Violoncelista Luiz Carlos Justino é absolvido de crime pelo qual foi preso em 2020

Em audiência da 2ª Vara Criminal de Niterói, inocência do músico da Grota foi comprovada; jovem foi preso com base em uma identificação por foto

Luiz Carlos Justino se apresenta pela cidade. Divulgação/Prefeitura de Niterói


Depois de nove meses de luta por justiça, o violoncelista Luiz Carlos Justino, da Orquestra de Cordas da Grota, foi absolvido, na tarde desta quarta-feira, de uma acusação de roubo pela qual permaneceu preso por quatro dias, em setembro de 2020. Em audiência da 2ª Vara Criminal de Niterói, a Justiça entendeu que a prisão do músico foi ilícita.


Luiz Carlos Justino tentava comprovar inocência desde 2 de setembro de 2020, quando foi abordado por policiais no Centro de Niterói na volta de um dia de trabalho. Ele acabou preso depois de descobrir que contra ele havia um mandado de prisão por assalto a mão armada. O jovem fora "reconhecido" como autor do crime porque a foto dele constava no livro de reconhecimento da 79ª DP (Charitas).


Apesar do mandado de prisão, o músico jamais havia sido intimado e desconhecia a existência de qualquer denúncia contra ele até o dia da prisão. Mesmo assim, passou quatro dias preso até conseguir provar que no dia e horário do crime ele se apresentava como músico numa padaria.


Justino foi solto por decisão do juiz André Nicolitt, que demonstrou perplexidade ao emitir o alvará: “Por que um jovem negro, violoncelista, que nunca teve passagem pela polícia, inspiraria desconfiança para constar em um álbum?”, questionou o magistrado na época.


Até hoje, a Polícia Civil não explicou como a foto de Justino foi parar no livro de reconhecimento da delegacia. Mas, recentemente, o juiz responsável pelo caso atendeu a um pedido do advogado de Justino, Rafael Borges, para que a imagem do músico fosse removida do livro.