Número de internados com Covid em Niterói é o mais baixo em seis meses

Depois da emergência em novembro e dezembro, com filas para internação no Estado do Rio, número de casos de Covid é melhor desde setembro


Curva mostra a evolução do número de casos em Niterói. Forte queda a partir de janeiro. Fonte: Prefeitura de Niterói


Niterói sai da emergência. Depois do aumento do número de casos e mortes em novembro e dezembro, a cidade registra nesta quarta-feira (10) alguns indicadores positivos. O número de novos casos vem caindo repetidamente e a ocupação dos hospitais particulares é a menor desde setembro.


Gráfico mostra a segunda onda da doença, a partir de novembro, pico em dezembro e redução dos casos, em janeiro. Fonte: Prefeitura


A queda do número de casos tem sido consistente, se não há redução na testagem. Neste ano, foram reportados, na últimas semanas epidemiológicas, respectivamente: 1.442, 1.167, 1.013,,682 e, agora, 490 novos casos.


Número de internações hospitalares cai


O registro é compatível com a queda do número de internações. No relatório dos hospitais particulares de Niterói (SINDHLESTE) divulgado nesta quarta-feira apenas 63 quartos reservados para pacientes com Covid (19% do total) estão ocupados, assim como 50 vagas de UTI (18%). É a menor taxa desde setembro. A cidade chegou a ter 88% dos leitos e 93% das vagas de UTI ocupadas, em dezembro.


Médicos relatam que a situação está mais tranquila na cidade. Um intensivista ouvido pelo A Seguir: Niterói que atua num hospital da rede pública disse que pela primeira vez em muito tempo conseguiu folgar um fim de semana.


De acordo com a Prefeitura de Niterói a taxa de ocupação dos hospitais da rede pública também é tranquila, depois de um cenário de grande movimentação no fim do ano. O último relatório que aparece na planilha de monitoramento da Covid no site da Prefeitura indica uma ocupação de 15% dos leitos e de 54,1% das UTIS do SUS.


Estado do Rio apresenta baixo risco

O mapa de Risco de Covid no Estado do Rio está pintado de amarelo, indicação de baixo risco, como há muito tempo não acontecia. Apenas na Região Metropolitana I, onde estão a capital e cidades como Caxias e Nova Iguaçu, Centro-Sul e Noroeste o risco ainda se apresenta moderado.


Na Região Metropolitana II, da qual Niterói faz parte, a bandeira é amarela. Em São Gonçalo, a segunda maior população do estado e que experimentou um forte surto da doença a partir de novembro, o número de internações também caiu. Os dados do SINDHLESTE indicam que 14 quartos reservados para pacientes com Covid estão ocupados (15% do total) e 19 UTIS (33%) têm pacientes.


Sem fila nos hospitais


Outro registro importante é que esta semana a fila para internações ficou zerada, em vários momentos, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde. Em nenhum momento, a fila ultrapassou 60 pedidos por vaga, menor número da série histórica desde o início da pandemia. No pior momento da pandemia, em abril, a chamada fila da regulação estadual para internações de Covid-19 chegou a ter mais de 1.400 pessoas. Em dezembro, quando as hospitalizações pela doença voltaram a aumentar, a fila marcou 524 pacientes aguardando por uma vaga. Nesse período, a rede dedicada ao tratamento da Covid-19 foi ampliada em 989 leitos, sendo 390 de UTI adulto e 599 de enfermaria em unidades estaduais e em outras redes, a partir de incentivos do estado.

A contagem dos mortos

Os indicadores de avaliação da Covid em Niterói, aqueles que definem a classificação de risco da cidade, só não melhoraram ainda porque a cidade ainda conta os mortos de novembro, dezembro e do início de janeiro. De acordo com dados da Secretaria estadual de Saúde, foram registradas 226 mortes este ano na cidade. A Secretaria tem informado, em seus boletins, que muitos casos documentos se referem a mortes acontecidas nos últimos meses e só agora confirmadas e notificadas.


Gráfico da Secretaria Estadual de Saúde mostra o número de mortes por semanas epidemiológicas


A Prefeitura de Niterói não contribui para uma visão melhor do cenário. A Secretaria Municipal de Saúde não publica os indicadores da evolução da doença na cidade. Apenas reporta diariamente os totais de casos, mortes e internações, desde o início da pandemia. Mas depois do novo surto da doença também deixou de publicar estes dados de forma regular. Este ano, pelo menos cinco boletins não foram divulgados, coisa que não acontecia desde o início da doença. A falta de transparência e confiabilidade dos dados do governo municipal já foi questionada pela Câmara dos Vereadores e pelo Ministério Público.


A Prefeitura recomenda a consulta ao painel da Covid produzido pela Seplag, que documenta o número de mortes por data de ocorrência e não por data de notificação. É uma informação usada por epidemiologistas, juntamente com o registro de óbitos por data de notificação. Mas uma série que carrega algumas semanas de atraso e por isso não é usada para a avaliação da doença no momento. O último gráfico mostra que a cada atualização do gráfico aparece mais fortemente a concentração de mortes no fim do ano. Ainda vai demorar algum tempo até que seja possível enxergar neste gráfico a situação de janeiro. No gráfico, não há registro de mortes, ainda.


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