Zélia Duncan fará show intimista na Sala Nelson Pereira dos Santos

‘Niterói para mim é sempre voltar para casa’, diz a cantora, emocionada


por Lívia Figueiredo


Zélia Duncan: doces lembranças de Niterói, onde nasceu. Foto: Divulgação


Para celebrar um ano da inauguração da Sala Nelson Pereira dos Santos, no complexo Reserva Cultural, a cantora niteroiense Zélia Duncan apresenta, no próximo sábado (3), às 20h, o show “O Lado Bom da Solidão”, no formato voz e violão. O repertório contará com um roteiro especial, composto por canções de sucesso, músicas não autorais, já conhecidas na sua voz, além de uma canção inédita.


O público poderá assistir à apresentação pela página oficial da cantora no Facebook. No show, Zélia estará acompanhada do músico Webster Santos no violão. O cenário ficará a cargo de Simone Mina e a iluminação é assinada por Cristiano Desideri.


Nascida em Niterói, Zélia se mudou para Brasília com sua família quando tinha 6 anos. A cantora e compositora passou um período de sua vida na capital, até que, aos 22 anos, retornou para a sua cidade natal e foi morar com sua avó. Atualmente ela reside no Rio de Janeiro.


- Niterói para mim é sempre voltar para casa, para essa casa que tem a ver com o ninho da gente – declara Zélia.


Ela conta que passava o ano inteiro em Brasília esperando o momento de voltar a Niterói para ir à praia de Itacoatiara ou Camboinhas e confessa que guarda até hoje na sua memória afetiva o barulhinho do vendedor de tringuilim no Campo de São Bento.

Emocionada com o convite para o show, a cantora diz que é a primeira vez que irá cantar no teatro nesse formato durante o período de isolamento social e não esconde o quão honrada se sentiu ao saber da notícia. Nesse período de confinamento, Zélia tem aproveitado para fazer cursos sobre as obras de Clarice Lispector e Guimarães Rosa e aperfeiçoar seus dotes artísticos, como o desenho e a pintura, além de experimentar na cozinha.


- Eu me vi assistindo a pessoas cozinharem, querendo aprender. Cheguei a fazer um nhoque! Esse foi o meu maior feito da quarentena, e não as mais de 25 músicas que eu compus, mas sim, o meu nhoque – brinca a cantora.


Zélia começou sua carreira profissional nos anos 90, ganhando reconhecimento nacional com o hit “Catedral”. Com 37 anos de estrada, ela já lançou 13 álbuns de estúdio, 5 DVDs e recebeu vários prêmios, sendo a grande vencedora da 27ª edição do Prêmio da Música Brasileira em 2016. No ano anterior, lançou o disco “Antes do Mundo Acabar”, com sambas de Dona Ivone Lara, Moacyr Luz, Pretinho da Serrinha, Paulinho da Viola, além de parcerias com Xande de Pilares, Arlindo Cruz, Ana Costa e Zeca Baleiro.


Em entrevista, ao A Seguir: Niterói, a cantora conta a sua relação com a cidade e suas expectativas para a apresentação deste sábado:


A Seguir: O show comemora um ano da Sala Nelson Pereira dos Santos. Como se sente fazendo parte dessa comemoração? Na sua opinião, qual a importância desse espaço cultural para a cidade?


Zélia Duncan: Eu estou muito emocionada de fazer esse show na minha cidade em comemoração a um ano de um teatro. Estaria emocionada em qualquer ocasião para comemorar a vida de um teatro em Niterói. Mas acho que neste momento do Brasil, tendo que cantar através de uma live, com ausência do público tão presente, isso vai me emocionar e tem me emocionado muito mais! Estou muito honrada de estar nesse palco, é a primeira vez que vou cantar nessa situação de estar no teatro desse jeito. Estou muito emocionada e muito agradecida por terem me chamado.


Como será a organização do show nesse novo formato de transmissão online, sem a presença do público? O repertório contará com alguma novidade?


Estou preparando o meu roteiro com muito carinho e cuidado pela ocasião, por ser Niterói, o lugar onde eu nasci... embora eu seja uma pessoa que perambulou e perambula muito pelo mundo, minha mãe mora aí, tias, primos, minhas raízes estão aí... a vovó Zélia Duncan é daí, meu avô Alcides também era daí... enfim, as raízes chamam, né?! Então, sim, estou preparando um roteiro especial. O roteiro obviamente tem coisas minhas que as pessoas super conhecem, tem músicas que não são minhas que eu já gravei ou que eu já cantei por aí, e tem também coisas especiais. Tem até uma música inédita que eu devo cantar. Espero fazer uma noite aconchegante mesmo estando a distância! Vou usar o sentimento que o teatro me proporciona para me sentir perto das pessoas.


Quais são os principais hobbies adquiridos durante o isolamento?


Hobbies da quarentena? Meu Deus do céu, como tem sido difícil tudo isso, né?! Acho que o mais importante é que eu já tinha esse movimento de olhar para as coisas simples da vida, mas a quarentena me fez fazer isso ainda mais! Eu comecei a desenhar um pouco, a pintar, nada demais...coisas que me deram alegria. Arranjei uma caixinha de lápis de cor, comecei a colorir um pouquinho, fiz aulas pela internet, aula de violão com Nelson Faria, aula com Zé Miguel Wisnik sobre Clarice Lispector, agora está rolando Guimarães Rosa, tudo online. Dei uma oficina online de 3 dias que se chamava 'Eu me transformo em palavras', falando de poesia, letras de música. Passei a ver muito mais documentários, tô sempre lendo coisas, descobrindo novas leituras.


Outro hábito também que passei a ter foi ouvir podcasts, ouvir lives dos outros, coisas sobre filosofia, psicanálise, às vezes coisas bem mais corriqueiras, sabe?! Eu, que não cozinho, me vi assistindo a pessoas cozinharem, querendo aprender a fazer...cheguei a fazer um nhoque!!! Esse foi o meu maior feito da quarentena, e não as mais de 25 músicas que eu compus, mas sim o meu nhoque!


Como é sua relação com Niterói? O que guarda na sua memória afetiva da cidade, sendo uma niteroiense?


Tenho memórias deliciosas de Niterói. Fui embora de Niterói com 6 anos. Lembro muito da minha mãe e da minha avó me levando para escola, lembro que meu irmão estudava no Joaquim Távora, dentro do Campo de São Bento. Até hoje, quando eu passo por lá, meu coração dá umas cambalhotas! Lembro que em todas as férias a gente voltava para Niterói. Eu passava o ano inteiro em Brasília esperando o momento de voltar a Niterói para ir à praia, em Itacoatiara e Camboinhas. Lembro do barulhinho do cara vendendo tringuilim no Campo de São Bento. Tenho doces memórias da casa da minha avó, com tia Caçula, tia Filinha, vovó Zélia, tio Otto. Antes disso, morei com a minha tia na rua Mariz e Barros, onde hoje mora a minha mãe. Tia Nerilda, tio Tércio, um tio muito querido, tio Glauco e tia Vera, que me levavam para viajar de carro. Niterói para mim é sempre voltar para casa, para essa casa que tem a ver com o ninho da gente.




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