Sabia que Niterói tem duas estátuas bem diferentes de Arariboia?

Uma todo mundo conhece, a da estação das barcas; a outra foi "escondida" no morro de São Lourenço


por Gabriel Gontijo


O Arariboia "aportuguesado" do morro de São Lourenço

O índio Arariboia, em frente à estação das barcas

Quem passa pela Centro de Niterói, na Praça Arariboia, encontra a estátua do índio, diante da estação das barcas. Herói da cidade, era cacique da tribo Temiminó, que ajudou os portugueses na guerra contra os invasores franceses, liderados por Nicolas Durand de Villeganon. Arariboia lutou ao lado das tropas portuguesas lideradas por Estácio de Sá e foi decisivo ao derrotar os Tamoios, que apoiavam os franceses e eram inimigos de sua tribo.


Por sua bravura, Arariboia ganhou as terras do "outro lado" da baía de Guanabara do então governador-geral Mem de Sá e foi rebatizado com um nome português, Martim Afonso de Souza. Não era apenas um reconhecimento: os portugueses temiam que a tribo de Arariboia voltasse ao Espirito Santo e os domínios portugueses fossem novamente atacados pelos franceses e Tamoios.


A história é bem conhecida por muitos, mas o que alguns talvez não saibam é que a estátua que homenageia o índio não é a primeira feita em memória Arariboia. Em 1915, a praça contou com um busto erguido como referência a Arariboia. Na ocasião, o então prefeito Otávio Carneiro inaugurou a obra feita pelo escultor Modestino Kanto exatamente em um dia 22 de novembro, o aniversário da cidade.

Feita de bronze sobre um pedestal de granito, a obra deixou o local em 1965 e foi para o alto do Morro de São Lourenço, na Praça General Rondon, de frente para a Igreja de São Lourenço dos Índios. E desde então, quem ocupa o lugar do "primeiro" Arariboia é o atual, que é "cumprimentado" sempre que alguém desembarca no local após a travessia de barca.


Mas qual foi a razão para a mudança da estátua? Segundo a jornalista e pesquisadora da História de Niterói Irma Lasmar, a alteração se deu por causa de um movimento ufanista a favor do Brasil


-Na verdade, por causa de um arroubo ufanista de resgatar as origens brasileiras, resolveram fazer uma outra estátua, a atual, por ser uma representação indígena. Isso porque Arariboia foi representado como um branco na primeira estátua por causa do nome português pelo qual ele foi batizado, que era Martim Afonso de Sousa. Daí, em 1965, fizeram uma nova estátua para representar o nativo, o primeiro habitante de Niterói - explica Irma.

Uma outra curiosidade, dessa vez nem tanto em relação à estátua, mas a respeito da praça, é que poucos anos antes da mudança da figura simbólica aconteceu um levante popular contra o mau serviço prestado pelas empresa concessionária das barcas, a Cantareira, em 1959. Tal fato até hoje é conhecido como "A Revolta das Barcas" e teve a Praça Arariboia como principal local de confronto entre manifestantes e as forças de segurança do estado do Rio, cuja a capital era Niterói à época. Aliás, na época, a praça se chamava Martim Afonso.


Embora alguns façam piadas sobre o fato da estátua estar virada para a Rua da Conceição, tal situação não foi pensada por acaso. Isso se deve ao simbolismo de que Arariboia está de olho na Baía de Guanabara vigiando tudo o que acontece e pronto para defender Niterói.