Projeto propõe transformar menor infrator em guia turístico em Niterói

Atualizado: 12 de Dez de 2020

"Fábrica de Sonhos e Turismo" foi elaborado por Gabriela Nasser a partir de uma experiência pessoal

Gabriela Nasser, autora do projeto premiado

Uma missão voluntária que se transformou na conquista, literalmente, de um prêmio. É dessa forma que a jornalista e produtora cultural Gabriela Nasser narra a experiência em ter seu projeto, o "Fábrica de Cultura e Turismo", como vencedor do Prêmio Érika Ferreira de Criação de Desenvolvimento, elaborado pela Fundação de Arte de Niterói e Secretaria Municipal de Cultura. O projeto consiste em transformar o menor em estado de vulnerabilidade social em guia de turismo infanto-juvenil, com cachê que deve ser oferecido pelo governo e até pelos turistas assistidos. Mas para isso acontecer, é necessário que a criança ou o adolescente beneficiado pela iniciativa esteja devidamente matriculado na escola. Além disso, a ideia Inclui a confecção dos displays de apresentação dos dados da cidade de Niterói em aulas de artes. A produção seria uma tarefa elaborada para a Secretaria de Cultura, em parceria com Turismo e Ação Social. Para isso, seriam criados determinados espaços físicos onde mães e filhos se encontrariam para fazer as vitrines demonstrativas. Segundo Gabriela, isso também daria um "contato motivador" com as artes, e ajudaria a ocupar o tempo com coisas produtivas, deixando os futuros guias fora das áreas de risco, além da proximidade das mães com filhos, trazendo afeto, consciência e responsabilidade em uma missão criativa. Ela ainda explica que algumas dessas mães também podem ser beneficiadas com essa iniciativa através de um planejamento de resgate social, sendo que nesses casos o foco é no atendimento para quem é alcoólatra, ou tem outro vício. Um outro ponto citado no projeto é o desenvolvimento da mentalidade profissional para quem for contemplado, pois de acordo com a jornalista, a iniciativa permitirá o pagamento através de um cachê da Prefeitura.

Experiência pessoal como motivação para criar o projeto Em conversa com o A Seguir: Niterói, Gabriela explica que a inspiração foi através de uma experiência missionária particular. Evangélica, ela recorda que sentiu a vontade de desenvolver algo a respeito quando conheceu, em 2008, uma adolescente de 13 anos chamada Sara, moradora da comunidade da Grota. - Ela esmolava desde muito cedo para conseguir comer e se acostumava com a liberdade das ruas e lugares abertos. Infelizmente, a família dela não tinha renda formal e vivia num cômodo dividido com oito pessoas. As necessidades de sobrevivência batiam de frente com o currículo escolar obrigatório. Como ir à escola se a família está passando necessidades? Como prestar atenção na aula? A conta não fechava e a sobrecarga de sua realidade fez ela se envolver com pessoas de mais idade, já independentes financeiramente e, infelizmente, usuários de drogas - recorda Gabriela, que levou a garota para a própria casa, com a autorização dos pais dela, Wanderlei e Mônica. Mas a experiência inicial se mostrou bem difícil. Por causa dos efeitos do primeiro contato da menina com o crack, Sara não conseguia acompanhar as aulas de reforço escolar no Centro de Cooperação para o Desenvolvimento da Infância e Adolescência. As fugas foram muitas, mas Gabriela persistiu e, com a ajuda de amigos que ofereceram doações financeiras, de roupas, sapatos e outros itens, ela foi aprendendo a lidar melhor com a situação. O resultado de tanta persistência deu certo, gerando o projeto premiado. Atualmente Sara tem 24 anos e é mãe de dois filhos. Baseando-se nesse exemplo de superação, Gabriela cita que Niterói ainda tem muitos problemas do tipo que precisam ser resolvidos, mas ela defende que trabalhos como o que é desenvolvido pela Primera-dama Fernanda Sixel devem ser ampliados na cidade em busca da solução desse problema - Niterói ainda tem problemas de população em vulnerabilidade social. Mas, muito já se avançou. Não podemos esquecer dos hotéis oferecidos para a população de rua e que a esposa do prefeito Rodrigo Neves, Fernanda Sixel, tem um olhar para as causas dos menos favorecidos, tendo feito um bom trabalho com a ONG Niterói Mais Humana, que agora se tornou um movimento - conta Gabriela, que pretende incluir o menor vulnerável em mais políticas públicas e alcançar a visibilidade que este segmento necessita - explica a vencedora do prêmio, que enfatiza que tornar real projeto é "um processo ainda a ser iniciado".





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