'Tivemos de nos virar nos trinta', diz Bianca Buzin sobre efeitos da pandemia na economia de Niterói

Empresários e comerciantes da cidade apostam na vacina para tentar recuperar perdas provocadas pela Covid em seus setores Por Livia Figueiredo Trecho da Moreira César: comerciantes acreditam que retomada da economia só é possível com a vacina da Covid / Foto: Reprodução da internet "Tivemos de nos virar nos trinta". Assim Bianca Buzin, responsável pelo Marketing da cervejaria e rede de restaurantes Noi, conta como foi atravessar esse longo período de pandemia. Assim como a executiva e empresária, comerciantes de diferentes setores de Niterói apostam na chegada da vacina, ainda sem data prevista, para só então pensar em conseguir de fato recuperar perdas na economia provocadas pela pandemia de Covid. Os restaurantes Noi tiveram que se readequar a novas estratégias de vendas, de comunicação e às novas plataformas. Segundo Bianca, o restaurante tem funcionado sob o sistema de contenção de crise devido ao cenário de imprevisibilidade do momento. Ela diz que os mais de 30 anos de estrada da família no ramo gastronômico colaboram para uma expertise no gerenciamento de crise, mas como foi algo que ninguém esperava, os desafios foram muitos. Um deles foi adaptar os restaurantes às condições atuais, como maior investimento no sistema de delivery, entre outros. - Conseguimos segurar um pouco com empréstimo do governo. Além disso, tínhamos capital de giro em cada unidade nossa. Tivemos uma unidade da nossa rede de restaurantes em que o faturamento foi superior ao período pré-pandemia devido às condições dele, por ser mais arejado e tudo mais. Porém, na maioria das unidades não foi nada fácil. É uma situação que ninguém esperava, né? Atravessou o mundo. Nós tivemos que nos virar nos trinta. Não sabemos como será daqui para a frente, mas só de ter a notícia da vacina já percebemos que as pessoas estão um pouco mais confiantes em enfrentar a situação, sabendo das medidas de proteção e cientes de que a marca Noi leva a sério as obrigatoriedades. Nós não tivemos nenhum caso de funcionário contaminado pela Covid até o momento em nenhuma das nossas unidades. Contamos com uma assessora técnica no assunto, que faz o monitoramento do estado de saúde de funcionários da rede bem de perto, o que tem ajudado bastante – explica Bianca. "Só queremos voltar à normalidade" De acordo com o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Niterói (CDL), Luiz Vieira, há uma grande expectativa em torno do programa de vacinação e seu impacto para o setor do comércio. Com a vacina da Covid, a perspectiva é de voltar aos números anteriores à pandemia. - Nós não estamos nem pensando na questão do crescimento. Só queremos voltar à normalidade, que já é um grande desafio por si só. Há uma mudança comportamental na forma de consumo. Ainda temos muitas pessoas utilizando e-commerce e reticentes quanto a transitar em ambientes com aglomeração. Nós estamos treinando os empresários e trabalhando na questão das informações referente às inovações e às capacitações do empresariado e dos colaboradores para que a gente consiga alcançar, no mínimo, um resultado semelhante ao de 2019. O comércio teve uma perda muito grande no ano de 2020. Apesar da retomada do comércio, ainda não conseguimos chegar aos patamares de 2019 – destaca o presidente da CDL. Horário reduzido no Caneco Gelado do Mário O proprietário do Caneco Gelado do Mário, um dos restaurantes mais tradicionais da cidade, diz que por enquanto é difícil traçar um cenário otimista para este ano, sem um plano efetivo de vacinação. Com a incerteza que toda a situação impõe, ele confessa ter receio de as autoridades pedirem para fechar os estabelecimentos e exigir um novo lockdown na cidade. - Estamos funcionando em horário diferenciado: abrimos às 9h e fechamos às 22h. Antes, a gente abria às 8h e fechava apenas à meia-noite. Eu trabalho nervoso, sem saber se as autoridades vão vir aqui e mandar fechar. O mundo todo quebrou. Não foi apenas o comércio. As pessoas estão endividadas, guardando o pouco dinheiro que resta a elas. Só consigo ter esperança com a chegada da vacina – revela Mário. Mercado imobiliário espera onda melhor Na área do mercado imobiliário, o cenário é de otimismo, com a possível chegada da vacina para parte da população no primeiro semestre. O presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Richard Sonsol, acredita que atualmente o mercado enfrenta uma demanda reprimida devido à redução dos lançamentos pela crise econômica e pela pandemia. Contudo, com a possibilidade de um programa de vacinação ainda nesse semestre, a previsão é de uma maior movimentação no setor imobiliário. - Acreditamos que, com a vacina, teremos uma onda otimista em todos os segmentos econômicos, o que acarretará em novos lançamentos e, por consequência, levará ao aumento dos preços dos imóveis. Taxas de Juros baixas e crédito fácil também serão um grande fomentador deste movimento – destaca o presidente da Ademi. Hotelaria também espera cenário mais positivo Segundo o CEO do H Niterói Hotel, Rodrigo Alvite, a expectativa é que, com a volta da operação de algumas empresas que tiveram que suspender suas atividades, seja possível alcançar uma melhora dos números, ainda que não seja no mesmo volume de antes. - Não acredito que o turismo em si traga alguma diferença significativa. O campo da hotelaria de Niterói é voltado para o mercado corporativo, que vem trazendo algumas exigências por conta da pandemia. Esperamos que as empresas que tiveram que fechar por um tempo voltem a operar e, somado às empresas que não puderam fechar, que justamente são as que mais mantêm a economia da cidade, alcancemos um cenário mais positivo – conclui Alvite.

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