Volta às aulas em Niterói divide especialistas de Saúde e Educação

Atualizado: Jan 22

‘O maior trânsito de pessoas favorece a disseminação do vírus e o surgimento de variantes com maior potencial de transmissão', diz especialista


Por Livia Figueiredo

Após a decisão da Prefeitura de Niterói de permitir que as escolas privadas retomem as aulas presenciais do Ensino Médio, Fundamental e Infantil, de acordo com seus calendários, já há escolas particulares da cidade que planejam retorno para fevereiro. No entanto, a Prefeitura ainda não estabeleceu nenhuma data. Mesmo diante do aumento de casos de contaminação por Covid-19 e internação em leitos hospitalares, as escolas da rede pública, inclusive da Educação Infantil, também estão previstas para retornar com suas atividades presenciais em meados de março. Ainda está sendo discutido como a medida será implementada.


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Conforme já noticiado aqui no A Seguir: Niterói, a medida anunciada pelo prefeito Axel Grael durante uma live na última segunda-feira (18) autoriza que as escolas reabram tanto no sinal Laranja, de alerta máximo, quanto no sinal Amarelo Nível 2, estágio em que a cidade se encontra. Segundo Axel Grael, a decisão de reposicionamento da atividade educacional como uma atividade essencial é baseada em experiências das áreas científica e acadêmica.


Desde então, a medida tem sido motivo de discórdia em setores da educação e saúde. Enquanto o Sindicato das Escolas Particulares (SINEPE) acredita que o retorno às atividades presenciais seja possível, desde que ele seja monitorado e seja realizado de forma gradual, há especialistas da área de saúde que afirmam o enorme risco que o retorno presencial envolve, já que entre professores e demais funcionários das escolas podem existir pessoas do grupo que têm maior risco de desenvolver casos graves pelo SARS-COV-2.


- Acho complicada esta questão do retorno das atividades presenciais em escolas levando em consideração as condições epidemiológicas da atualidade. O maior trânsito de pessoas favorece a disseminação do vírus, e o surgimento de variantes com maior potencial de transmissão e disseminação, como está acontecendo agora. Algumas escolas privadas do Rio que retornaram no ano passado acabaram fechando novamente devido aos novos casos, mesmo adotando todos os cuidados em relação ao distanciamento, uso de máscaras e à divisão das turmas em grupos com dias de aulas presenciais alternados – explica a professora de Virologia do Departamento de Microbiologia e Parasitologia do Instituto Biomédico da UFF, Rita Cubel.


Ela também ressalta que o aumento de circulação de pessoas pode contribuir para a transmissão do vírus, principalmente para os que usam o transporte público. Além disso, deve-se considerar que estes alunos também podem levar o vírus para as respectivas casas e alguns deles podem morar com pessoas do grupo de riscos, como idosos ou pessoas que apresentam comorbidades.


Nesse sentido, a especialista aponta que um retorno mais seguro só seria possível com a vacinação dos professores e funcionários das escolas - mesmo que existam casos graves em crianças e adolescentes, estes em menor proporção quando comparados com a população em geral.


- Ao mesmo tempo o Brasil foi o país que deixou as escolas fechadas por mais tempo quando comparado com outros e isto trouxe um prejuízo enorme para as crianças e adolescentes, pois muitos não têm acesso digital ou mesmo condições em casa para se dedicarem aos estudos, então isto também tem que ser levado em consideração - pontua.


Ela diz que é uma decisão difícil já que ainda não temos certeza quando teremos doses disponíveis para vacinar os profissionais da área da educação. Mesmo que as escolas atendam às exigências sanitárias, haverá maior exposição e maior risco de contaminação. Por outro lado, manter as escolas fechadas é um enorme prejuízo para os estudantes, devido a questões como o convívio social e o psicológico.


Em nota, o SINEPE declara que apoia a medida da Prefeitura e afirma que é possível um retorno seguro e gradual das aulas presenciais.


“Apoiamos o posicionamento da Prefeitura e aguardamos a publicação do decreto autorizando o retorno das aulas presenciais de todos os segmentos, a partir do início de fevereiro, como habitualmente acontece. As escolas particulares estão prontas para retomarem as aulas presenciais, cumprindo todos os protocolos de segurança”.