Setor que mais emprega em Niterói, gastronomia terá aplicativo de serviços da cidade

“A maioria do setor gastronômico quer investir no novo Mercado Municipal”, diz empresário


Por Carolina Ribeiro


Beto Caveari é presidente do Polo Gastronômico do Jardim Icaraí. Foto: Divulgação


Adalberto Caveari, ou Beto, como é conhecido, tem 44 anos. A maioria deles dedicada ao trabalho em empreendimentos do setor de bares e restaurantes. Nascido em Miracema, no interior do estado, escolheu Niterói, onde mora desde a adolescência, para investir e basear seus negócios. E são vários. Beto é sócio e proprietário de quatro estabelecimentos de Icaraí: Boteco Confraria, Salve Simpatia, Armazém São Jorge e Risoteria Caveari, além do Food Truck Ossos Carnes e Burger. Não é por acaso que, desde 2016, é o presidente do Polo Gastronômico do Jardim Icaraí, região que reúne aproximadamente 35 bares e restaurantes na Zona Sul de Niterói. A experiência ainda foi além: o empresário levou para Portugal o Salve Simpatia Porto.


O setor da gastronomia foi um dos mais afetados pela pandemia do Covid-19. Foram quatro meses com as casas fechadas, funcionando apenas pelo sistema de delivery. Autorizados a reabrir neste mês, os bares e restaurantes agora passam por um novo desafio: seguir protocolos rígidos para garantir a segurança de clientes e funcionários. Mas o jeito continua sendo “dar a volta por cima” e planejar novos investimentos. Em entrevista ao A Seguir: Niterói, Beto Caveari diz que os empresários estão ansiosos por conhecer mais sobre a proposta de gastronomia para o Mercado Municipal e já desenvolvem um aplicativo de entregas exclusivo do município.


O setor de bares e restaurantes foi um dos últimos a reabrir. Ficou quatro meses fechado, funcionando apenas por meio de delivery. Como foi enfrentar esse período? Acha que os estabelecimentos de Niterói estavam preparados para algo assim?


Fomos um dos primeiros setores a fechar e um dos últimos a reabrir. Foi realmente impactante, pois fechamos em uma época boa, em que estava havendo uma melhora na economia da cidade e do país. Foi muito duro, fechamos de um dia para o outro com as casas cheias de insumos e muitos funcionários, sem saber o que fazer. Foi um período difícil também para tomar decisões, pois não sabíamos se as ajudas do governo viriam, quando e como. Acredito que o desespero maior foi não saber o que fazer. Nenhum empreendimento, comércio e, muito menos restaurante, no Brasil e no mundo, estava preparado para um momento como este, e posso dizer isso pois também tenho um restaurante em Portugal. Os restaurantes são uma roda girando, se a gente para a roda, a gente cai. Independentemente do restaurante ser muito frequentado ou pouco. Nós compramos o insumo, transformamos em produto, vendemos, faturamos e pagamos a mercadoria, assim a roda vai girando. Quando você compra e não vende, a roda para, assim como quando deixa de comprar. E não é só a gastronomia, tem os fornecedores como um todo, os grandes e os pequenos, que são os que mais sentem.


Muitos negócios não conseguiram superar este momento e acabaram fechando as portas. O que os empresários e empreendedores precisaram fazer, durante este período, para manter seus negócios funcionando?


Durante a pandemia, e agora com a reabertura dos restaurantes, todo mundo tem que se reinventar, porque a pandemia ainda não acabou, da maneira que pode e como consegue. Muitos tiveram que se dedicar ao delivery, foi a única fonte de renda durante o período para quem era do setor da gastronomia. E inovar. Com produto diferente, embalagem, com o que for para fazer algo diferente. Mas, por uma série de dificuldades como a logística ou de não estar apto para aderir ao delivery, muitos não tiveram o que fazer. Não tiveram outra alternativa a não ser fechar durante o período. É difícil mensurar isso, mas o empreendedorismo, a inovação e o “fazer diferente” é o que mais dá resultado.


Agora que reabriu, como vem observando o movimento no Polo Gastronômico? Acredita que as pessoas estão confiantes para frequentar bares e restaurantes? Qual o maior desafio da reabertura?


As mesas externas só puderam ser colocadas na segunda-feira. O Boteco Confraria foi o último bar a ser reaberto agora no dia 22. Já está começando a ter um retorno, com um movimento sem aglomeração e com um pouquinho da “nossa cara”. Não está como a gente deseja, para pagar as contas e girar financeiramente, mas é muito melhor do que fechado. Já está tendo um movimento e as pessoas estão se respeitando, com distanciamento. Acho que dentro do possível as coisas estão se ajustando. As pessoas estão confiantes em retornar e ficar dentro do estabelecimento, pois Niterói fez um bom trabalho [no combate ao vírus]. Isso está dando uma segurança para o retorno da gastronomia. Mas o maior desafio é justamente esse “novo normal”. Temos que estar sempre atentos às novas regras e tudo que foi determinado pela Secretaria Municipal de Saúde para dar segurança ao retorno dos clientes e para a equipe. A maior preocupação é essa: dar segurança a todos.


A Prefeitura vem divulgando diferentes ações para tentar mitigar o impacto da pandemia na economia de Niterói, lançando um plano de retomada da economia. Como os bares e restaurantes da cidade podem aproveitar este momento?


A Prefeitura ajudou a todos como um todo. Mas o Empresa Cidadã 1 e 2 ajudou muito aos bares e restaurantes que puderam aderir. O Supera Mais também está vindo para ajudar, estamos torcendo para que ajude muita gente. No Supera, que é acima de R$ 1 milhão, infelizmente, muitos não tiveram acesso por burocracia bancária, com muitas exigências e muita dificuldade para quem não é correntista do Banco do Brasil. Mas, num todo, as ações da Prefeitura ajudaram bastante. Acredito que para o plano de retomada, a Prefeitura tem que atender os setores, cada um à sua maneira e com suas particularidades. Se tem um forte setor pesqueiro, tem que olhar com carinho para o setor, se a gastronomia é forte, tem que olhar com carinho para a gastronomia. Acho que não pode rotular empresas de forma geral, porque cada um tem a sua particularidade. A gastronomia, como um todo, tem a particularidade de ser o setor que mais emprega na cidade, como outros setores são muito fortes. Estamos muito confiantes no aplicativo de serviços que queremos lançar, vai ajudar muito a gastronomia.


Depois de 30 anos fechado, o Mercado Municipal será reaberto no mesmo prédio histórico, no Centro. A ideia é ser um espaço para passar o dia, aproveitar a gastronomia e o ambiente. Qual a sua opinião sobre este empreendimento? Tem interesse em investir por lá?


A ideia, uma Parceria Público-Privada, parece ser bem interessante. A Prefeitura também está fazendo um investimento enorme no entorno da região para deixar o mercado apto para a convivência, para as pessoas conseguirem chegar e estacionar. Estamos aguardando o lançamento do projeto para o mercado em agosto. A princípio é uma ideia maravilhosa, agora somente temos que entender qual vai ser o custo para estar lá, a logística, quem vai estar… porque a ideia é muito legal, funciona em muitas cidades do mundo inteiro e tem tudo para funcionar em Niterói também. Vai depender da empresa que ganhou a concessão, se vai ter um bom diálogo com os empresários da cidade para levar todos nós para lá, que eu acho ser a vontade de todos.


Há um projeto de criar um aplicativo para reunir as empresas de Niterói, um marketplace próprio, para divulgar as empresas, criar fidelidade e gerar melhores resultados para os serviços. Você também está participando desta ação? Pode contar um pouquinho mais?


Temos um aplicativo especial para a gastronomia que tem o apoio da CDL, do Sebrae, Secretaria de Desenvolvimento, Neltur e Fazenda. Estamos todos envolvidos em fazer um aplicativo que atenda a cidade para ajudar aos comerciantes a fugir desse delivery de grande massa. Hoje esses aplicativos de delivery são sócios, levam um lucro enorme e não dão o atendimento devido ao consumidor final. Estamos trabalhando nisso e acredito que vá sair em pouco tempo, com a ajuda da Prefeitura. Vai ajudar muito a gastronomia porque, ao contrário de outros e-commerce, na gastronomia, esses grandes marketplaces têm um custo muito alto para o estabelecimento. Ter o nosso próprio aplicativo, do nosso município, que tenha todos os estabelecimentos cumprindo todas as regras, que é o que estamos pleiteando, vamos conseguir dar um passo muito grande. Acho que Niterói vai ser espelho para muita cidade, mostrando que, com a força do comércio e parceria com o poder público, podemos fazer o melhor para a cidade. Tanto com o imposto, que vai circular pela cidade, como com o emprego. A ideia é um aplicativo com a inteligência do município, que já temos esse desenvolvedor, os restaurantes estão custando esse aplicativo, e no final a entrega seja de uma cooperativa do município. Assim, o imposto fica no município, o emprego fica no município e Niterói ganha muito com isso.


Niterói é uma cidade com a economia muito voltada para os serviços. Bares e restaurantes empregam muitas pessoas e movimentam bem o município. Devido à pandemia, como voltar a ter segurança em investir em negócios na cidade?


O setor de bares e restaurantes é o que mais emprega na cidade. Estamos preparados para o novo normal, mas com confiança na cidade. O governo deu confiança para continuar investindo e reinvestindo no município. Tanto que já estamos pensando no Mercado Municipal e a maioria do setor gastronômico quer investir lá. É a nossa confiança no município.



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