"Qual escola cabe em uma tela?"

Para doutora em Educação, pandemia de Covid mostra que escola é indispensável e que família não substitui o professor


Por Renato Guima


Karla Righetto, doutora em Educação e diretora do Infanzia. Foto: Divulgação


A educação foi sacudida pela pandemia do novo coronavírus. Com escolas fechadas, o ensino remoto foi uma das saídas, e os pais das crianças foram chamados a participar. "Mais do que nunca é necessário o exercício da empatia", diz a professora Karla Righetto, doutora em Educação, orientadora educacional da UFRJ e mãe de Roberta, de 9 anos. Diretora pedagógica da Infanzia Educação Infantil e Fundamental, em Niterói, Karla diz acreditar que a conexão virtual com alunos e famílias reforça laços para que escolas sejam ainda mais acolhedoras, quando o vendaval passar.


Qual o papel dos professores na pandemia?


Nós, educadores, jamais enfrentamos algo desta natureza. Em pouco tempo, tivemos que reinventar nosso trabalho, principalmente aqueles que lidam com crianças, para garantirmos o direito à educação delas e mantermos nossos vínculos com as famílias.

Como tudo e todos, escolas foram afetadas. O que fazer para seguirem atuantes?

Hoje, a pergunta que fazemos é: qual escola cabe em uma tela? A escola é o local do encontro, da integração, do estar com o outro. A partir do momento em que nossa única forma de conexão e interação é o remoto, cabe a nós, profissionais da educação, pensarmos e criarmos formas de estarmos com as crianças, os jovens e as famílias neste momento. Seja pela garantia de se manter, não de forma ideal, mas necessária, um vínculo com a aprendizagem, e pela certeza de que logo todos estarão juntos novamente. Como educadores, precisamos ter essa perspectiva de futuro, ajudando tanto famílias quanto crianças a entenderem que a pandemia vai passar.


E todos os pais têm entendido isso?


As escolas foram afetadas de várias maneiras. Principalmente, em relação ao que os pais entendem como espaço de educação. Neste momento, vimos algumas falas como se a escola fosse dispensável. Isso é, ao meu ver, muito grave para a educação. A família não substitui o professor. Temos uma formação específica, uma série de discussões teóricas e metodológicas que nos habilita a estar no lugar de quem ensina. Essa discussão não se pode perder. Ao inserirmos o ensino remoto como complementar, neste momento de isolamento social, não podemos esquecer nosso papel e o papel dos pais.


O que eles podem aprender na crise?


O que nós estamos aprendendo é a conviver. Conviver com o outro. Mais do que nunca é necessário o exercício da empatia, do cuidado, do estar em sua casa para defender a vida. Jamais fomos chamados a pensar sobre a questão da coletividade. Não tivemos essa aprendizagem em nossa infância. E isso tem que ter um valor. Estamos também aprendendo a cuidar das nossas casas e do planeta. Temos pensado mais sobre isso. Acredito ser um momento único de nos tornamos mais cuidadosos e responsáveis com a vida.


E como professores podem ajudar a equilibrar as emoções das crianças, numa futura volta à sala de aula?


Mais do que nunca é preciso estarmos juntos. Famílias e escola. Remotamente, já temos feito isso, para o bem das crianças.

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