Universidades federais reagem e MEC desiste de volta às aulas em janeiro

UFF diz que foi surpreendida e criticou a decisão do MEC sobre a volta presencial às aulas


O reitor da UFF, Antonio Claudio Nobrega

Através de nota, a reitoria da Universidade Federal Fluminense afirmou ter sido "surpreendida" com a decisão tomada pelo Ministro da Educação, Milton Ribeiro, que determinou a volta das aulas presenciais já em janeiro de 2021. A Portaria 1030/2020 afirmava que as aulas deveriam voltar a partir do dia 4 dos próximo mês.


Criticando a decisão, a UFF afirma não ter sido consultada e também alega que a portaria "é um equívoco tanto do ponto de vista sanitário, quanto pedagógico e organizacional". Ainda de acordo isso, a nota fala que "com base no quadro epidemiológico estadual, recomendação de especialistas e da literatura científica, não há condições concretas para o retorno irrestrito às aulas presenciais com segurança para discentes, docentes e técnicos na data citada na portaria".


Por causa das fortes críticas, o ministro voltou atrás em entrevista à CNN Brasil. Ribeiro afirmou que iria fazer uma consulta pública para "ouvir o mundo acadêmico". Na mesma fala, ele disse que estava "sensível" em ouvir a população sobre o tema.


Mais cedo, o reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Antônio Cláudio Lucas da Nóbrega, falou durante reunião do Conselho Universitário, ocorrida também nesta quarta (2), e transmitida ao vivo pelo YouTube, que a decisão não geraria nenhum efeito prático na instituição e disse que não haveria "nenhuma possibilidade" de ter um retorno presencial `no ano que vem.


- A portaria que determinou a volta às aulas é conflitante com a Lei 10.040/2020, que permite a atividade remota. Ela é contrária a tudo. Não há nenhuma possibilidade de haver retorno presencial como é dito nessa portaria. Nós vamos continuar trabalhando de maneira cuidadosa, segura e conversada -, afirmou na reunião virtual Nóbrega, que também pediu "tranquilidade" aos servidores e técnicos administrativos da UFF.


O reitor também alegou que, "a despeito das limitações das atividades remotas", as conversas com os chefes dos departamentos da UFF e com os coordenadores de todos os cursos era "muito boa" dentro do atual cenário acadêmico imposto pela pandemia.

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