimentos a população mais carente. A campanha foi um dos projetos selecionados para concorrer ao Fundo do Programa de Desenvolvimento da ONU, que auxilia projetos de combate à fome ao redor do mundo.

Em entrevista ao A Seguir: Niterói, Raphael Costa conta como foi ter o trabalho reconhecido pela ONU e diz que a SOS Coronavírus continua enquanto durar a pandemia.


A Seguir: Você é coordenador da Pastorais Sociais da Arquidiocese de Niterói. Como começou a sua relação com a religião e esse caminho para chegar a coordenador da pastoral? Qual a importância deste trabalho?

Raphael Costa: Desde a Jornada Mundial da Juventude, passei a me engajar mais com as pastorais, principalmente pela inspiração do Papa Francisco. Ele é uma referência de solidariedade, fé e promoção da paz. Portanto, desde os 17 anos eu atuo com pastorais sociais, começando pela pastoral do Povo de Rua, prestando assistência humanitária para as pessoas em situação de rua, e depois visitando toda terça-feira o presídio Edgar Costa com a Pastoral Carcerária.


Como é a sua atuação nas organizações sociais do Instituto Dom Orione e a Caritas Internationalis?

Já atuei em diversas frentes, desde a gestão de projetos sociais até a consultoria nacional. Também já estive à frente de eventos, programas, campanhas. Desenvolvi projetos no Brasil e na África de combate à fome e à pobreza, e também atuei com povos indígenas, assentamentos rurais, cooperativas de mulheres artesãs e com crianças. Além disso, também criamos uma rede de pré-vestibular social que já ajudou mais de 500 jovens a entrarem nas universidades, pois acreditamos que o acesso à educação é o principal caminho para o desenvolvimento social.

Você lembra como surgiu o seu gosto por essa área humanitária de ajuda ao próximo? O que sente realizando este tipo de trabalho?

Acredito que todos nós temos um propósito nesta vida, e somos chamados a uma missão. Sempre me engajei em projetos, desde adolescente, mas o momento crucial para decidir dedicar minha vida a esse trabalho foi coordenar as pastorais da juventude, na qual eu lidava diariamente com grupos de jovens das periferias. Estar a serviço do outro é algo que faz a vida ganhar sentido, então me sinto realizado enquanto ser humano, apesar das muitas dificuldades e desafios que esta caminhada traz.

Durante a pandemia, a Pastorais Sociais está realizando uma grande campanha de arrecadação de alimentos e kits de higiene para a população, a SOS Coronavírus. De onde surgiu essa ideia? A campanha continua? Quanto já foi arrecadado?

Logo na primeira semana de pandemia iniciamos um trabalho para levar cestas de alimentos e kits-higiene para comunidades de periferia, e também distribuímos 200 quentinhas todos os dias. O efeito da pandemia na vida das pessoas foi imediato, pois muitas ficaram desempregadas e sem ter o que comer. No total, já passamos de 10 mil quentinhas e 8 mil cestas de alimentos. Nós entregamos as cestas para cerca de 20 instituições, como a Apae, a Pastoral da Criança, creches e orfanatos, e estas instituições que fazem a distribuição para o público. Continuaremos com a campanha enquanto perdurar a pandemia.


Você foi o primeiro niteroiense a ser chamado para participar das sessões do Conselho Econômico e Social e da Plenária da ONU pela Juventude neste ano, que visava ao desenvolvimento de ações para a redução das desigualdades sociais e políticas públicas para garantia de direitos humanos. Como aconteceu esse convite?

A reunião foi adiada para 2021 em virtude da pandemia. O convite veio por conta da minha atuação do Comitê de Infância e Juventude da ONU, no qual atuo desde 2017 contribuindo na mediação e articulação para construção de acordos e pactos humanitários internacionais. A reunião do Conselho Econômico e Social da ONU vai ser muito importante para que os países encontrem caminhos de superar as grandes crises causadas pela pandemia. A cooperação internacional já tem sido fundamental para fornecer apoio humanitário e sanitário aos países mais pobres e também é o caminho para a construção de pactos globais. Precisamos de um novo modelo econômico e social que priorize a dignidade da vida humana e a sustentabilidade.

Mas essa não foi a primeira vez que o seu trabalho na Pastorais Sociais foi reconhecido pela ONU. Você já foi convidado para outras reuniões e agora a campanha SOS Coronavírus foi um dos projetos selecionados para concorrer ao Fundo do Programa de Desenvolvimento da ONU. Como funciona este fundo? Como é ter o seu trabalho reconhecido pela ONU?

O Fundo auxilia diversos projetos do mundo que estão enfrentando a fome e os demais efeitos da pandemia. Ter sido selecionado foi uma grata surpresa, que encaramos com muita responsabilidade e alegria, pois o aumento da visibilidade ajuda a angariarmos mais doações. Ser selecionado pela ONU também reforça a credibilidade do projeto, pois temos um controle muito rigoroso para a prestação de contas, transparência e impessoalidade. O resultado da seleção está previsto para o fim do mês.

Acredita que Niterói desempenhou um bom papel frente à pandemia do Covid-19? O trabalho continua?

Sim, Niterói tem sido uma das grandes referências nacionais no combate à pandemia. Os índices provam que as medidas de isolamento social, auxílio emergencial para os pobres e suporte financeiro às empresas é o tripé que os gestores públicos deveriam focar para enfrentar a crise. Nosso maior desafio agora é gerar emprego e renda, pois a pandemia agravou as desigualdades sociais.


Quem quiser contribuir com a campanha SOS Coronavírus da Pastorais Sociais pode doar alimentos no Centro Pastoral (Avenida Taubaté, s/n, em São Francisco), das 9h às 17h, ou depositar na conta bancária (Santander - Agência: 4331, Conta Corrente: 13003634-3, CNPJ: 30.142.319/0001-12). Mais informações pelos números (21) 98877-1554 ou (21) 98053-0553 e nas redes sociais (facebook.com/arquidiocesedeniteroi).




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