Vital Brazil, de Niterói, estuda soro contra coronavírus

Medicamento será produzido com uso de plasma de cavalos

Por Carolina Ribeiro


Fragmento do coronavírus é injetado em cavalos para o estudo. Foto: Divulgação

Um novo medicamento para ser usado em pacientes com coronavírus está sendo estudado pelo Instituto Vital Brazil (IVB), laboratório do Governo do Estado localizado no bairro Vital Brasil, em Niterói. Especialista na criação de soros, como o de venenos contra animais peçonhentos e de raiva, o IVB iniciou na última semana o procedimento para criar um soro hiperimune feito a partir do plasma de cavalos. A expectativa é que o tratamento esteja disponível em seis meses.

O primeiro passo para o estudo foi dado no dia 27 de maio, com a imunização dos cavalos na Fazenda do Instituto, em Cachoeira de Macacu. Os animais receberam pequenas doses de fragmentos do vírus isolado e inativado para que criem anticorpos. Depois, parte do sangue do animal foi retirado e o plasma separado para a produção do soro.

Em entrevista ao A Seguir: Niterói, o presidente do instituto, Adilson Stolet, explicou que, diferentemente das vacinas, em que é aplicado o vírus atenuado para que o corpo produza o seu próprio anticorpo, no soro os anticorpos já foram previamente produzidos em outro organismo e assim entra na corrente sanguínea e anula os vírus.

- A gente facilita a recuperação do paciente porque, em questão de minutos, esse anticorpo começa a agir e eliminar o vírus da corrente sanguínea. Isso evita que o paciente piore, que ele precise de UTI ou de respirador - explica Stolet.

Os soros antiofídicos são produzidos a partir do sangue de um animal de grande porte. De acordo com o presidente do IVB, o estudo com cavalos teve início na Europa há um século devido ao tamanho do animal, que resulta em uma produção grande de plasma, além de ser forte e dócil.

Depois de dois meses do fragmento injetado, o cavalo já terá produzido o anticorpo. O plasma então será levado para o IVB para a realização de mais testes até que chegue a fase de testes clínicos em humanos infectados com o Covid-19. A expectativa é que em seis meses esteja tudo pronto para o início da produção em massa do soro.

- O IVB tem experiência secular em trabalhar com a imunoglobulina (anticorpos) produzindo soro contra o veneno das serpentes brasileiras e o soro antirrábico. O efeito colateral é mínimo. Em algumas experiências é percebido uma reação alérgica aos anticorpos, mas nem isso foi registrado nas últimas décadas - ressalta, completando que justamente esta expertise na produção do soro que levou os pesquisadores a pensarem neste estudo.

O presidente do instituto afirmou ainda que especialistas de outros países como Argentina, México e Alemanha já procuraram o órgão após a divulgação do início dos estudos. A pesquisa é realizada em conjunto com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que forneceu um fragmento do vírus.

- Começamos a conversar com outros pesquisadores que aceitaram trabalhar no projeto de forma gratuita. Somos um laboratório do estado, caso dê certo, o soro sairá sem custo algum para a população. Ouvimos falar muito sobre as pesquisas em relação às vacinas, mas não sobre o uso do soro no tratamento. É uma iniciativa nossa - finaliza.

Sobre o Instituto: O Instituto Vital Brazil completou 100 anos em junho de 2019. É uma empresa de ciência e tecnologia do Governo do Estado do Rio de Janeiro ligado à Secretaria de Estado de Saúde. É um dos 21 laboratórios oficiais brasileiros e um dos quatro fornecedores de soros contra o veneno de animais peçonhentos para o Ministério da Saúde. O Instituto possui capacidade para produzir o quantitativo para 100 mil tratamentos por ano.

728x90.gif

© 2020. A Seguir Niterói. Todos os direitos reservados. Site por Grazy Eckert e João Marcos Latgé.