Secretários de Saúde pedem toque de recolher e dizem que país vive pior momento da Covid

Conselho dos Secretários dos Estados também defende fechamento de praias e bares, suspensão das aulas presenciais e de eventos religiosos

Momento é de extrema preocupação com a pandemia e os recordes de mortes. Foto Reprodução


Junto com o alerta de que o Brasil enfrenta o pior momento da pandemia de Covid-19, com recordes seguidos de mortes e colapso no sistema de saúde, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) defendeu, nesta segunda-feira (1/3), que o país adote medidas de restrição mais duras, com toque de recolher nacional das 20h às 6h, incluindo fins de semana. Nas regiões onde a taxa de ocupação de leitos de UTI já passa de 80%, pedem também um lockdown, com permissão apenas para atividades essenciais.


Leia também: Veja, ponto a ponto, os sinais de piora da pandemia


Fechar praias e bares


Em carta aberta divulgada nesta segunda, os Secretários de Saúde dos Estados pediram ainda o fechamento de praias e bares, além de barreiras sanitárias nacionais e internacionais, com "fechamento dos aeroportos e do transporte interestadual" diante das novas variantes do coronavírus já registradas no Brasil. Também defendem a suspensão das aulas presenciais e de eventos como jogos esportivos, shows, encontros religiosos, etc.


Crítica à falta de uma condução nacional coerente


Com mais de 15 capitais brasileiros com os leitos de UTIs para Covid quase lotados, com mais de 80% de ocupação, os Secretários de Saúde defenderam também um lockdown onde o sistema de saúde esteja com mais de 85% de ocupação de leitos.


Os Secretários dos estados criticam também, na carta aberta, a "ausência de uma condução nacional unificada e coerente" da pandemia no Brasil, numa crítica direta ao Governo Federal e ao Ministério da Saúde.


Defesa do trabalho remoto


"Entendemos que o conjunto de medidas propostas somente poderá ser executado pelos governadores e prefeitos se for estabelecido no Brasil um “Pacto Nacional pela Vida” que reúna todos os poderes, a sociedade civil, representantes da indústria e do comércio, das grandes instituições religiosas e acadêmicas do País, mediante explícita autorização e determinação legislativa do Congresso Nacional", diz a carta do Conass.


O trabalho remoto é defendido sempre que for possível, além de medidas para reduzir o número de passageiros nos transportes públicos.


E mais vacinas, com urgência


O Conass pede ainda nova legislação para que seja permitida a compra de todas as vacinas disponíveis. Hoje, por demora do Ministério da Saúde, falta de planejamento e de vontade política, o Brasil dispõe apenas de duas vacinas, a Coronavac (Butantan) e a de Oxford/AstraZeneca (Fiocruz), mesmo assim a conta-gotas. Os Secretários de Saúde pedem também, com urgência, um plano de comunicação de coordenação nacional para informar a população sobre medidas de prevenção.


"O relaxamento das medidas de proteção e a circulação de novas cepas do vírus propiciaram o agravamento da crise sanitária e social, esta última intensificada pela suspensão do auxílio emergencial", diz ainda a carta dos Secretários de Saúde, que defendem a volta do auxílio emergencial em meio à necessidade de se paralisar novamente diversas atividades não essenciais.



© 2020. A Seguir Niterói. Todos os direitos reservados. Site por Grazy Eckert e João Marcos Latgé.