Quiosqueiros se queixam da falta de aviso prévio da Prefeitura e temem prejuízos de até 90%

Presidente da Associação dos Quiosqueiros de Niterói fala em perda de até 500 cocos por quiosque só em Icaraí


Por Gabriel Gontijo

Quiosque da Praia de Icaraí está fechado desde sexta-feira. Foto: Sílvia Fonseca


Quiosqueiros de Niterói reclamam que a decisão da Prefeitura em fechar os quiosques como medida restritiva de combate ao avanço da Covid não teve nenhum tipo de aviso com antecedência. Por isso, os profissionais da área calculam os prejuízos já no primeiro fim de semana após o decreto publicado no Diário Oficial na sexta-feira (5).


Veja mais: Niterói inaugura toque de recolher


Para a presidente da Associação dos Quiosqueiros de Niterói, Regina Abreu, o prejuízo pode chegar até a 90%. Ela explica que os quiosques já estavam abastecidos de mercadoria para o fim de semana, e que o anúncio do decreto colocou no lixo praticamente todos os cocos que seriam comercializados na Praia de Icaraí.


- A rotina de trabalho está extremamente difícil e agora nos vemos obrigados a fechar compulsoriamente mais uma vez e sem nenhum aviso prévio. O fato é que o decreto foi na sexta e todos estavam abastecidos de mercadorias para o final de semana.

Novamente teremos um prejuízo estimado de 90% Os quiosques de Icaraí, que trabalham basicamente com coco, que é um produto mais facilmente perecível, vão ter uma perda aproximada de 300 a 500 cocos para cada quiosque - reclama a presidente.


Leia também: Com novas restrições, veja o que está permitido nas praias de Niterói


Outro profissional do ramo, João Paulino, responsável por um quiosque em Boa Viagem, admite que "já esperava o pior". Responsável não apenas pelo local como também pelo pagamentos de três funcionários que trabalhavam com ele, o quiosqueiro afirmou que foi contemplado com um dos benefícios sociais dados pela Prefeitura aos profissionais que ficaram sem trabalhar durante o auge da primeira onda, mas admite que isso não é suficiente para ajudar as outras pessoas que colaboram com ele nesse comércio.


- Não tem outro jeito, a gente tem que aguardar passar esses 15 dias do decreto. O problema é fechar tudo de vez, pois se fosse para funcionar em um turno, ou de dia ou de noite, como nos bares e restaurantes, seria uma forma da gente sobreviver. Agora fechar tudo fica muito difícil - lamenta Paulino.


O vereador Paulo Eduardo Gomes (Psol) afirma que vai preparar um ofício à Prefeitura de Niterói pedindo para que o Executivo possa dialogar com a categoria. Ele afirma que não é contrário à rigidez dos protocolos sanitários, mas alega que é necessário buscar um consenso com os quiosqueiros para garantir, ao menos, um funcionamento parcial desses estabelecimentos.


- É uma covardia a forma como o governo vem tratando os quiosqueiros. O fechamento das praias não necessariamente obriga o fechamento de quiosques. Existem praias com características diferentes, com atendimentos diferenciados, que atendem moradores da orla e pedestres que utilizam esse mesmo local para pegar transporte público, por exemplo. A maioria vende água de coco e pequenos lanches, algo permitido nos comércios próximos, mas não permitido no quiosque. É preciso ouvir a categoria e construir um protocolo que impeça o atendimento na praia, mas permita o atendimento para pedestres nos calçadões, como acontece com os vendedores de cachorro quente. Diferente inclusive dos bares e restaurantes, esta é uma categoria que ficou de fora do Empresa Cidadã e do Niterói Supera. O auxílio emergencial sozinho não garante a sobrevivência destes trabalhadores. Vamos cobrar uma nova reunião com a Secretaria de Saúde e a Ordem Pública para buscar uma forma de garantir o trabalho dos quiosqueiros, mas dentro de um protocolo rígido de segurança sanitária - afirmou Paulo Eduardo.