Rodoviários de Niterói fazem greve por vacina, depois de 50 mortes por Covid

Atualizado: Abr 24

Categoria reclama a não inclusão nas prioridades da vacinação; paralisação na segunda (26) atinge Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e Tanguá


Por Livia Figueiredo

Sintronac anuncia greve para próxima segunda-feira (26) / Foto: Divulgação


A diretoria do Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac) anunciou uma greve para a próxima segunda-feira, 26 de abril. A paralisação será de ônibus das cidades de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e Tanguá. A mobilização está marcada para segunda-feira pela manhã no Terminal Rodoviário João Goulart, no centro de Niterói e envolverá trabalhadores das empresas com base nos municípios. Embora a categoria seja classificada como serviço essencial, os rodoviários questionam a não inclusão no grupo de prioridade de vacinação contra Covid-19. Eles alegam que correm risco diário no seu ambiente de trabalho e que a alta exposição ao vírus já levou 51 funcionários ao óbito até esta sexta feira (23), considerando funcionários apenas da área de atuação do Sintronac. Calcula-se que entre 25 a 30% dos funcionários sejam de Niterói.


O presidente do Sintronac, Rubens dos Santos Oliveira, afirma que os rodoviários estão sendo postos à margem da imunização em municípios importantes para o estado do Rio de Janeiro. Em nota, a diretoria do Sintronac comemorou a conquista dos companheiros do Rio de Janeiro, que foram incluídos nesta quinta-feira (22), na lista de profissionais prioritários para vacinação contra o Covid-19, conforme anunciado pelo Prefeito Eduardo Paes. No entanto, lamenta que, até agora, a categoria não tenha sido contemplada por medida similar nos municípios de sua área de atuação.


Leia mais: Postos abrem para a segunda dose da vacina; Prefeitura apela para moradores não perderem a data


Em um comunicado, o Sintronac destacou que a Prefeitura do Rio cumpriu com a priorização da categoria para imunização, determinada pelo Plano Nacional de Vacinação e Lei já sancionada no estado, tendo em vista que os ônibus são potenciais vetores de transmissão do coronavírus. De acordo com o pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Yuri Oliveira de Lima, os rodoviários formam a segunda categoria com maior probabilidade de contágio, perdendo apenas para os profissionais do setor de saúde.


- Sem dúvidas, a saúde é a área mais afetada, pois esses profissionais estão na linha de frente no cuidado com os doentes. Porém, o setor de transporte é a segunda categoria com maior risco. Falamos de 60% a 65% de probabilidade de contágio quando é abordado o setor administrativo das empresas e de 71% para motoristas e cobradores - afirma o pesquisador, que é membro do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da UFRJ.


O presidente do Sintronac, Rubens dos Santos Oliveira, questiona porque São Paulo e Rio de Janeiro já incluíram os rodoviários no grupo prioritário e cidades da Região Metropolitana, importante polo de desenvolvimento do estado, ainda não seguiram esse caminho. Ele diz que, caso a categoria seja inclusa, o impacto no quadro geral de vacinação não será grande.


Levantamento do Sintronac junto às empresas de ônibus dos cinco municípios revela que a vacinação dos rodoviários não impactaria no quadro geral de imunização da população pelo pequeno número de doses necessárias para atender à categoria, levando em consideração o universo populacional de cada cidade. Em Niterói, seriam necessárias 3.443 doses para os rodoviários de 12 empresas; em São Gonçalo, 7.147 profissionais em 14 viações; em Maricá, 1.226 em uma companhia; em Itaboraí, 263, também em uma empresa; e, em Tanguá, sete vacinas para os rodoviários de uma viação.


Dos municípios da área de atuação do Sintronac, apenas Niterói tem buscado um diálogo com a categoria. Nesta quinta-feira (22), o coordenador de Trabalho e Renda da Prefeitura, Brizola Neto, se reuniu com Rubens Oliveira e com o diretor do Fórum Intersindical do Leste Fluminense, José Juvino Filho, na sede do sindicato, no centro da cidade.


Brizola Neto recebeu a solicitação dos sindicalistas para que os rodoviários sejam considerados grupo prioritário para vacinação na cidade e uma carta, que reivindica a inclusão de uma representação sindical no Gabinete de Crise, instaurado para fazer frente à pandemia do coronavírus.


- São os trabalhadores que estão na ponta da pandemia, tanto por sua exposição ao contágio, quanto por sua necessidade de atendimento na rede pública de Saúde. Portanto, ninguém melhor do que sua representação sindical para apoiar a municipalidade no planejamento de políticas para o enfrentamento deste mal, que já ceifou milhares de vidas e sobrecarregou o sistema público em toda sua amplitude - concluiu Juvino.


Leia também: Mortes por Covid entre pessoas de 20 a 29 anos cresceram 1.000% de janeiro a abril