Sindicato de professores de Niterói é contra volta às aulas presenciais e notifica escolas privadas

Atualizado: Set 5

Diretor diz que decisão deveria ser tomada apenas com base em critérios científicos


Por Carolina Ribeiro


Sala de aula vazia: aulas presenciais estão suspensas em Niterói desde março. Foto: Divulgação


“A economia recupera, mas as vidas não. É uma campanha em defesa da vida”, diz Sérgio Oliveira, representante do Sindicato dos Professores de Niterói (Sinpro), ao defender o não retorno às aulas presenciais na pandemia. Diferentemente dos dirigentes das escolas particulares que pedem a reabertura das instituições, os docentes da rede privada são contra a retomada por entenderam que ainda não é seguro para alunos, trabalhadores e familiares.


É um grande debate em andamento. Reabrir ou manter fechadas as escolas públicas e privadas de Niterói? Há condições para o retorno? Os professores e trabalhadores, em sua maioria, acham perigoso e opinam que a cidade ainda não está num “contexto favorável” da pandemia. Os especialistas reforçam, dizem que os casos estão estagnados e não reduzem há semanas.


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Por outra lado, as escolas particulares sinalizam voltar assim que a Prefeitura bater o martelo e, inclusive, já divulgam comunicados a familiares. O Poder Público, por sua vez, não confirma, mas o Prefeito Rodrigo Neves teria dito ao sindicato patronal das escolas particulares que o retorno do Ensino Médio seria em 14 de setembro. Na quinta-feira (27), Neves enfatizou que a reabertura das escolas está sendo tratada com cuidado e não esclareceu se a extensão das regras de restrição até o fim de setembro incluem, além de barreiras sanitárias, a manutenção das aulas presenciais suspensas, gerando incerteza entre os trabalhadores.


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- Notificamos várias escolas que estão contactando os pais [sobre um possível retorno em setembro] no sentido de lembrar que essas pessoas são responsáveis pelas vidas e pelas mortes que vierem a acontecer. Algumas estão fazendo enquete, perguntando aos pais se querem que as aulas voltem, como se depois fosse responsabilidade dos pais se os filhos adoecerem… - protestou o professor de filosofia Sérgio Oliveira, membro da Direção Colegiada do Sinpro.


Para a entidade, apesar de importantes, os cuidados como o uso do álcool em gel, máscara e medição de temperatura não garantem a total segurança dos alunos e trabalhadores que estariam juntos diariamente em salas de aula. Eles temem que a volta às aulas presenciais aumente o número de doentes e óbitos e pedem que a decisão seja tomada com o aval de especialistas da saúde, quando a cidade e o Estado estiverem registrando menos casos.


- O que interessa, a vida ou a lógica de mercado? Muitas vidas estão sendo tiradas e com certeza estariam conosco se todos os governantes tivessem assumido atitudes mais responsáveis - disse Oliveira, ressaltando que, até o momento, Niterói conduziu bem o combate ao vírus, mas eles pedem mais diálogo com a categoria:


- Nós nos movimentamos para conversar com a Prefeitura, mas a reunião foi negada. Participamos de audiências públicas e os representantes do Executivo não compareceram - enfatiza.


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Outra questão que preocupa são os protocolos de retorno presencial. A maioria das escolas particulares adotou desde o início o ensino remoto ao vivo e em tempo real. Mas com o retorno, seria preciso fazer rodízios entre os alunos para evitar a aglomeração e reduzir a capacidade em um terço do normal. Além disso, o sindicato também vem recebendo recados de preocupação por parte dos pais.


- A maioria dos pais não quer expor seus filhos a um possível contágio. Fora o número de professores e crianças com enfermidades. Os equipamentos escolares também não sofreram nenhuma adaptação para receber esse retorno - afirma.



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