Vital Brazil pede patente de soro contra coronavírus

Medicamento será produzido com uso de plasma de cavalos


Fragmento do coronavírus é injetado em cavalos para o estudo. Foto: Divulgação


Um novo medicamento para ser usado em pacientes com coronavírus foi desenvolvido pelo Instituto Vital Brazil (IVB), laboratório do Governo do Estado localizado no bairro Vital Brasil, em Niterói. O o soro anti-SARS-CoV-2. Especialista na criação de soros, como o de venenos contra animais peçonhentos e de raiva, o IVB iniciou em maio o estudo para criar um soro hiperimune feito a partir do plasma de cavalos. A expectativa é que o tratamento esteja disponível em seis meses.


O primeiro passo para o estudo foi dado no dia 27 de maio, com a imunização dos cavalos na Fazenda do Instituto, em Cachoeira de Macacu. Os animais receberam pequenas doses de fragmentos do vírus isolado e inativado para que criem anticorpos. Depois, parte do sangue do animal foi retirado e o plasma separado para a produção do soro.

Depois de 70 dias, o plasmas dos cavalos inoculados com a proteína S recombinante do coronavírus, produzida na Coppe/UFRJ, apresentaram anticorpos neutralizantes 20 a 50 vezes mais potentes contra o novo vírus do que os plasmas de pessoas que tiveram a doença. Foi criado, então, o soro anti-SARS-CoV-2, produzido a partir de equinos imunizados com a glicoproteína recombinante da espícula do vírus.


Em entrevista ao A Seguir: Niterói, no início da pesquisa, o presidente do instituto, Adilson Stolet, explicou que, diferentemente das vacinas, em que é aplicado o vírus atenuado para que o corpo produza o seu próprio anticorpo, no soro os anticorpos já foram previamente produzidos em outro organismo e assim entra na corrente sanguínea e anula os vírus.


- A gente facilita a recuperação do paciente porque, em questão de minutos, esse anticorpo começa a agir e eliminar o vírus da corrente sanguínea. Isso evita que o paciente piore, que ele precise de UTI ou de respirador - explica Stolet.


Os soros antiofídicos são produzidos a partir do sangue de um animal de grande porte. De acordo com o presidente do IVB, o estudo com cavalos teve início na Europa há um século devido ao tamanho do animal, que resulta em uma produção grande de plasma, além de ser forte e dócil.


- O IVB tem experiência secular em trabalhar com a imunoglobulina (anticorpos) produzindo soro contra o veneno das serpentes brasileiras e o soro antirrábico. O efeito colateral é mínimo. Em algumas experiências é percebido uma reação alérgica aos anticorpos, mas nem isso foi registrado nas últimas décadas - ressalta, completando que justamente esta expertise na produção do soro que levou os pesquisadores a pensarem neste estudo.

Nesta quinta-feira, 13 de agosto, em sessão científica na Academia Nacional de Medicina,Adilson Stolet e Jerson Lima Silva, pesquisador da Universidade Federal do Rio de janeiro (UFRJ) e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), anunciaram o depósito de uma patente e a submissão de uma publicação oriundos dos excelentes resultados das pesquisas com soros produzidos por cavalos para o tratamento da Covid-19.

A soroterapia é um tratamento bem-sucedido, usado, há décadas, contra doenças como raiva, tétano e picadas de abelhas, cobras e outros animais peçonhentos como aranha e escorpiões. Os soros produzidos pelo Instituto Vital Brazil têm excelentes resultados de uso clínico, sem histórico de hipersensibilidade ou quaisquer outras eventuais reações adversas. Os estudos clínicos ocorrerão em parceria com o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino.

O Instituto Vital Brazil completou 100 anos em junho de 2019. É uma empresa de ciência e tecnologia do Governo do Estado do Rio de Janeiro ligado à Secretaria de Estado de Saúde. É um dos 21 laboratórios oficiais brasileiros e um dos quatro fornecedores de soros contra o veneno de animais peçonhentos para o Ministério da Saúde. O Instituto possui capacidade para produzir o quantitativo para 100 mil tratamentos por ano.




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