Velejadores de projetos sociais de Niterói disputam a 70ª Regata Santos-Rio

Para competir, atletas do Projeto Grael fizeram vaquinha virtual para arrecadar dinheiro

Atletas do projeto Grael no XXI Circuito Oceânico de Niterói/ Foto: Fred Hoffmann

A Regata Santos-Rio, tradicional disputa de Vela de Oceano no Brasil, vai contar com a participação de niteroienses na competição. Entre eles, moradores das comunidades de Niterói e parte da família Grael estão na disputa pelo título da 70ª edição, que acontecerá na próxima sexta (23). Os competidores sairão da Baía de Santos, às 10h30min. No total serão 70 barcos com cerca de 500 velejadores de todo o Brasil.


As competições vão acontecer nas classes ORC, IRC, BRA-RGS, BRA-RGS Clássicos, Bico de Proa, Mini 6.50 e Multicascos. Ex-aluno do projeto Grael e comandante do veleiro Bravo, o instrutor de vela Alex Sandro de Carvalho irá acompanhado de mais seis atletas na disputa pela classe ORC. Para tornar viável a participação na Regata Santos-Rio, o ex-morador do Preventório montou um esquema de vaquinha online para arrecadar dinheiro para os atletas de comunidade que não teriam condição de participar. A meta é de oito mil reais e até o momento eles conseguiram um pouco mais da metade. Aqueles que quiserem colaborar, podem acessar o link: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/lifemar-na-70-regata-santos-x-rio


- Antes da vaquinha nós montamos um projeto esportivo para patrocinadores e chegamos a enviá-lo para algumas empresas, mas por conta da pandemia, ele não pode ser contemplado. Então, tivemos a ideia de fazer a vaquinha online para viabilizar a participação dos jovens de comunidades. Alguns ex-alunos do Projeto Grael quiseram contribuir e montamos a campanha. A intenção é custear todos os gastos da regata Santos-Rio, como passagem, alimentação, compra de remédios e reparo de dano de material. Tem dado muito certo até o presente momento – conta Alex, orgulhoso.


Em 2010, o projeto Grael o convidou para representar o Brasil na regata Cape to Rio, com largada na África do Sul e chegada no Rio de Janeiro. O excelente desempenho da participação da regata resultou na primeira colocação no pódio.

- Fomos os primeiros brasileiros a ganhar essa regata. Sendo quatro alunos do projeto Grael e três sul-africanos. Recebi várias oportunidades depois dessa aventura. Comecei a ministrar aulas de vela e, consequentemente, velejei com pessoas famosas do meio náutico. Em 2013, iniciei minha primeira atividade com os alunos do projeto. Da mesma forma que tive oportunidade de velejar fora do projeto, quis retribuir com muito amor, dando suporte para quem estava iniciando. Juntos tivemos dezenas de vitórias e fomos campeões de várias classes – conta o instrutor de vela, que atualmente é dono de uma empresa de aluguel de veleiros.


Aluno do projeto Grael e morador da comunidade do Caranguejo, Ramon Nascimento, de 27 anos, confessa estar muito orgulho de participar da regata mais importante do país. Ele diz que a sua tripulação será composta por alunos e ex-alunos do Projeto Grael e do Navega São Paulo. Além dos esportes náuticos, ele conta que são oferecidos aos alunos cursos profissionalizantes.


Nessa edição especial da regata de oceano mais tradicional do Brasil, todos os vencedores da história irão receber, como homenagem, uma salva de tiros de canhão do Navio-Veleiro Cisne Branco. A solenidade será na altura do Pier dos Pescadores, localizado em Santos. Também está agendada a apresentação de uma fragata da Marinha do Brasil e um desfile de barcos a partir das 10h30. Segundo Mario Martinez, comodoro da Associação Brasileira de Veleiros de Oceano (ABVO), será feita também outra homenagem a todos os competidores que venceram edições anteriores da Regata Santos-Rio.


- Os competidores receberão uma placa, que deve ser colocada dentro do barco, com os dizeres “esse barco faz parte da história da vela de oceano brasileira ao ganhar uma edição da Santos-Rio”. Serão homenageados também dois tripulantes da primeira edição, em 1951, que foram os idealizadores da regata e grandes vencedores. Eles farão um depoimento contando suas histórias – declarou o dirigente da ABVO.


Para evitar a contaminação, medidas sanitárias foram adotadas. Os participantes tiveram que ficar em isolamento e o uso de máscara será obrigatório, de modo a seguir todos os protocolos determinados pelo Estado de São Paulo e do Rio.

Por enquanto, os preparativos estão intensos. Segundo o instrutor Alex, no momento está sendo feita toda a revisão elétrica dos barcos e reparos de peças, como a roldana, cabeamento, para que fique tudo em ordem no dia do evento.


- A expectativa é grande. Nós iremos fazer nosso primeiro treino amanhã durante a tarde e eu estou muito contente de poder participar com os atletas do projeto. A dificuldade de ter chegado até aqui foi enorme, só nós sabemos pelo que tivemos que passar. Para a gente já é uma vitória estar participando dessa regata de grande porte e importância nacional – conclui Alex.


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