Trabalhadores reclamam da falta de ônibus na volta para casa em Niterói

Atualizado: Ago 19

Passageiros se queixam da dificuldade de encontrar condução, principalmente depois das 20h


Por Carolina Ribeiro


Pontos cheios e poucos ônibus: nova realidade. Foto: Gustavo Stephan


Usar transporte público para voltar para casa à noite ficou mais difícil para os trabalhadores de Niterói na pandemia de Covid. A frota dos ônibus foi reduzida devido aos riscos de contaminação, mas as empresas também afirmam que diminuíram a circulação devido aos prejuízos provocados pelo baixo número de passageiros no período inicial da quarentena. E a situação pode se agravar. Rodoviários de Niterói e do entorno votaram contra a proposta das empresas de ônibus de reduzir salários e benefícios dos funcionários.


Moradora do bairro Jardim Catarina, em São Gonçalo, Roberta Santos trabalha em uma loja dentro do Terminal Rodoviário João Goulart, no Centro de Niterói. A surpresa: desde o início da pandemia, a linha de ônibus que a deixava em casa sumiu e agora ela precisa pegar uma van até o bairro de Alcântara e voltar andando até em casa. Ela sai do trabalho às 20h.


- O comércio fecha a essa hora e sai todo mundo junto. Os ônibus que continuam transportando estão com frota reduzida e intervalo de uma hora, então quem perde o de 20h só consegue pegar o de 21h. Como não posso arcar com passagem de Alcântara para meu bairro, vou andando depois de pegar a van, mas tenho muito medo - conta Roberta.


À medida que as horas vão passando, a opção dos ônibus vai ficando ainda mais escassa. Funcionários de uma farmácia no Centro, que fecha às 22h, confirmam a dificuldade de voltar para casa, mas preferem não ser identificados. Dizem que já não encontram mais ônibus neste horário, principalmente para São Gonçalo.


Na semana passada, quando foi autorizado que bares e restaurantes aumentassem o horário de atendimento de 23h para meia-noite, funcionários do setor também ficaram preocupados.


Tendo em vista a reclamação da categoria, o Sindehomega, sindicato que representa os trabalhadores da gastronomia de Niterói, encaminhou um ofício à Prefeitura de Niterói reivindicando a circulação dos ônibus até as 2h. De acordo com a entidade, a Nittrans prometeu interceder junto às empresas de ônibus. Procurada, a Prefeitura não se manifestou.

Já o sindicato das empresas de ônibus (Setrerj) informou que as empresas, desde o início da pandemia, vêm enfrentando redução que chegou a cerca de 70% no movimento de passageiros devido ao isolamento social. E que, mesmo com a retomada gradual da economia, a demanda de passageiro pelas linhas ainda é reduzida.


- As empresas estão adaptando os horários às demandas, com todo o cuidado sanitário de prevenção contra o novo coronavírus, ao mesmo tempo em que tentam, com muito esforço, manter sua sustentabilidade financeira e o emprego de seus funcionários - diz nota divulgada.


Trabalhadores de empresas de ônibus de Niterói e de municípios do entorno reprovaram a proposta que reduzia o pagamento a 50% dos salários e o valor da cesta básica de R$ 280 para R$ 120. As empresas alegam que estão sem condições de manter os salários em dia e já ameaçam demissões em massa. Caso a situação persista, há possibilidade de greve no transporte público. Na quinta-feira (20) será realizada nova assembleia.


O Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac) informou que vai encaminhar na quarta-feira (19) ao Ministério Público do Trabalho (MPT) a rejeição da sua proposta pela categoria após a última assembleia. O placar da decisão já era irreversível desde segunda-feira (17), uma vez que pouco mais de 170 funcionários votaram a favor da redução.



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