“Vai demorar para a cidade se recuperar desse golpe”, diz taxista

Sebastião Araújo viu movimento cair 80% na pandemia em Niterói Por Silvia Fonseca O taxista Sebastião Araújo, de 60 anos, há 26 na praça. Foto: Gustavo Stephan Sabe o que é sofrer uma queda de 80% na sua receita e ter de sobreviver sem outras fontes de renda? Pois Sebastião Araújo, um taxista de 60 anos que trabalha na praça em Niterói há 26, está enfrentando isso na pandemia de Covid-19. Sem deixar de lado a preocupação com os colegas e com a recuperação da cidade após “essa crise, esse golpe”. - Já caiu 80% desde o começo da pandemia e vem caindo ainda. Está horrível. A gente vai tentando sobreviver. Tem de sobreviver. Tem de trabalhar, não pode ficar parado. Não tenho outra fonte de renda, vivo do meu trabalho, então tenho de correr atrás – diz Sebastião, que sai todo dia cedo de casa em Alcântara, São Gonçalo, para fazer ponto na Moreira César, esquina com Álvares de Azevedo, em Icaraí. Mas não tem sido fácil, mesmo recebendo ajuda da prefeitura. Além de os clientes estarem recolhidos em casa, Sebastião toma todos os cuidados recomendados pelas autoridades sanitárias, como usar máscaras, usar álcool em gel, passar álcool nos bancos do carro, nas maçanetas, no volante, no painel... para garantir não só a sua segurança como a dos clientes. - Nunca tinha passado por um período tão difícil assim – constata Sebastião. Além de as pessoas estarem com medo de usar carro que não o seu particular, muitas vezes os clientes não sabem com quem estão lidando, quem entrou no carro antes, perguntam se está tudo higienizado, conta ele. Difícil também é ver a dificuldade que diversos colegas e setores da cidade estão passando com o necessário isolamento social na pandemia. - Tenho visto colegas que não estão podendo trabalhar. E que pagam aluguel, então fica muito complicado. Tive colegas que contraíram o vírus e tiveram de ficar em casa. É tudo muito difícil, apesar do auxílio que o governo está dando. Isso ajuda bastante, mas não é o suficiente - diz ele, sem criticar por um só minuto as medidas necessárias para conter a disseminação do coronavírus. - A população tem o dever de ajudar, de colaborar, de seguir as normas, para colaborar e ajudar a conter o vírus, que existe e mata mesmo. As pessoas estão com medo, apreensivas com a situação, principalmente os idosos. Porque aqui em Icaraí tem muito idoso, na Moreira César então considero que é a rua que tem mais idosos, e eles naturalmente têm mais receio, tomam os cuidados, evitam sair de casa... Sebastião trabalha no ponto das 8h às 16h, então acaba deixando para almoçar em casa, em Alcântara, quando chega de volta à tarde. Traz lanches para aguentar as oito horas de trabalho e não ter de comprar na rua. É casado com uma cozinheira, que também trabalha fora, mas na pandemia teve a carga horária reduzida para dois dias semanais. Os dois filhos e os dois netos de seu Sebastião não moram com eles. O casal cuida sozinho e dá duro para manter a casa sempre limpa e higienizada, com todos os procedimentos necessários na higienização de cômodos e alimentos. - Acredito que essa situação ainda vai se estender mais um pouco, e também que depois que passar isso aí ainda vai demorar um tempo para as pessoas se restabelecerem, a cidade se restabelecer, porque a coisa ficou muito ruim, muito comércio fechando... Tenho colegas que têm comércio e não vão nem reabrir. Então vai demorar um pouco para a cidade se recuperar dessa crise, desse golpe - diz ele, enquanto espera clientes.

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